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A margem esquerda
Contos de Kolimá 2

 

Varlam Chalámov

Tradução de Cecília Rosas
Prefácio de Roberto Saviano

304 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-85-7326-627-6
2016 - 1a edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

A margem esquerda é o segundo volume dos Contos de Kolimá, série em que Varlam Chalámov (1907-1982) narra a sua experiência como prisioneiro nos terríveis campos de trabalhos forçados do regime stalinista na Sibéria oriental, nas décadas de 1930 e 40. Ali, milhares de presos políticos - intelectuais, engenheiros, militares, artistas - viviam nas condições mais dramáticas, cumprindo jornadas desumanas no corte de florestas e na mineração, sob um frio extremo, enfrentando a fome e a opressão cotidiana de guardas, burocratas e criminosos comuns.
O título faz referência à margem do rio Kolimá onde se situava o hospital central dos gulags da região. Nesse local, cenário de vários contos do livro, Chalámov, após cumprir quase dez anos de pena, conseguiu emprego como paramédico, o que possibilitou sua transferência do cruel trabalho nas minas e, no fim das contas, sua própria sobrevivência.
As 25 histórias que compõem o livro trazem também relatos da famosa cadeia Butírskaia, em Moscou, do campo de Víchera, nos Urais, e do período de liberdade pós-kolimano. O volume inclui ainda um prefácio de Roberto Saviano, em que o autor de Gomorra conta o profundo impacto que a obra de Chalámov teve em sua vida.


Sobre o autor
Varlam Tíkhonovitch Chalámov nasceu em 1907, em Vólogda, Rússia, filho de um padre ortodoxo. Conclui os estudos secundários em 1924 e em 1926 é admitido no curso de Direito da Universidade de Moscou, quando começa a escrever seus primeiros poemas. Em fevereiro de 1929 é detido numa gráfica clandestina imprimindo panfletos contra Stálin. Condenado a três anos de trabalhos correcionais, cumpre a pena na região de Víchera, nos montes Urais. Libertado, retorna a Moscou no início de 1932. Em 1936 tem sua primeira obra publicada: o conto "As três mortes do doutor Austino". Em janeiro de 1937 é novamente detido e condenado por "atividades trotskistas contrarrevolucionárias", sendo enviado para a região de Kolimá, no extremo oriental da Sibéria, onde permanecerá por 15 anos em diversos campos de trabalhos forçados. No final do anos 1940, extremamente debilitado pelas condições extremas de sobrevivência nos campos, é ajudado por um médico e faz um curso de enfermagem, passando a trabalhar em hospitais de prisioneiros. Nessa época escreve os poemas dos Cadernos de Kolimá. Em 13 de outubro de 1951 chega ao fim sua pena. Retorna a Moscou em 1953, e com a ajuda de Boris Pasternak, volta a reinserir-se no meio literário. Em novembro desse ano começa a escrever os Contos de Kolimá, obra que vai absorvê-lo até 1973. No final da década de 1960, estes contos passam a ser publicados no exterior, e em 1981 recebe o Prêmio da Liberdade do Pen Club francês. O ciclo dos Contos de Kolimá é hoje considerado uma das obras-primas da literatura de testemunho do século XX, ao lado dos relatos de Soljenítsin, Primo Levi e Jorge Semprún. Anos depois, quando a saúde de Chalámov se deteriora, passa a viver em um abrigo de idosos, vindo a falecer em 1982.


Sobre a tradutora
Cecília Rosas é mestre e doutoranda em Literatura e Cultura Russa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, com dissertação de mestrado sobre Aleksandr Púchkin. Traduziu o conto "Di Grasso", de Isaac Bábel, para a revista Fevereiro (2011), e os volumes Noites egípcias e outros contos (Hedra, 2010) e O conto maravilhoso do tsar Saltan (Cosac Naify, 2013), de Púchkin, além de traduzir e organizar o volume O ladrão honesto e outros contos, de Dostoiévski (Hedra, 2013). Participou também como tradutora da Nova antologia do conto russo (1792-1998) e da Antologia do pensamento crítico russo (1802-1901), ambas organizadas por Bruno Gomide para a Editora 34 (respectivamente em 2011 e 2013).


Veja também
Contos de Kolimá
O artista da pá
Contos de Kolimá 3
Antologia do pensamento crítico russo (1802-1901)
Organização de Bruno Barretto Gomide

 


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