Sérgio Ferro
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Sérgio Ferro nasceu em Curitiba, em 1938, e foi, durante mais de quarenta anos, professor de História da Arte e da Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1962-1971) e na École d’Architecture de Grenoble (1973-2003). Foi também diretor do Laboratoire de Recherche Dessin/Chantier do Ministério da Cultura da França. Em sua atividade de pesquisador seguiu o ensinamento de Flávio Motta: além dos procedimentos habituais da tradição universitária, a pesquisa deve incluir a experimentação prática. Assim, a maioria de sua obra em arquitetura (associado com Flávio Império e Rodrigo Lefèvre), como em pintura, é constituída por experiências nas quais sua teoria, de fundamento marxista, é diversamente testada. A teoria conduz, entretanto, a resultados praticamente opostos nestas duas áreas, em função de seus posicionamentos diversos na produção social. Em consequência, os dois volumes de Artes plásticas e trabalho livre são o complemento em negativo de Arquitetura e trabalho livre (2006, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas). Tem pinturas em diversos museus internacionais e obra de arquitetura classificada como monumento histórico. É Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, nomeado pelo governo da França em 1992.
Arquitetura e trabalho livre II: de Brasília aos mutirões continua a série que reúne escritos de Sérgio Ferro, arquiteto, pintor e professor da FAU-USP (1962-70) e da École d’Architecture de Grenoble (1972-2003), iniciada com Arquitetura e trabalho livre I: O canteiro e o desenho e seus desdobramentos. Os onze ensaios do livro abordam a atuação do autor com Flávio Império e Rodrigo Lefèvre na torrente de agitações da década de 1960 e sua postura crítica em relação ao mercado imobiliário e aos arquitetos ligados ao PCB, como Niemeyer e Artigas. A produção do grupo, hoje conhecido como Arquitetura Nova, também é analisada, dos projetos de casas para amigos e de escolas no interior paulista até os mutirões da gestão Luiza Erundina em São Paulo (1989-1992), com suas edificações de baixo custo, abertas à invenção no canteiro, onde predominava o respeito pelos operários da construção. Completam o volume uma apresentação de Pedro Fiori Arantes, organizador da série, e um prefácio de Roberto Schwarz, companheiro de Sérgio na renovação do marxismo realizada por sua geração.
Arquitetura e trabalho livre I abre uma série de volumes que reúne escritos de Sérgio Ferro, arquiteto, pintor e professor da FAU-USP (1962-1971) e da École d’Architecture de Grenoble (1973-2003). Neste primeiro volume está O canteiro e o desenho, seu mais importante e polêmico trabalho. Publicado em 1976, desde então vem provocando todo o establishment da arquitetura. A crítica que faz do projeto como instrumento para a acumulação de capital, por meio da mais degradante condição para o trabalho humano no canteiro de obras, abrange um arco que vai de Brunelleschi a Le Corbusier, mas também traz em seu cerne uma utopia do trabalho livre na construção. Completam esta nova edição dois ensaios do autor sobre os debates suscitados por O canteiro e o desenho, uma apresentação de Pedro Fiori Arantes, além de textos explicativos de Paulo Bicca, Vincent Michel e Pierre Bernard.