Henrique Provinzano Amaral
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Henrique Provinzano Amaral, nascido em Ribeirão Preto, SP, em 1993, é tradutor, pesquisador e poeta. Doutor em Letras Estrangeiras e Tradução pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio doutoral na Université Sorbonne Paris Nord, atua como professor de Língua, Literatura e Tradução em Francês na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). É autor dos livros de poemas Quatro cantos (Patuá, 2020) e As lágrimas das aves migratórias (Jabuticaba, no prelo). Como tradutor e pesquisador, dedica-se sobretudo às literaturas caribenhas francófonas, tendo organizado a antologia Estilhaços: antologia de poesia haitiana contemporânea (Selo Demônio Negro, 2020), além de ter traduzido obras de Édouard Glissant, Jan Mapou, Jean D’Amérique, Souleymane Bachir Diagne, Sam Bourcier e Patrick Chamoiseau, entre outros.
“Nem europeus, nem africanos, nem asiáticos, nós nos proclamamos crioulos. Isso será para nós uma atitude interior, ou melhor: uma vigilância, ou melhor ainda, uma espécie de invólucro mental no interior do qual se construirá nosso mundo, em plena consciência do mundo.” Proferido no Festival Caribenho de Seine-Saint-Denis em 1988 por Jean Bernabé, Patrick Chamoiseau e Raphaël Confiant, o Elogio da crioulidade logo foi mundialmente reconhecido como o manifesto fundador de um audacioso projeto literário. Sua proposta estética lança as bases de uma literatura antilhana que assume a língua crioula, mas sem abandonar o francês. Acompanhado de um prefácio inédito de Chamoiseau, o volume traz ainda uma entrevista recente de Confiant, feita por Vanessa Massoni da Rocha, na qual o autor repensa a própria obra depois de décadas.
Subvertendo as fronteiras entre ensaio e literatura, Patrick Chamoiseau reflete em O contador, a noite e o balaio sobre a escrita, a fala e o gesto criador. Inspirado na “oralitura”, conceito central da poética antilhana, volta-se ao velho negro escravizado das Antilhas do século XVII que, à noite, transforma-se em “mestre da palavra”: o contador crioulo, origem simbólica da literatura antilhana. Sua palavra inaugura uma forma de resistência simbólica à colonização e um sistema de forças que se opõe à violência das plantações. Traduzido por Henrique Provinzano Amaral, com posfácio de Michel Mingote, o ensaio amplia o diálogo entre literatura, dança, música e artes visuais, evocando Aimé Césaire e Édouard Glissant. Nascido na Martinica em 1953, vencedor do Prêmio Goncourt com Texaco, Chamoiseau é uma das vozes mais expressivas da literatura caribenha.