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Leão de chácara

 

João Antônio


120 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-65-5525-001-5
2020 - 1a edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

"Um soco", já disse o crítico Leo Gilson Ribeiro sobre o vigor estilístico de Leão de chácara, comparando seu autor a Céline e Jean Genet, escritores que viveram no universo dos marginalizados e o transformaram em literatura. Publicado em 1975, é o segundo livro de contos assinado por João Antônio (1937-1996). Entre Malagueta, Perus e Bacanaço e este, o golpe de 1964 e a mudança do escritor para o Rio de Janeiro. Esse deslocamento — dos subúrbios paulistanos para a Zona Sul carioca, onde ricos e pobres convivem muitas vezes lado a lado - talvez responda pela diferença de tom, dando a sensação de um mergulho mais fundo e de uma visão mais desencantada da vida urbana.
Nos quatro contos do livro, o estilo é mais incisivo, as gírias multiplicam-se, o enredo carrega mais violência — com um ressentimento de classe muitas vezes explícito. "Vivendo de otários, na humilhação e no vexame, tendo de suportar as vontades para levantar o tutu dos trouxas, a gente tem bronca dessa raça", diz o personagem Joãozinho da Babilônia no conto homônimo. No mesmo espírito, porém de forma ainda mais intensa, Paulinho Perna Torta, no texto que fecha o volume, narra sua trajetória, de engraxate a rei da Boca do Lixo paulistana.


Sobre o autor
João Antônio Ferreira Filho nasceu em São Paulo, em 1937. De família humilde, estuda no Externato Henrique Dias, na Pompeia, e no Colégio Campos Salles, na Lapa, e em 1952 publica seus primeiros textos no jornal infantojuvenil O Crisol. Na adolescência, trabalha no comércio durante o dia e estuda à noite. Em fevereiro de 1954 publica seu primeiro conto, "Um preso", no jornal O Tempo. Em 1963 lança seu livro de estreia, Malagueta, Perus e Bacanaço, que ganha os prêmios Fábio Prado e Jabuti, este em duas categorias, Revelação de Autor e Melhor Livro de Contos. Em 1964 muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha no Jornal do Brasil. Casa-se com Marília Mendonça Andrade em 1965, e em 1967 nasce seu filho, Daniel Pedro. Após trabalhar na revista Realidade, em São Paulo, em 1968, volta ao Rio de Janeiro para trabalhar na Manchete, em O Globo, no Diário de Notícias, e colabora com o Pasquim. Em 1975 publica os contos de Leão de chácara, vencedor do Prêmio APCA, e o livro Malhação do Judas Carioca, com reportagens e perfis. Dedo-duro, seu terceiro livro de contos, sai em 1982, e no ano seguinte ganha os prêmios Candango, da Fundação Cultural do Distrito Federal, e Pen Clube. Em 1985, com vários de seus contos traduzidos para outras línguas, viaja pela Europa dando conferências. No ano seguinte, sai seu quarto livro de contos, Abraçado ao meu rancor, que ganha os prêmios Golfinho de Ouro (Rio de Janeiro), Pedro Nava (São Paulo) e Oswald de Andrade (Porto Alegre). Em 1987 passa um ano na então Berlim Ocidental com uma bolsa para escritores. Em janeiro de 1993 inicia sua colaboração para a Tribuna da Imprensa. Falece em 1996, em seu apartamento em Copacabana.


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