Augusto Boal
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Augusto Boal nasceu em 1931, no Rio de Janeiro. Formou-se em engenharia química pela UFRJ, e em 1952 viaja para os Estados Unidos para estudar na Escola de Arte Dramática da Universidade Columbia, onde frequenta os cursos de John Gassner. De volta ao Brasil, em 1956, passa a integrar o Teatro de Arena, formado por Boal, José Renato, Giafrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, grupo que promove uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros, com peças como Eles não usam black-tie (1958) e Arena conta Zumbi (1965). Na esteira do golpe militar de 1964, Boal é preso e torturado em 1971. Exila-se na Argentina com Cecilia Thumim, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido, lançado em 1974. Muda-se para Portugal em 1976, e dois anos depois se estabelece na França, onde passa a atuar e criar vários núcleos baseados em sua obra. Publica a primeira edição de Jogos para atores e não atores em Paris, ainda em 1978. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992, é eleito vereador pelo Partido dos Trabalhadores e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo. Lança em 2000 um livro de memórias, Hamlet e o filho do padeiro, e em 2009 a Unesco lhe confere o título de “Embaixador do Teatro Mundial”. Faleceu em 2009, no Rio de Janeiro.
No final da década de 1950, Augusto Boal e seus companheiros do Teatro de Arena revolucionaram o que se entendia por arte teatral no Brasil, tornando o espectador parte ativa do que acontecia no palco. Em 1971, após ser preso pela ditadura, o teatrólogo parte para um longo exílio, percorrendo o mundo e difundindo suas ideias entre os profissionais do meio e entre as pessoas comuns nas ruas e praças, pois, para ele, “o teatro é uma forma de conhecimento e deve ser também um meio de transformar a sociedade”. A suma de todas essas experiências está nas dezenas de exercícios teatrais deste Jogos para atores e não atores, livro traduzido para várias línguas, com diversas atualizações, e que é hoje utilizado até para a psicoterapia, a educação e a formação política. O presente volume traz a versão mais completa da obra, estabelecida em 2013, e inclui textos inéditos de Boal em português reunidos em apêndice.
Teatro reunido apresenta um conjunto de catorze peças, oito delas inéditas, assinadas por Augusto Boal (1931-2009), um dos maiores teatrólogos do século XX. Aqui estão as primeiras peças escritas nos anos 1950 quando estudou em Nova York com John Gassner, mestre de Tennessee Williams e Arthur Miller, e aquelas criadas para o Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento. A época do Teatro de Arena é representada por Revolução na América do Sul (1960), a primeira obra em nosso teatro a incorporar formalmente as lições de Brecht, além de uma série de peças que buscaram reagir à repressão após o golpe de 1964. O círculo se fecha com O amigo oculto e A herança maldita, dupla em chave cômico-crítica à família burguesa, redigidas já no início do século XXI. O volume inclui ainda um ensaio de Iná Camargo Costa, escrito para esta edição, e um apêndice com documentos de época, textos críticos e depoimentos assinados por Boal, Sábato Magaldi, Fernando Peixoto e Gianfrancesco Guarnieri.