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Teatro completo VI

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Teatro completo VI

As Bacas, Ifigênia em Áulida, Reso

Eurípides

Tradução de Jaa Torrano

Edição bilíngue

Coleção Clássicos

480 p. — 16 x 23 cm
ISBN 978-65-5525-290-3
2026 — 1ª edição

As peças As Bacas, Ifigênia em Áulida e Reso compõem o sexto e último volume do Teatro completo de Eurípides, integralmente traduzido por Jaa Torrano, poeta e professor titular de Língua e Literatura Grega na Universidade de São Paulo, o que confere ao conjunto altíssima coesão e coerência estilística. Na primeira delas, o conflito se instala quando o rei de Tebas, Penteu, se recusa a aceitar a divindade de Dioniso. Este dá ao rei e aos que o cercam várias oportunidades para o reconhecerem como um Deus, mas, após se deixar prender, acaba levando a cabo sua vingança-punição, a qual culmina, em cenas de força incomum, num final terrível para Penteu e sua família.

O mesmo jogo de incompreensões e múltiplas perspectivas que move o enredo de As Bacas está presente em Ifigênia em Áulida, particularmente nos enfrentamentos entre Agamêmnon — dividido entre o dever de sacrificar a filha para, conforme a previsão do oráculo, conduzir seu exército contra Troia — e sua esposa Clitemnestra, impossibilitada de atinar com o real sentido de suas palavras.

Já em Reso, tragédia desde a Antiguidade atribuída a Eurípides, a ação se passa na planície que se estende das muralhas de Troia até o acampamento dos aqueus à beira-mar e retoma, de certo modo, um episódio célebre da Ilíada: a incursão que Odisseu e Diomedes fazem, como espiões, às tendas troianas, protegidos pelo manto da noite. Aqui também uma série de duplicidades e deslocamentos, com a intervenção de Atena, geram funestas consequências para Heitor e seu aliado, o rei trácio Reso.

Além de um ensaio para cada peça e uma bibliografia geral da coleção, este volume conta com um glossário mitológico e índice remissivo para o Teatro completo de Eurípides, por meio do qual o leitor pode localizar com precisão o verso exato em que determinado deus, mito, topônimo ou personagem é citado por Eurípides.


Eurípides, Teatro completo, estudos e traduções de Jaa Torrano:

Vol. I: O Ciclope, Alceste, Medeia (2022)

Vol. II: Os Heraclidas, Hipólito, Andrômaca, Hécuba (2022)

Vol. III: As Suplicantes, Electra, Héracles (2023)

Vol. IV: As Troianas, Ifigênia em Táurida, Íon (2024)

Vol. V: Helena, As Fenícias, Orestes (2026)

Vol. VI: As Bacas, Ifigênia em Áulida, Reso (2026)


Texto orelha

Eurípides, ao lado de Ésquilo e Sófocles, é considerado um dos três grandes dramaturgos gregos. A Editora 34 dá conclusão à edição bilíngue do Teatro completo de Eurípides, com estudos e traduções de Jaa Torrano, reunindo neste sexto e último volume as tragédias As Bacas e Ifigênia em Áulida, compostas nos últimos anos de vida do poeta e encenadas postumamente em Atenas, em 405 a.C., e Reso, de autoria e datação incertas, transmitida desde a Antiguidade sob seu nome.

Considerada o mais precioso documento literário do culto dionisíaco que a Antiguidade nos legou, a tragédia As Bacas encena a chegada do Deus Dioniso e seu séquito de Bacas a Tebas, sua terra natal, para instituir seu culto, exigindo, assim, de Penteu, o rei da cidade e seu primo, o reconhecimento de sua filiação a Zeus — ou seja, de sua divindade. Obstinado em sua recusa, Penteu tenta reprimir pela força o culto báquico, chegando a aprisionar o próprio Dioniso. Ao longo da peça, o Deus se revela aos homens numa sucessão de prodígios em que se mostra o mais benevolente e, afinal, o mais terrível. Nessa passagem de um extremo a outro, a tragédia configura a Justiça de Dioniso, que premia quem o reconhece com beatífica loucura, mas pune com terrível loucura a teimosia de quem o nega.

