Editora 34

Ideologia da cultura brasileira (1933-1974)

Pontos de partida para uma revisão histórica

Carlos Guilherme Mota
Prefácio de Alfredo Bosi
424 p. — 16 x 23 cm
ISBN 978-85-7326-405-0
"Obra já clássica." "Livro do contra." Foi assim que Florestan Fernandes e Antonio Candido, respectivamente, se referiram a este Ideologia da cultura brasileira, após seu lançamento em meados dos anos 70, em plena ditadura militar. Considerando a polêmica e a admiração que o livro suscitou - dentro e fora dos meios acadêmicos -, pode-se dizer que ambos estavam certos: Carlos Guilherme Mota escreveu um autêntico "clássico do contra".
        Sem pretender-se um estudo exaustivo da história das ideias brasileiras no largo período recortado (1933-1974), este ensaio expõe os fundamentos ideológicos em que se apoia boa parte das interpretações do Brasil, identificando como um de seus alicerces a visão senhorial da sociedade, que celebra a conciliação, a "cordialidade" e o caráter pretensamente incruento de nossa história.
        Enquanto desvela o ideário conservador, à direita e à esquerda, o autor analisa as vertentes de constituição de um pensamento verdadeiramente crítico, partindo de Mário de Andrade e Caio Prado Jr. até chegar a textos exemplares de Florestan Fernandes, Antonio Candido, Raymundo Faoro, Ferreira Gullar e Roberto Schwarz, entre outros. Assim, oferece ao mesmo tempo uma excelente introdução à história do pensamento brasileiro no século XX e uma visão contundente das ideologias que encobrem as lutas sociais e têm contribuído para perpetuar as enormes desigualdades do país.
        A presente edição inclui uma nova e alentada apresentação - além de um caderno fotográfico ampliado e uma breve fortuna crítica - na qual o autor comenta a recepção da obra, o momento cultural e político na época de seu lançamento, e passa em revista os desdobramentos da "cultura brasileira" nos últimos trinta anos.

Sobre o autor
O historiador Carlos Guilherme Mota nasceu em São Paulo, em 1941, e é professor titular de História Contemporânea da FFLCH-USP e de História da Cultura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi professor colaborador na pós-graduação da Escola de Direito da FGV-SP, fundador e primeiro diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP (1986-1988), e diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (2014). Em 2009 recebeu o título de Professor Emérito da Universidade de São Paulo, e em 2011 ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.

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