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O ano nu

 

Boris Pilniák

Tradução de Lucas Simone
Posfácio de Georges Nivat

264 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-85-7326-685-6
2017 - 1ª edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

O ano nu, de Boris Pilniák (1894-1938), tem posição singular entre as narrativas que procuram captar, no calor da hora, a atmosfera caótica que marca os primeiros anos da Revolução Russa. Publicado em 1922, este livro transcorre num vilarejo à beira das estepes orientais, onde acompanha o declínio da nobreza rural e a ascensão dos camponeses. Com seus ciclos e repetições, a natureza tem aqui papel de destaque, conferindo à obra um andamento que escapa aos limites do romance tradicional. O resultado é uma forma literária nova, que - como nota Georges Nivat no posfácio - está próxima das experiências do cinema de vanguarda de Dziga Vertov e Serguei Eisenstein.
Tal capacidade inventiva se reflete também na linguagem de O ano nu, repleta de arcaísmos, onomatopeias, refrões e citações de crônicas antigas. Um desafio enfrentado à altura pela tradução rigorosa e criativa de Lucas Simone.

Este livro faz parte da série Narrativas da Revolução, dirigida por Bruno Barretto Gomide, da Universidade de São Paulo. Publicadas na década de 1920, as cinco obras de ficção escolhidas dialogam diretamente com a Revolução Russa de 1917 e dão prova da diversidade de caminhos estéticos e da extraordinária força inventiva do período.


Sobre o autor
Boris Andriêievitch Vogau nasceu em 1894 em Mojáisk, nos arredores de Moscou. Sua carreira literária tem início em 1915 quando, sob influência de Andrei Biéli e Aleksei Riémizov, começa a publicar contos e artigos em periódicos, e adota o pseudônimo Boris Pilniák. Com a Revolução de Fevereiro, passa a trabalhar para o Governo Provisório, motivo pelo qual chega a ser preso pelos bolcheviques em Outubro. Em 1918 e 1920 publica duas coletâneas de contos que chamam a atenção de Lunatchárski e Górki, e possibilitam que o autor passe a viver apenas da literatura. Em 1922 é publicada sua obra-prima, O ano nu, a inventiva crônica do impacto da Revolução em um povoado rural no ano de 1919, que ganha elogios inclusive de Trótski. Em 1926 Pilniák causou verdadeiro escândalo com o "Conto da lua não extinta", baseado na morte de Mikhail Frunze, um comandante do Exército Vermelho. Pilniák perde a presidência da União Pan-Russa de Escritores e, em uma tentativa de se reabilitar, escreve O Volga desemboca no mar Cáspio (1930), um romance sobre o primeiro Plano Quinquenal, e OK! (1931), uma sátira aos Estados Unidos. Nesta época são publicadas suas Obras reunidas, em oito tomos, mas ao longo dos anos 1930 sua imagem é cada vez mais abalada pela crítica ligada ao realismo socialista. Em 1937 Pilniák é acusado de espionagem a serviço do Japão e "desaparece" na prisão. Fontes recentes datam sua execução pelo regime em 1938.


Sobre o tradutor
Lucas Simone nasceu em São Paulo, em 1983. É historiador formado pela FFLCH-USP e doutorando no Programa de Literatura e Cultura Russa da mesma instituição. É professor de língua russa e tradutor, tendo publicado a peça Pequeno-burgueses e A velha Izerguil e outros contos, ambos de Maksim Górki (Hedra, 2010). Traduziu contos de Odóievski, Kuprin, Tchekhov, Górki, e Ilf e Petrov para a Nova antologia do conto russo (Editora 34, 2011). Mais recentemente, publicou traduções de duas obras de Fiódor Dostoiévski, A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes (Editora 34, 2012) e Memórias do subsolo (Hedra, 2013), além da coletânea O artista da pá, de Varlam Chalámov, terceiro volume da série Contos de Kolimá (Editora 34, 2016), do livro O fim do homem soviético, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras, 2016), e do Diário de Kóstia Riábtsev, de Nikolai Ognióv (Editora 34, 2017).


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