Samuel Titan Jr.
23 títulos
Samuel Titan Jr. nasceu em Belém, em 1970. Estudou Filosofia na Universidade de São Paulo, onde leciona Teoria Literária e Literatura Comparada desde 2005. Tradutor de diversos títulos da coleção Fábula, também organizou com Davi Arrigucci Jr. uma antologia de Erich Auerbach, Ensaios de literatura ocidental, publicada pela Editora 34 em 2007.
Deus existe? Qual a origem da vida? Como o planeta Terra se formou? Como alcançar, em vida, a suma felicidade? Os homens não são capazes de responder a tais perguntas, tampouco os gatos do passado e muito menos os cachorros, “criaturas condenadas”. Apenas um gato de grande inteligência dedutiva, afinado ao pensamento moderno, saberia decifrar os mistérios do mundo. Publicado em 1858 pelo historiador e crítico literário francês Hippolyte Taine, ilustrado por Gustave Doré, Vida e opiniões filosóficas de um gato oferece ao leitor o mais delicioso e sutil senso de humor, destilado neste breve tratado de filosofia felina.
Crítico de arte inglês conhecido por um sem-número de ensaios e livros como Modos de ver (1972), John Berger (1926-2017) dedicou-se com igual brilhantismo à ficção — seu romance G. mereceu o Booker Prize de 1972. O toldo vermelho de Bolonha, publicado em 2007, faz parte da sequência de livros breves e inclassificáveis que publicou nos últimos anos de vida. Nesta obra luminosa, o autor passeia entre um subúrbio londrino e as arcadas de Bolonha, entre o relato de viagem e o retrato falado de seu tio Edgar — personagem marcante em sua formação, que o ensinou a fugir dos lugares-comuns —, enquanto se permite toda sorte de digressões sobre receitas locais, tecidos de linho, estátuas em terracota, variedades de café ou ainda sobre os vínculos secretos e libertadores entre os grandes sofrimentos e os pequenos prazeres.
O Elogio da mão, de Henri Focillon (1881-1943), é um dos grandes ensaios de reflexão estética e antropológica que o século XX produziu. Publicado em 1939 como apêndice ao livro Vida das formas, sua ousadia não se limita ao brilho da prosa do historiador francês e faz pensar em autores como Warburg, Benjamin e Merleau-Ponty. Ao destronar o olhar da posição de eminência que sempre foi sua no campo da estética, Focillon afirma o primado da mão ativa e criadora no nosso trato com o mundo, pois, para ele, o artista é um “homem antigo”, que em plena era mecânica reencena com suas mãos a descoberta das coisas. A edição conta com mais de trinta reproduções coloridas das obras de arte analisadas pelo autor e um apêndice com as Ilustrações detalhadas dos grandes desenhos de Hokusai, de 1817 — artista-chave, junto com Rembrandt, para o argumento de Elogio da mão.
Ao ler O dia e a noite, Roberto Bolaño não hesitou: os aforismos de Georges Braque formam “um livro precioso”. Pois Braque, protagonista maior da pintura moderna, foi também homem de letras. Redigidos ao longo de décadas e publicados depois da Segunda Guerra Mundial, seus aforismos são fruto de uma lenta decantação verbal de sua experiência — e também de um longo diálogo com grandes poetas como Pierre Reverdy e René Char. Seus pensamentos vão das fórmulas oraculares aos apontamentos sibilinos, sem nunca se deixarem reduzir a um sistema doutrinário: afinal de contas, “o conformismo começa pela definição” e é preciso “ter sempre duas ideias, uma para destruir a outra”. Com texto de orelha de Paulo Pasta, esta edição de O dia e a noite é ilustrada com desenhos e caligrafias do próprio Braque e acompanhada de um ensaio do fotógrafo e escritor Brassaï, “Georges Braque”, inédito em português.
Ensaio fundamental de Alejo Carpentier (1904-1980), um dos maiores escritores de língua espanhola do século XX, A cidade das colunas analisa as particularidades arquitetônicas e urbanísticas de Havana com um olhar envolvente e perspicaz, observando na capital cubana uma luminosa mistura da cultura europeia com a mestiçagem característica dos trópicos, vista aqui como o cerne da experiência antilhana e, por extensão, latino-americana. Publicado originalmente em 1964 com 12 fotografias de Paolo Gasparini, o texto de Carpentier vem acompanhado nesta edição brasileira por 42 belas imagens do fotógrafo ítalo-venezuelano, contraponto gráfico certeiro para este ensaio que tem o andamento de um poema.
Esta nova edição do clássico ensaio de Leo Spitzer (1887-1960), Três poemas sobre o êxtase, publicado originalmente em 1949, se inicia com a reprodução dos poemas de John Donne (“The extasie”), San Juan de la Cruz (“En una noche escura”) e Richard Wagner (“Tristan und Isolde”), em edição bilíngue, nas belas traduções de Augusto de Campos, Carlito Azevedo e Haroldo de Campos, respectivamente. Em seguida, lemos o inspirado estudo de Spitzer, um dos grandes filólogos e críticos literários do século XX, em que ele mostra como poetas muito diversos entre si lançam mão dos recursos de sua língua e de sua tradição para dizer o indizível, ou seja, para “fazer de suas experiências íntimas uma realidade poética para o leitor”.
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Edição bilíngue português/alemão
Jogo da forca reúne parte significativa da produção de Christian Morgenstern (1871-1914), poeta modernista alemão conhecido por seus versos curtos em estilo irônico e absurdo. De autoria de alguns dos principais escritores brasileiros, como Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Sebastião Uchoa Leite, Paulo Mendes Campos e Rubens Rodrigues Torres Filho, as traduções desta coletânea foram publicadas de forma esparsa em jornais, revistas e livros de edição artesanal, e aqui reunidas pela primeira vez após um trabalho de pesquisa de duas décadas levado a cabo pelo organizador Samuel Titan Jr., autor também do posfácio ao volume. A edição, bilíngue alemão-português, conta ainda com um ensaio de Sebastião Uchoa Leite, “No planeta de Morgenstern”, em que ele aborda a obra desse genial autor do início do século XX.