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Diário de bordo

 

Blaise Cendrars

Tradução de Samuel Titan Jr.
Projeto gráfico de Raul Loureiro

Edição bilíngue


208 p. - 15 x 22,5 cm
ISBN 978-65-5525-100-5
2022 - 1ª edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Em 6 de fevereiro de 1924, ao desembarcar do vapor Le Formose no porto de Santos, Blaise Cendrars começava uma aventura que transformaria a fundo o curso de sua vida. Fazia já algum tempo que o poeta franco-suíço, autor de textos célebres como A prosa do Transiberiano, de 1913, buscava tomar alguma distância dos círculos da vanguarda parisiense. O convite de Oswald de Andrade e Paulo Prado vinha bem a calhar: depois de suas trágicas experiências durante a Primeira Guerra Mundial e da frustração de seus planos cinematográficos, Cendrars não podia senão acolher de bom grado a oportunidade de passar seis meses ao sol dos trópicos. O que acontece nos seis meses seguintes merece ser chamado de prodigioso. Praticando de caso pensado certa inocência e certa ignorância programáticas diante do país que mais tarde chamaria de sua “segunda pátria espi¬ritual”, Cendrars observa, pergunta, anota — e verte o que vê e aprende em breves anotações poéticas, escritas num estilo que flerta com a concisão moderna do telegrama e com a prosa dos relatos de viagem ao Novo Mundo. Nascia assim este Diário de bordo, que o autor começaria a publicar ainda em 1924, de volta a Paris. Pujante e solar, de um lirismo despojado e curioso diante do mundo ao redor, Diário de bordo não tinha como não marcar a geração de poetas modernistas brasileiros que Cendrars conheceu e à qual dedicou sua última grande empresa poética. Esta nova tradução, publicada no centenário da Semana de Arte Moderna, recolhe a totalidade dos poemas vinculados a Diário de bordo e inclui diversos textos dispersos e inéditos.


Sobre o autor
Blaise Cendrars, pseudônimo de Frédéric Louis Sauser, nasceu em 1887 em La Chaux-de-Fonds, na Suíça. Em 1904, aos 17 anos, viajou à Rússia e viveu até 1907 em São Petersburgo. Em 1911 rumou a Nova York para reencontrar a estudante polonesa Féla Poznánska, com quem se casaria e teria dois filhos e uma filha. Ali escreveu Les Pâques à New York, obra que inaugurou sua breve e fulgurante carreira como poeta. De volta a Paris em 1912, Cendrars publicou Pâques, seguido em 1913 por um outro poema longo, Prose du Transsibérien et de la petite Jeanne de France, ilustrado por Sonia Delaunay. Quando da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Cendrars alistou se na Legião Estrangeira e distinguiu-se em combate; em 1915, contudo, foi gravemente ferido e teve o braço direito amputado acima do cotovelo. Desmobilizado e naturalizado francês, publicou Dix-neuf poèmes élastiques e La Fin du monde filmée par l’Ange N.-D. (ambos de 1919), compilou uma antologia de contos populares africanos (Anthologie nègre, 1921) e escreveu o libreto de La Création du monde, montado em 1923 pelos Ballets Suédois com música de Milhaud e cenários e figurinos de Léger. Em janeiro de 1924 partiu rumo ao Brasil, onde ficaria até agosto do mesmo ano, em intenso convívio com os modernistas locais, como Paulo Prado, Tarsila e Oswald de Andrade. De volta a Paris publicou, ainda em 1924, Feuilles de route — I. Le Formose. Passa a se dedicar à prosa, lançando os romances de aventura L’Or (1925), Moravagine (1926) e Dan Yack (1929), e depois ao jornalismo, que praticou até o início da Segunda Guerra Mundial, quando se engajou como correspondente junto ao exército inglês. Com a derrota francesa, se retirou para Aix-en-Provence. Após um período de silêncio, por volta de 1943 volta a produzir: em 1944, seus Poemas completos saem pela Denoël, e no ano seguinte inicia a publicação de suas memórias: L’Homme foudroyé (1945), La Main coupée (1946), Bourlinguer (1948) e Le Lotissement du ciel (1949). Em 1950 voltou a se instalar em Paris para trabalhar em sua última obra, o romance Emmène-moi au bout du monde! , publicado em 1956. Com sérios problemas de saúde, em 1959 é condecorado com a Legião de Honra e casa-se com a sua musa de longos anos, a atriz Raymone Duchâteau. Faleceu em Paris, em 1961.


Sobre o tradutor
Samuel Titan Jr. nasceu em Belém, em 1970. Estudou filosofia na Universidade de São Paulo, onde leciona Teoria Literária e Literatura Comparada desde 2005. Editor e tradutor, organizou com Davi Arrigucci Jr. uma antologia de Erich Auerbach (Ensaios de literatura ocidental) e assinou versões para o português de autores como Adolfo Bioy Casares (A invenção de Morel), Gustave Flaubert (Três contos, em colaboração com Milton Hatoum), Jean Giono (O homem que plantava árvores, em colaboração com Cecília Ciscato), Voltaire (Cândido ou o otimismo), Prosper Mérimée (Carmen), Charles Baudelaire (O spleen de Paris), Eliot Weinberger (As estrelas) e José Revueltas (A gaiola).








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