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A máquina do bem e do mal e outros contos

 

Rodolfo Walsh

Prefácio de Ricardo Piglia

Organização de Sérgio Molina


240 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-85-7326-545-3
2013 - 1ª edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Autor de obras de enorme peso político na história recente da Argentina, Rodolfo Walsh (1927-1977) começou sua carreira literária no início dos anos 1950, sob clara influência de Jorge Luis Borges. São desse período os contos que abrem o presente volume e dão prova do fôlego do então jovem escritor; entre eles há joias como "Os caçadores de lontras" e "Contos para jogadores".
A segunda parte do livro reúne todos os casos do delegado Laurenzi, publicados entre 1956 e 1964. Narrados no célebre Café Rivadavia - onde o escritor ouviu a frase que detonou a investigação de seu livro Operação Massacre -, os relatos memorialísticos do delegado percorrem a geografia e a história do país, retomando a tradição do gênero policial argentino e ampliando seus limites.
O panorama se completa com a ficção madura de Walsh: aqui se desenvolve sua veia humorística, que atinge o auge no conto-título "A máquina do bem e do mal", um impagável quadro da marginália portenha. Em 1964, o autor reescreve seu conto de estreia, "As três noites de Isaías Bloom"; essa segunda versão, mais ágil, dá uma medida do percurso desse notável narrador e mostra a que ponto, como afirma Ricardo Piglia no prefácio, "Walsh cultivava a álgebra da forma como um modo de assegurar a eficácia da ficção".


Sobre o autor
Rodolfo Jorge Walsh nasceu em 25 de janeiro de 1927, na província argentina de Neuquén. Atuou no campo literário primeiramente como tradutor e editor, mais tarde como jornalista e ficcionista - muitas vezes sobrepondo e fundindo essas atividades. Suas principais obras são os romances-reportagem Operación massacre (1957), Caso Satanowsky (1958) e ¿Quién mató a Rosendo? (1969), que o qualificam como precursor e expoente do new journalism, e os volumes de contos Los oficios terrestres (1965), Un kilo de oro (1967) e Un oscuro día de justicia (1973), nos quais a violenta beleza de sua prosa atinge seu ponto máximo. Deixou ainda uma série de contos policiais e duas peças de teatro, La granada e La batalla (ambas de 1965). Postumamente, parte de sua vasta produção jornalística foi reunida no volume El violento oficio de escribir (1995).

Walsh é também lembrado por sua vigorosa entrega à militância política, que marcou seus últimos dez anos de vida, quando aderiu à esquerda revolucionária peronista, chegando à liderança do movimento Montoneros. Para várias gerações de intelectuais, sua contundente "Carta aberta à Junta Militar", em que denunciou os crimes da ditadura instaurada em 1976, tornou-se um modelo de resistência aos regimes autoritários e de fé na força da palavra contra os desmandos do poder. Walsh foi assassinado por um comando militar em 25 de março de 1977, logo depois de postar cópias daquela carta a amigos e colaboradores ao redor do mundo.


Sobre os tradutores
Sérgio Molina nasceu em Buenos Aires em 1964 e mudou-se para o Brasil aos dez anos de idade. Estudou Ciências Sociais, Letras, Editoração e Jornalismo na USP. Começou a traduzir do espanhol em 1986 e verteu para o português mais de sessenta livros, de autores como Alejo Carpentier, Jorge Luis Borges, Ricardo Piglia, Roberto Arlt, Mario Vargas Llosa, Tomás Eloy Martínez, Ernesto Sabato, César Aira e Javier Cercas. Sua tradução para a primeira parte de D. Quixote foi premiada na 46º edição do Prêmio Jabuti (2004).

Rubia Prates Goldoni é doutora em Letras pela USP e tradutora, com cerca de quarenta títulos publicados. Foi professora de Literatura Espanhola e de Prática de Tradução na Unesp. Entre os autores que traduziu estão Federico García Lorca, Ricardo Piglia, Mario Benedetti, Jules Verne e Carmen Laforet. Em 2009, recebeu o Prêmio FNLJ Monteiro Lobato de Melhor Tradução Jovem, por Kafka e a boneca viajante, de Jordi Sierra i Fabra.


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