Cardeal Mazarin
Apresentação de Bolívar Lamounier
Prefácio de Umberto Eco
208 p. - 11 x 15.5 cm
ISBN 978-85-7326-066-3
1997
- (3ª edição - 2013)
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
“Como o fazia a mais antiga e a mais pura filosofia, fundamentamo-nos hoje sobre dois grandes princípios. Os antigos diziam: contém-te e abstém-te. Nós dizemos: simula e dissimula.” Assim começa este livro de aforismos e máximas do cardeal Mazarin (1602-1661), sucessor do cardeal Richelieu na França, verdadeiro manual prático para a luta pelo poder. Enquanto na Inglaterra as guerras civis levaram à decapitação do rei Carlos I em 1642, Mazarin subiu ao poder nesse mesmo ano como conselheiro do rei da França e conseguiu implementar, em duas décadas, a modernização do Estado, a subjugação da nobreza, a restauração do absolutismo e a transformação do país na principal potência europeia da época, criando as bases para o reinado de Luís XIV.
Texto orelha
O extraordinário deste Breviário dos políticos é que, escrito há 300 anos, ele não perdeu a atualidade. Dos tempos em que os reis disputavam territórios em suas carruagens a este mundo globalizado, a luta pelo poder se dá sob as mesmas regras, em que a lógica é a da dissimulação, do cinismo e da hipocrisia. Esta seleção das máximas do cardeal Mazarin é um verdadeiro guia, em tom coloquial e direto, para aqueles que sonham conquistar poder. Ensina, por exemplo: “Quando um homem é atingido por grande desgosto, aproveita essa ocasião para adulá-lo e consolá-lo. É com frequência em tais circunstâncias que ele deixará transparecer seus pensamentos mais secretos e que mais bem oculta”. É uma lição de oportunismo político — uma regra. Mas o Breviário é também rico em ensinamentos, não só para os representantes do povo como também para os representados — porque expõe sem escamotear a teatralidade das relações políticas. Mostra que o homem que detém poder, ou luta por ele, jamais deve exprimir na face qualquer sentimento particular, “apenas uma espécie de perpétua amenidade”. É aquele sorriso de aeromoça, mesmo diante de um cenário de turbulências. De leitura rápida, o livro traz axiomas para a vida do cidadão comum que é obrigado a lidar com pessoas e suas naturais disputas em seu ambiente de trabalho. É uma espécie de manual de boa convivência. Coisas como “não confies em ninguém”, “fala bem de todo mundo” — recomendações não só para os políticos. Apresenta também conselhos como “conhece-te a ti mesmo” e “conhece os outros” — formas de dominar o próprio temperamento e, portanto, as próprias fraquezas. Sempre prevalecendo o objetivo de conquistar novos domínios e passos na carreira. Entre os conselhos, figuram regras para obter um favor de alguém ou observações importantes como a permanente lembrança de que um homem que se contradiz “não relutará em te roubar”, ou “desconfia de um homem que faz Características de muitos personagens da cena política — deste ou de um tempo mais remoto — estão descritas neste Breviário. Uma técnica empregada pelos políticos da atualidade já era recomendada pelo cardeal Mazarin no século XVII: “Fala sempre com um ar de sinceridade, faz crer que cada frase saída de tua boca vem diretamente do coração e que tua única preocupação é o bem comum e afirma, além disso, que nada te é mais odioso que a bajulação”.Tanto quanto um roteiro para os que aspiram ao poder, o Breviário dos políticos é leitura obrigatória para quem quer identificar os bajuladores e os carreiristas com os quais se tromba todos os dias. Cristiana Lôbo
Sobre o autor
Jules Mazarin, nascido Giulio Raimondo Mazzarino, nasceu em Pescino, no Reino de Nápoles, em 1602. Educado por jesuítas em Roma, estudou direito canônico na Universidade de Alcalá, na Espanha. De volta a Roma, tornou-se diplomata papal em 1628. Quando era núncio extraordinário em Paris, foi convocado pelo cardeal Richelieu para o serviço junto ao rei Luís XIII. Gozando então de grande prestígio, recebeu em 1639 a nacionalidade francesa, foi nomeado cardeal em 1641 e sucedeu Richelieu após a morte deste em 1642. O cardeal Mazarin dirigiu então o Estado francês até a sua morte em Vincennes, em 1661, abrangendo um período de duas décadas que incluiu o último ano de Luís XIII, a regência de Ana de Áustria (1643-1651) e os primeiros anos do reinado de Luís XIV. Sob sua gestão o Estado francês se modernizou, a monarquia absolutista foi consolidada e o país se tornou a principal potência da Europa.
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