Ifigênia em Áulida tem início com a frota grega retida pela falta de ventos favoráveis à partida rumo a Troia. O adivinho Calcas vaticina que somente o sacrifício de Ifigênia, filha de Agamêmnon, pode aplacar a ira da Deusa Ártemis e tornar possíveis a viagem a Troia e sua conquista. Agamêmnon manda então chamá-la a Áulida sob o pretexto de um casamento com Aquiles — que, ao saber-se usado à sua revelia, se põe a defendê-la —, mas Agamêmnon reluta em tomar a decisão de sacrificá-la. Nesse impasse entre a exigência da Deusa, o vaticínio de Calcas, a honra ferida de Aquiles e o cálculo político que pesa sobre o comandante grego, a tragédia mostra como uma só justiça se refrata de modo distinto — sob o ponto de vista divino, numinoso, heroico e humano — em cada um dos que a reivindicam.

Ambientada numa única noite do longo cerco a Troia, a tragédia Reso tem início com os troianos planejando um ataque surpresa ao acampamento grego, quando chega o rei trácio que dá nome à peça, aliado tardio que promete decidir já no dia seguinte a guerra a favor de Troia. Nesse ínterim, os gregos Odisseu e Diomedes penetram furtivamente no acampamento troiano em missão de espionagem, favorecidos pela Deusa Atena, e matam Reso. A Deusa Musa, mãe de Reso, cobra justiça de sua morte a Odisseu, mas nada reclama de Atena, reconhecida como a primeira causa dessa morte, consolando-se com a lógica da justiça de Zeus e com nem mesmo Atena poder um dia salvar da morte o seu predileto Aquiles.

Os estudos e traduções de Jaa Torrano, reunidos ao longo destes seis volumes, sustentam com coerência a noção mítica de justiça como fio condutor de toda a obra euripidiana e revelam, peça a peça, a unidade profunda de uma visão de mundo. Fecha este sexto volume um glossário mitológico e índice remissivo de todo o teatro de Eurípides, para a consulta e o estudo do conjunto da obra. Completa-se, assim, a tradução integral do teatro de Eurípides por um único tradutor — empreendimento sem precedentes em língua portuguesa.

 Beatriz de Paoli

Departamento de Letras Clássicas da UFRJ


Sobre o autor

Eurípides nasceu por volta de 480 a.C. na ilha de Salamina, filho de Mnesarco, um proprietário de terras. Junto com Ésquilo e Sófocles foi um dos três grandes autores da tragédia clássica grega. Sua estreia num concurso teatral ocorreu em 455 a.C., ano da morte de Ésquilo. Das 93 peças que lhe são atribuídas, chegaram até nós dezenove, oito das quais datadas com precisão: Alceste (438 a.C.), Medeia (431 a.C.), Hipólito (428 a.C.), As Troianas (415 a.C.), Helena (412 a.C.), Orestes (408 a.C.), Ifigênia em Áulis e As Bacantes (405 a.C.). Três delas foram representadas postumamente em Atenas: Ifigênia em Áulis, Alcméon em Corinto e As Bacantes. Morreu em 406 a.C., na Macedônia, para onde teria se transferido a convite do rei Arquelau.


Sobre o tradutor

José Antonio Alves Torrano (Jaa Torrano) nasceu em Olímpia, SP, em 1949. Após morar em Orindiúva e Catanduva, mudou-se para São Paulo em 1970, onde lecionou português e filosofia em curso supletivo, fez a graduação em Letras Clássicas (Português, Latim e Grego) na Universidade de São Paulo entre 1971 e 1974, e tornou-se auxiliar de ensino de Língua e Literatura Grega na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 1975. No Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas desta universidade defendeu o mestrado em 1980, o doutorado em 1987 e a livre-docência em 2001. É autor de livros de poesia e de ensaios, e publicou traduções de Hesíodo, Platão, Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Desde 2006 é professor titular de Língua e Literatura Grega na Universidade de São Paulo.