Letícia Mei
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Letícia Mei é mestra e doutora em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Comparada pela Sorbonne Nouvelle. Traduz literatura francófona, russa, italiana e hispânica. Do francês, verteu obras de Malcom Ferdinand, Violaine Bérot, Joseph Andras, Éric Chacour, Adeline Dieudonné, Kim Thúy, entre outros. Recebeu os prêmios Jabuti, APCA e Boris Schnaiderman pela tradução comentada e análise do poema longo Sobre isto, de Vladímir Maiakóvski, publicado pela Editora 34 em 2018. Atualmente, é pesquisadora com interesse em literatura moderna e contemporânea de escritoras plurilíngues e multiculturais, além de mediadora de eventos literários e professora convidada da FFLCH-USP, da Casa Guilherme de Almeida e da Sala Jaú, em São Paulo.
Entre os Ezechiel, é Antoine quem dá as cartas. Com suas crenças insólitas e seu senso de independência, é a mais indomável de três irmãos. É a ela que recorre sua sobrinha, jovem nascida na periferia de Paris, às voltas com a própria identidade mestiça, para conhecer um pouco mais do passado familiar. Percorrendo cenas de infância em Morne-Galant, na ilha de Guadalupe, passando pela vida em Pointe-à-Pitre e pelo inevitável exílio na metrópole francesa, Antoine recompõe a história de sua família e a do país caribenho nos séculos XX e XXI. Com prosa fluida e intensamente romanesca, mesclando francês clássico a expressões crioulas, Onde o vento faz a curva, premiado romance de estreia da autora franco-guadalupenha Estelle-Sarah Bulle, chega ao Brasil com tradução de Letícia Mei, e esboça um retrato sensível de uma geração de antilhanos que se reinventa na fronteira entre dois mundos.
Exilado em Berlim nos anos 1920 junto com muitos outros artistas e escritores russos, Viktor Chklóvski (1893-1984), um dos principais teóricos do Formalismo Russo, apaixonou-se pela jovem escritora Elsa Triolet e passou a lhe enviar cartas diariamente. Ela aceitou as cartas, impondo uma única condição: que elas não falassem de amor. Zoo, ou Cartas não de amor (1923) é o genial romance epistolar resultante dessa correspondência. Num verdadeiro surto criativo, Chklóvski recorre aos mais variados assuntos e formas literárias para lidar com a proibição, mas, não obstante, a paixão reprimida se insinua a todo momento por entre as linhas desta prosa ágil, divertida e emocionada. Inédito no Brasil, Zoo traz a criteriosa tradução de Vadim Nikitin, que se baseou na última edição revista pelo autor, de 1966, e inclui uma introdução do crítico e tradutor Richard Sheldon e um perfil biográfico de Elsa Triolet.