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Mikhail Bakhtin

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Mikhail Bakhtin nasceu em 1895 em Oriol, na Rússia. Estudou em Odessa e Petrogrado, foi professor de história, sociologia e língua russa na cidade de Nével, na década de 1910, e liderou um grupo de intelectuais que ficaria conhecido como o Círculo de Bakhtin. Em 1928 foi preso pelo regime de Stálin, mas ainda conseguiu publicar um de seus trabalhos mais importantes, Problemas da obra de Dostoiévski (1929). Condenado a um campo de trabalhos forçados, teve a pena comutada para o degredo no Cazaquistão, onde viveu até 1936. Bakhtin continuou proibido de viver em grandes cidades e se estabeleceu em Saransk, isolado do circuito acadêmico e literário da União Soviética, trabalhando como professor em escolas públicas. O autor foi resgatado somente na década de 1960 por três estudantes de Moscou —Kójinov, Botcharov e Gátchev —, que o ajudaram a se reintegrar ao cenário intelectual do país e a editar suas obras: o ensaio sobre Dostoiévski foi revisto e publicado com o título Problemas da poética de Dostoiévski (1963), e foram editadas sua tese de doutorado A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965) e a coletânea de ensaios Questões de literatura e de estética (1975). Faleceu em Moscou, em 1975.

A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento
Tradução de Sheila Grillo, Ekaterina Vólkova Américo
Ensaio introdutório de Sheila Grillo

Pela primeira vez no Brasil em tradução direta do russo, A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento é considerada a magnum opus de Mikhail Bakhtin (1895-1975), em que ele mobiliza os conceitos desenvolvidos por seu círculo nos anos 1920 e 1930 para chegar a uma compreensão magistral sobre as relações entre linguagem e sociedade. Ao analisar a cultura popular, não oficial, cuja expressão-chave são os romances de Rabelais e a utopia libertária do carnaval — que subverte hierarquias, desconstrói certezas e abre alas para um novo tempo social —, Bakhtin revolucionou os estudos da língua e da literatura. A introdução de Sheila Grillo, tradutora da obra com Ekaterina Vólkova Américo, analisa o percurso do texto, desde os anos 1930 até a década de 1960, detendo-se no doutorado de 1946, e reproduz páginas inéditas de Bakhtin sobre Gógol, excluídas da tese a mando das autoridades soviéticas.

