Mestre de gerações de pesquisadores e tradutores de literatura russa no Brasil, Boris Schnaiderman, na juventude, tomou parte ativa na campanha da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1944 e 1945, lutando na Itália contra as forças do nazifascismo. O relato dessa experiência que o marcaria pelo resto da vida está em Guerra em surdina, publicado pela primeira vez em 1964. Combinando narração em primeira e terceira pessoa, passagens de diário e fluxos de consciência, este livro incomum procura registrar o dia a dia dos soldados da FEB e as relações humanas que se estabelecem em meio às batalhas de um dos eventos mais terríveis da humanidade. Esta edição incorpora a última revisão feita em vida pelo autor e traz fotos inéditas da guerra, de sua coleção pessoal, e um posfácio da psicanalista e cineasta Miriam Chnaiderman, que comenta o processo de escrita de Guerra em surdina enquanto faz um retrato lúcido e afetuoso do homem e do intelectual Boris Schnaiderman.
Um dos grandes nomes da MPB, o carioca Francis Hime, nascido em 1939, chega a seis décadas de carreira sem sinais de diminuir o ritmo. A abrangência de seu trabalho inclui as atividades de compositor, cantor, instrumentista, arranjador, regente e produtor, e uma multiplicidade de parceiros, como Chico Buarque (“Atrás da Porta”, “Passaredo”, “Trocando em Miúdos” e “Vai Passar” são alguns dos sucessos da dupla), além de Vinicius de Moraes, Ruy Guerra, Paulo César Pinheiro, Olivia Hime, Cacaso, Geraldo Carneiro e muitos outros. Este livro combina um ensaio sobre a arte de Francis Hime, escrito pelo jornalista André Simões, com uma longa entrevista em que o compositor repassa toda a sua carreira e os detalhes de seu processo criativo. O volume se completa com uma rica iconografia, com mais de 150 imagens, e discografia e musicografia completas do artista.
Considerado um dos mais importantes documentos da história da escravidão, A interessante narrativa da vida de Olaudah Equiano foi publicada em Londres em 1789 e transformou-se de imediato num libelo contra o tráfico negreiro. O livro traz a autobiografia repleta de aventuras de um africano nascido no interior da atual Nigéria, em 1745, que é levado cativo para as colônias britânicas do Caribe e da América da Norte, mas depois consegue comprar a sua liberdade e mudar-se para Londres, onde se casa com uma mulher branca e tem duas filhas. Relato verídico de desastres e sofrimentos inimagináveis, A interessante narrativa traz não só a primeira descrição, com testemunho direto, da travessia atlântica a bordo de um tumbeiro, como também registra os horrores das plantations nas Américas e a perversidade dos negociantes de negros escravizados.
Figura central do pensamento francês no século XX, Roland Barthes (1915-1980) tem aqui a sua vida e obra esmiuçada por uma das intelectuais mais brilhantes da nova geração, Tiphaine Samoyault. Percorrendo os temas de eleição do autor (obras, criadores, linguagens, teorias, mitos), e com base em materiais inéditos (arquivos, diários, documentos pessoais), a biógrafa lança nova luz sobre suas ideias e confere coerência e substância à figura de Barthes — um homem de sua época, mas que segue falando à nossa, seja por sua prontidão perspicaz à aventura intelectual e literária, seja ainda por sua reticência íntima e irônica diante de todo discurso de autoridade.
Luiz Carlos Bresser-Pereira é um dos nossos mais renomados economistas, tendo desenvolvido sua carreira na universidade, como professor emérito da FGV-SP; na iniciativa privada, como braço direito de Abílio Diniz na construção do grupo Pão de Açúcar; na administração pública, como presidente do Banespa no governo Montoro, ministro da Fazenda no governo Sarney e ministro da Administração Federal e Reforma do Estado no governo FHC; e na sociedade civil, hoje integrando a Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos. Toda essa rica trajetória — com revelações inéditas sobre os acontecimentos que testemunhou — constitui o cerne dessas entrevistas realizadas por João Villaverde e José Marcio Rego entre 2017 e 2020. Compondo passo a passo a sua “autobiografia intelectual e política”, segundo o próprio Bresser-Pereira, essas conversas são um registro amplo das ideias desse que é, como assinala Luiz Felipe de Alencastro, “um dos mais destacados pensadores e estadistas brasileiros”.
