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O capote e outras histórias

 

Nikolai Gógol

Tradução de Paulo Bezerra

224 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-85-7326-456-2
2010 - 1ª edição; 2015 - 3ª edição (1º reimpressão 2018 )
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

"Todos nós saímos do Capote de Gógol" - a famosa frase de Dostoiévski alude ao papel fundamental desempenhado pela obra de Nikolai Vassílievitch Gógol (1809-1852) no desenvolvimento da literatura russa a partir do século XIX. Humorista, dramaturgo, prosador e polemista, seria sobretudo graças a suas narrativas breves que o autor de Almas mortas e O inspetor geral atrairia a atenção da crítica e influenciaria para sempre os rumos da prosa russa e universal.
Organizado e traduzido diretamente do russo por Paulo Bezerra, que também assina o posfácio, este volume apresenta ao leitor um panorama geral da obra gogoliana, ao trazer, ao lado de algumas de suas histórias mais conhecidas ("O capote", "O nariz" e "Diário de um louco"), duas narrativas "folclóricas", do ciclo ucraniano ("Viy" e "Noite de Natal"). Se nas primeiras o cenário é São Petersburgo e os pequenos funcionários da burocracia czarista e, nas segundas, o universo rural com suas lendas e personagens míticos, em todas prevalece o humor, o tom fantástico e a genialidade narrativa de Gógol, nesta sequência de verdadeiras obras-primas.


Sobre o autor
Nikolai Vassílievitch Gógol nasceu em 1809 em Sorotchíntsi, na Ucrânia. Em 1829 muda-se para Petersburgo, onde publica os poemas "Itália" e Hanz Küchelgarten, de caráter romântico. Em 1830 frequenta a Academia de Belas-Artes, dá aulas em um colégio para meninas e considera tornar-se ator. Com a ajuda de amigos consegue um cargo de professor na Universidade de São Petersburgo. Baseado em lembranças da Ucrânia, elabora os dois volumes de Serões numa granja perto de Dikanka, publicados em 1831 e 1832 e recebidos com entusiasmo pela crítica. Deixa a universidade e dedica-se integralmente à carreira de escritor, publicando em 1835 duas coletâneas de contos e novelas: Arabescos, que traz "Avenida Niévski", "Diário de um louco" e "O retrato"; e Mírgorod, que inclui "A briga dos dois Ivans" e o épico Tarás Bulba. Em algumas dessas obras já se dá a passagem dos temas rurais e folclóricos para os urbanos e fantásticos. No ano seguinte publica os contos "A carruagem" e "O nariz", além da comédia O inspetor geral, considerada um marco na história do teatro russo. Ainda em 1836 parte em viagem para o exterior, passando pela Suíça e França, e fixando residência em Roma. Se dedica então ao projeto de um ambicioso romance, Almas mortas, que seria publicado em 1842. No ano seguinte, em uma edição de suas obras completas, aparece pela primeira vez "O capote", um dos contos mais influentes da literatura russa. A última década de sua vida é marcada por crises de depressão e um ascetismo religioso exacerbado. Adoece constantemente, e em 1847 publica Trechos selecionados da correspondência com amigos, textos ensaísticos muito criticados por seu conservadorismo. Retoma então a redação da segunda parte de Almas mortas, iniciada ainda na década de 1840, mais queima todos os manuscritos em 1852, ano em que morre em Moscou.



Sobre o tradutor
Paulo Bezerra estudou língua e literatura russa na Universidade Lomonóssov, em Moscou, e foi professor de teoria da literatura na UERJ e de língua e literatura russa na USP. Livre-docente em Letras, leciona atualmente na Universidade Federal Fluminense. Já verteu diretamente do russo mais de quarenta obras nos campos da filosofia, psicologia, teoria literária e ficção, destacando-se suas premiadas traduções de Crime e castigo, O idiota, Os demônios e Os irmãos Karamazov, de Dostoiévski. Em 2012 recebeu do governo da Rússia a Medalha Púchkin, por sua contribuição na divulgação da cultura russa no exterior.



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