O autor e a personagem na atividade estética
Tradução de Paulo Bezerra
Notas da edição russa de Serguei Botcharov
Considerado um ensaio seminal na carreira de Mikhail Bakhtin, O autor e a personagem na atividade estética foi redigido na primeira metade dos anos 1920 e integra seus escritos ditos “filosóficos”, trazendo pela primeira vez vários conceitos que serão fundamentais em suas obras posteriores sobre a linguagem, o discurso e o romance. A tradução de Paulo Bezerra, publicada originalmente na coletânea Estética da criação verbal, foi aqui inteiramente revista, além de acrescida de um posfácio do tradutor e de um texto inédito de Bakhtin em português: uma “Introdução” ao livro, com cerca de 30 páginas, descoberta pelos organizadores das Obras reunidas do autor na Rússia.
Problemas da obra de Dostoiévski
Tradução de Sheila Grillo, Ekaterina Vólkova Américo
Notas e glossário de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo
Ensaio introdutório e posfácio de Sheila Grillo
Problemas da obra de Dostoiévski, lançado em 1929, é a primeira versão de um dos livros-chave de Bakhtin, Problemas da poética de Dostoiévski, de 1963. Organizado em duas partes, “O romance polifônico de Dostoiévski” e “A palavra em Dostoiévski”, o estudo analisa as principais obras do escritor russo, atentando para a multiplicidade de vozes e discursos que ele põe em cena, o que representou uma importante inovação na forma do romance. O presente volume inclui ainda um ensaio introdutório que historia a gênese do livro de Bakhtin e suas influências, e um posfácio que analisa a sua recepção na União Soviética da época, ambos redigidos por Sheila Grillo, tradutora da obra com Ekaterina Vólkova Américo.
Teoria do romance III
O romance como gênero literário
Tradução de Paulo Bezerra
Organização da edição russa de Serguei Botcharov e Vadim Kójinov
Este terceiro e último volume da Teoria do romance de Mikhail Bakhtin, traduzido da mais recente edição crítica russa, traz dois ensaios fundamentais do autor: "Sobre a pré-história do discurso romanesco" (de 1940), em que é analisada a importância dos diversos estilos paródicos no surgimento do romance; e "O romance como gênero literário" (de 1941, antes conhecido como "Epos e romance"), no qual se discute a especificidade do discurso romanesco em contraposição às formas da épica. No posfácio ao volume, o tradutor Paulo Bezerra destaca a originalidade das ideias de Bakhtin, que alteraram de forma radical os rumos da teoria literária no século XX.
Teoria do romance II
As formas do tempo e do cronotopo
Tradução de Paulo Bezerra
Organização da edição russa de Serguei Botcharov e Vadim Kójinov
Este segundo volume da Teoria do romance de Mikhail Bakhtin, traduzido da mais recente edição crítica russa, introduz um dos conceitos-chave do pensamento do autor, o "cronotopo", ou seja, a configuração do tempo e do espaço na prosa literária. Neste "ensaio de poética histórica", Bakhtin parte do romance grego, passa pelas obras de Apuleio e Petrônio, pelo gênero biográfico e autobiográfico (Platão, Plutarco, Santo Agostinho), pelo folclore, pelos romances de cavalaria e pelos personagens picarescos, para chegar na extraordinária obra de François Rabelais.
Notas sobre literatura, cultura e ciências humanas
Tradução de Paulo Bezerra
Organização, tradução, posfácio e notas de
Paulo Bezerra
Notas da edição russa de Serguei Botcharov
Este livro reúne três textos de Mikhail Bakhtin (1895-1975): "A ciência da literatura hoje" (1970), "Fragmentos dos anos 1970-1971" (extraídos de seus cadernos de anotações) e "Por uma metodologia das ciências humanas" (1975) - todos eles traduzidos diretamente do russo por Paulo Bezerra, que também assina o posfácio ao volume. Escritos no fim da vida, os textos compõem um verdadeiro "testamento teórico" de Bakhtin, que retoma neles os principais temas de sua obra e aponta os caminhos para um desenvolvimento posterior de suas ideias.
Os gêneros do discurso
Tradução de Paulo Bezerra
Notas da edição russa de Serguei Botcharov
Este livro contém dois ensaios fundamentais de Mikhail Bakhtin (1895-1975), indispensáveis para a compreensão de sua abordagem dialógica quanto ao texto e à linguagem viva: "Os gêneros do discurso" e "O texto na linguística, na filologia e em outras ciências humanas". O volume inclui ainda outros dois textos do autor, inéditos no Brasil, intitulados "Diálogos", que não apenas serviram de base para a escrita de "Os gêneros do discurso", como também esboçam novas ideias de Bakhtin sobre a natureza da língua.
Teoria do romance I
A estilística
Tradução de Paulo Bezerra
Organização da edição russa de Serguei Botcharov e Vadim Kójinov
Prefácio, notas e glossário de Paulo Bezerra
Peça-chave na teoria de Bakhtin, a Teoria do romance foi desenvolvida nos anos 1930, mas só foi publicada, e de forma parcial, no ano da morte do autor, em 1975, no volume Questões de literatura e estética. Apenas em 2012 o texto integral veio à luz, na Rússia, no conjunto de suas obras completas. Este volume tem como tema O discurso no romance, e traz as reflexões de Bakhtin sobre a especificidade desse gênero literário; nele, o autor questiona a estilística tradicional e desenvolve o conceito de heterodiscurso, destacando as múltiplas vozes que ressoam na prosa romanesca. Ao considerar a linguagem como um fenômeno vivo e plural, o teórico russo revolucionou nossa forma de ler e interpretar o romance.
Questões de estilística no ensino da língua
Tradução de Sheila Grillo, Ekaterina Vólkova Américo
Apresentação de Beth Brait
Organização e notas da edição russa de Serguei Botcharov e Liudmila Gogotichvíli
Único na obra deste grande teórico da língua e da literatura, o presente ensaio é produto da experiência de Bakhtin como professor em duas escolas no interior da Rússia entre 1937 e 1945. Como exemplo de sua prática na sala de aula, o autor aborda no texto o uso de uma estrutura gramatical em particular - o período composto por subordinação sem conjunção -, e desenvolve um método de ensino voltado ao "processo de nascimento da individualidade linguística" dos alunos.
Bobók
Tradução de Paulo Bezerra
Ilustrações de Oswaldo Goeldi
Posfácio e notas de Paulo Bezerra; texto de Mikhail Bakhtin
Mais do que uma resposta de Dostoiévski aos críticos de seu romance Os demônios (1871), o conto Bobók, publicado no Diário de um escritor em 1873, é considerado por Mikhail Bakhtin "um microcosmo de toda a sua obra", pois concentra, no tempo brevíssimo de um "diálogo de mortos" num cemitério, os procedimentos fundamentais de sua literatura. Além da análise de Bakhtin, o volume inclui posfácio do tradutor Paulo Bezerra e oito desenhos de Oswaldo Goeldi.