Nova edição, revista e ampliada, da biografia de Baden Powell (1937-2000), um dos maiores instrumentistas que o mundo conheceu. Nascido em Varre-e-Sai (RJ) e criado no subúrbio carioca de São Cristovão, ainda menino passou a se apresentar no rádio e acompanhar ao violão grandes cantores da época. Em 1963, após participar do nascimento da bossa nova, embarcou com a cara e a coragem para Paris, desenvolvendo praticamente toda a sua carreira internacional na França e na Alemanha, com um repertório amplo, que vai do samba ao clássico, do popular ao jazz, e que inclui composições próprias como “Samba da Bênção”, com Vinicius de Moraes, e “Lapinha”, com Paulo César Pinheiro, seus dois grandes parceiros.
Nova edição da mais completa biografia de Dorival Caymmi (1914-2008), um dos nomes mais importantes da música brasileira, que encantou o país com sua voz grave e doce, e suas canções lapidares, síntese do imaginário do povo. Fruto de dez anos de minuciosa pesquisa, com mais de trezentas imagens, a obra vem agora em formato mais acessível, além de revista e atualizada com um novo posfácio da autora, Stella Caymmi, neta do compositor. O lançamento integra as comemorações do centenário de Caymmi, a serem realizadas em 2014.
Da menina prodígio que cantava e tocava violão em salões da sociedade paulista desde os sete anos, até a apresentadora do cultuado programa Viola, Minha Viola, na TV Cultura, muita coisa aconteceu na vida e na carreira de Inezita Barroso. Esta biografia, nascida da amizade entre o jornalista Arley Pereira (1935-2007) e a cantora, e último trabalho realizado pelo autor, traz aos leitores o calor de uma boa conversa, recheada dos "causos" e memórias contados de forma sempre espirituosa por Inezita. Além disso, o livro contou com uma abrangente pesquisa que resultou nas mais de cem imagens reproduzidas, muitas delas inéditas, e em uma discografia completa desta grande intérprete e divulgadora da nossa cultura popular.
Este livro conta a trajetória do movimento A Rosa Branca, formado por estudantes da Universidade de Munique que, por meio da redação e distribuição de panfletos, teve a coragem de contestar o regime nazista. Combinando memórias familiares com a transcrição dos folhetos originais e testemunhos da época, a autora narra a tomada de consciência de seus irmãos Hans e Sophie Scholl, bem como dos outros membros do grupo, que ousaram afirmar sua resistência contra o nacional-socialismo, até serem capturados e sumariamente condenados à morte em 1943. Além de documentos inéditos, a presente edição inclui uma apresentação de Juliana P. Perez e Tinka Reichmann, da Universidade de São Paulo, e um posfácio do historiador alemão Rainer Hudemann escrito especialmente para o leitor brasileiro.
Neste livro, Roberto Lavagna relata os treze primeiros meses em que esteve à frente do Ministério da Economia argentino, entre 2002 e 2003. A Argentina vivia então a sua maior crise em cem anos, após o colapso das políticas de Menem, que deixou como legado uma terrível recessão, o congelamento das contas-correntes, desemprego e um cenário de convulsão social. Lavagna conta aqui como conduziu o país do caos à recuperação, desafiando o FMI na maior renegociação de dívida externa do mundo e a pressão dos lobbies empresariais. Mais do que um livro de memórias, trata-se de uma lição valiosa sobre política econômica e administração do Estado - e os enormes obstáculos que devem ser enfrentados na defesa do interesse público.
A trajetória singular de Anita Malfatti (1889-1964) constitui um dos fatos mais intrigantes da arte brasileira no século XX. Esta publicação traz ao público o mais completo estudo já feito sobre a vida da artista, de forma a compreender as condições de produção e recepção de sua obra. Aborda desde sua infância, seus estudos em Berlim e Nova York na década de 1910, as exposições individuais de 1914 e 1917, a participação-chave na Semana de 22, a estadia em Paris nos anos 20 e toda sua trajetória posterior.
Em abril de 1945, após ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, ela anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado. Esse foi o ponto de partida para este livro absolutamente incomum, escrito e organizado por Noemi Jaffe. Em O que os cegos estão sonhando?, três gerações de mulheres da mesma família se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, tecer um agasalho "contra a brutalidade do real".