Editora 34
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Nastassja Martin

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Nastassja Martin nasceu em Grenoble, na França, em 1986. Estudou antropologia na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, onde se doutorou em 2014, sob a orientação de Philippe Descola, com uma tese sobre os gwich’in do Alasca. Publicada sob o título de Les âmes sauvages (Paris, La Découverte, 2016), a tese recebeu o prêmio Louis Castex da Académie Française. Seu livro seguinte, Escute as feras, publicado originalmente sob o título de Croire aux fauves (Paris, Gallimard, 2019), revisita experiências de 2015, quando Martin realizava pesquisas de campo junto aos even da península de Kamtchátka, na Sibéria. O livro recebeu o prêmio François Sommer de 2020 por sua contribuição à reflexão sobre as relações entre o homem e a natureza. Nastassja Martin é membro do Laboratório de Antropologia Social e desde 2020 participa de um comitê contra a degradação turística em La Grave e no maciço dos Écrins, nos Alpes franceses.
A leste dos sonhos
Respostas even às crises sistêmicas
Tradução de Camila Boldrini
Projeto gráfico de Raul Loureiro

Depois da experiência radical que recolheu em Escute as feras, a antropóloga francesa Nastassja Martin retorna, em A leste dos sonhos, ao Grande Norte e a seu diálogo com os even da península de Kamtchátka. Os “personagens” são os mesmos: Dária, seus filhos e filhas, o pequeno grupo que a seguiu de volta à floresta, que enfrentou a colonização russa da Sibéria e o fim da União Soviética, e agora lida com a pilhagem capitalista do território e a aceleração da mudança climática. Martin põe-se a interrogar as respostas even a essas crises, sendo o retorno ao sonho e ao mito entendidos não como regressão, mas como gesto audaz de captação de um mundo em vertiginosa metamorfose, algo que diz respeito tanto aos even como a cada um de nós.

Escute as feras
Tradução de Camila Boldrini, Daniel Lühmann
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Estudiosa do Grande Norte subártico, a antropóloga francesa Nastassja Martin viaja à Rússia em busca de famílias do povo even que, tomando distância da civilização pós-soviética, preferem voltar a viver no coração das florestas siberianas. A rotina do trabalho de campo vai avançando como quer a disciplina etnográfica, mas algo mais parece estar em gestação, alguma coisa que por fim eclode na forma de um terrível incidente — ou, quem sabe, de um encontro — entre a antropóloga e um urso. É a partir desse acontecimento inesperado e dilacerante que Martin tece a trama de Escute as feras, em que a experiência vivida nutre uma reflexão vertiginosa sobre o humano e o natural, a identidade e a fronteira, o tempo do mito e a história contemporânea.