Varlam Chalámov
6 títulos
Varlam Tíkhonovitch Chalámov nasceu em 1907, em Vólogda, Rússia, filho de um padre ortodoxo. Conclui os estudos secundários em 1924 e em 1926 é admitido no curso de Direito da Universidade de Moscou, quando começa a escrever seus primeiros poemas. Em fevereiro de 1929 é detido numa gráfica clandestina imprimindo panfletos contra Stálin. Condenado a três anos de trabalhos correcionais, cumpre a pena na região de Víchera, nos montes Urais. Libertado, retorna a Moscou no início de 1932. Em 1936 tem sua primeira obra publicada: o conto "As três mortes do doutor Austino". Em janeiro de 1937 é novamente detido e condenado por "atividades trotskistas contrarrevolucionárias", sendo enviado para a região de Kolimá, no extremo oriental da Sibéria, onde permanecerá por 15 anos em diversos campos de trabalhos forçados. No final do anos 1940, extremamente debilitado pelas condições extremas de sobrevivência nos campos, é ajudado por um médico e faz um curso de enfermagem, passando a trabalhar em hospitais de prisioneiros. Nessa época escreve os poemas dos Cadernos de Kolimá. Em 13 de outubro de 1951 chega ao fim sua pena. Retorna a Moscou em 1953, e com a ajuda de Boris Pasternak, volta a reinserir-se no meio literário. Em novembro desse ano começa a escrever os Contos de Kolimá, obra que vai absorvê-lo até 1973. No final da década de 1960, estes contos passam a ser publicados no exterior, e em 1981 recebe o Prêmio da Liberdade do Pen Club francês. O ciclo dos Contos de Kolimá é hoje considerado uma das obras-primas da literatura de testemunho do século XX, ao lado dos relatos de Soljenítsin, Primo Levi e Jorge Semprún. Anos depois, quando a saúde de Chalámov se deteriora, passa a viver em um abrigo de idosos, vindo a falecer em 1982.
A luva, ou KR-2
(Contos de Kolimá 6)
Tradução de Nivaldo dos Santos, Francisco de Araújo
Posfácio de Gustaw Herling
A luva, ou KR-2 é o sexto e último volume dos Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov (1907-1982), obra em que o escritor russo dá testemunho dos 17 anos que passou como prisioneiro nos campos de trabalhos stalinistas e que constitui um verdadeiro monumento contra a barbárie e pela vida. Os 21 textos aqui reunidos trazem, além da denúncia dos horrores do gulag, também um pouco de leveza e esperança, já que cobrem os últimos anos de sua pena e a transição para a liberdade, como no belíssimo conto "Viagem a Ola". Completam o volume um texto ficcional sobre a morte de Chalámov escrito por Gustaw Herling (autor de uma das mais importantes obras da literatura do gulag, Um mundo à parte), e dois poemas do próprio Chalámov traduzidos diretamente do russo.
Ensaios sobre o mundo do crime
(Contos de Kolimá 4)
Tradução de Francisco de Araújo
Posfácio de Varlam Chalámov
Neste quarto volume dos Contos de Kolimá, Varlam Chalámov realiza um verdadeiro estudo sociológico sobre os criminosos comuns com quem conviveu nos terríveis campos de trabalhos forçados do regime stalinista. Em oito textos, o autor faz uma descrição perspicaz da cultura do mundo do crime, critica a romantização dos bandidos na literatura e mostra como o governo soviético muitas vezes se utilizou da "mão de obra" de delinquentes profissionais para reprimir e eliminar os prisioneiros políticos nos lagers russos. O volume inclui ainda um texto em que Chalámov lista as "lições" que aprendeu nos campos, além de uma carta a Soljenítsin em que delineia suas diferenças em relação ao autor de Arquipélago Gulag.
A ressurreição do lariço
(Contos de Kolimá 5)
Tradução de Daniela Mountian, Moissei Mountian, Marina Tenório
Posfácio de Varlam Chalámov
Em A ressurreição do lariço, quinto volume dos Contos de Kolimá, Varlam Chalámov (1907-1982) segue com a missão que ele se propôs após ter sobrevivido aos gulags russos: a de dar testemunho sobre o que viu nos campos de trabalhos forçados, onde morreram milhões de pessoas. São particularmente tocantes os contos em que o autor reconstitui a vida de prisioneiros - como um brilhante engenheiro, uma militante revolucionária, um ex-general do Exército Vermelho ou um diretor teatral de vanguarda - e sua luta para manter a dignidade em meio à barbárie. Fecha o volume um ensaio de Chalámov em que ele discute a literatura e o processo de criação dos Contos de Kolimá.
A margem esquerda é o segundo volume dos Contos de Kolimá, série em que Varlam Chalámov (1907-1982) narra a sua experiência como prisioneiro nos terríveis campos de trabalhos forçados do regime stalinista na Sibéria oriental. O título faz referência à margem do rio Kolimá onde se situava o hospital central dos gulags da região, local onde o autor, após dez anos de pena, conseguiu emprego como paramédico e assim garantiu a própria sobrevivência. O volume inclui um prefácio de Roberto Saviano, em que o autor de Gomorra conta o profundo impacto que a obra de Chalámov teve em sua vida.
Considerado "o maior escritor do século XX" pela vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Aleksiévitch, Varlam Chalámov (1907-1982) registra nos 28 contos de O artista da pá a luta pela sobrevivência no contexto de uma das maiores tragédias da humanidade: os campos de trabalhos forçados na União Soviética stalinista, onde morreram milhões de pessoas. Seu estilo seco e objetivo - descrito pelo próprio autor no ensaio "Sobre a prosa", recolhido ao final deste terceiro volume da série Contos de Kolimá - expõe os detalhes de cada situação vivida por ele e seus colegas de prisão, deixando uma marca indelével na memória dos leitores.
Contos de Kolimá
Tradução de Denise Sales, Elena Vasilevich
Apresentação de Boris Schnaiderman
Prefácio de Irina P. Sirotínskaia
Publicado com o apoio do Instituto de Tradução da Rússia
Entre o final dos anos 1920 e o pós-guerra, milhões de pessoas foram deportadas e morreram nos campos de trabalhos forçados soviéticos. Em Kolimá, região desolada no nordeste da Sibéria, "onde um cuspe congela no ar antes de tocar a terra", localizavam-se alguns desses campos, e num deles o escritor russo Varlam Chalámov (1907-1982) cumpriu pena por quase duas décadas, cavando buracos, abrindo estradas e quebrando pedras. Ao final desse período, retorna a Moscou e já no ano seguinte começa a escrever sua obra-prima, os Contos de Kolimá. Após este primeiro volume se seguiram mais cinco, constituindo uma obra monumental, com mais de 2 mil páginas, trabalho que lhe tomaria outros vinte anos e no qual a escavação profunda da memória, o relato autobiográfico sem floreios, é acompanhado a cada passo por uma aguda reflexão filosófica sobre os limites do ser humano em face de experiência tão brutal.