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O rei Lear da estepe

 

Ivan Turguêniev

Tradução de Jéssica Farjado

136 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-65-5525-045-9
2021 - 1a edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Atento ao que havia de mais original na cultura europeia de seu tempo, mas com os afetos e a sensibilidade firmemente ancorados na realidade russa, Ivan Turguêniev (1818-1883), um dos grandes mestres da ficção do século XIX, produziu uma obra que se tornaria modelo para um sem-número de escritores em todo o mundo.
Em O rei Lear da estepe (1870), ele parte da conhecida tragédia de Shakespeare, na qual o soberano, com idade avançada, abre mão de seu reino para legá-lo às filhas, mas ambienta-a na pequena propriedade rural de uma província russa. Para reconstruir a trama da corte inglesa no campo povoado por senhores, servos, agregados e trabalhadores pobres, Turguêniev lançou mão, com extrema habilidade, de suas próprias experiências de juventude, retomando o que havia feito em Memórias de um caçador (1852).
O resultado é uma obra com vida própria, repleta de enigmas e sutilezas que, cento e cinquenta anos após a sua primeira publicação, ainda desafiam a interpretação e mantêm o leitor intrigado da primeira à última página. Trazendo a primeira tradução direta da novela no Brasil, o volume inclui ainda o “Discurso sobre Shakespeare” de Turguêniev, proferido no tricentenário do dramaturgo inglês, e um posfácio da tradutora Jéssica Farjado.


Sobre o autor
Ivan Turguêniev nasceu em 1818, em Oriol, na Rússia. De família aristocrática, viveu até os nove anos na propriedade dos pais, Spásskoie, e em seguida estudou em Moscou e São Petersburgo. Em 1838, mudou-se para Berlim, onde frequentou cursos de filosofia, letras clássicas e história. Em 1843, conheceu o grande crítico literário Bielínski. Influenciado por suas ideias, Turguêniev começou então a publicar contos inspirados pela estética da Escola Natural, depois reunidos em Memórias de um caçador (1852), coletânea que obteve enorme sucesso na Rússia e na Europa. Na época, conheceu a cantora de ópera Pauline Viardot, casada com o diretor de teatro Louis Viardot; mais tarde, mudou-se para a casa dos Viardot em Paris. Durante sua permanência na França, tornou-se amigo de escritores como Flaubert e Zola. Nos anos 1850 escreveu diversas obras em prosa, entre elas Diário de um homem supérfluo (1850), Ássia (1858) e Ninho de fidalgos (1859). Lançou seu primeiro romance, Rúdin, em 1856. Em 1860 escreveu a novela Primeiro amor e, dois anos depois, publicou Pais e filhos (1862), romance considerado hoje um dos clássicos da literatura mundial. Abalado pela polêmica que a obra suscitou na Rússia — acusada de incitar o niilismo —, o autor se estabeleceu definitivamente na França. Consagrado como um dos maiores escritores russos, ao lado de Dostoiévski e Tolstói, e autor de vasta obra que inclui teatro, poesia, contos e romances, Ivan Turguêniev faleceu na cidade de Bougival, próxima a Paris, em 1883.


Sobre a tradutora
Jéssica de Souza Farjado nasceu em São Paulo, em 1989. Formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, com bacharelado em Português e Russo. É mestre e doutora na área de Literatura e Cultura Russa pela mesma instituição, tendo defendido a dissertação “O rei Lear da estepe, de Ivan Turguêniev: uma tragédia russa” (2016) e a tese “A representação dos tipos ‘homem supérfluo’ e ‘raznotchínets’ na novela Púnin e Babúrin, de Ivan Turguêniev” (2020), ambas sob a orientação de Fátima Bianchi. Vive e trabalha em São Paulo, onde atua no ramo editorial.


Veja também
Diário de um homem supérfluo
Memórias de um caçador
Rúdin

 


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