Morre Aracy A. Amaral (1930-2026), referência da história da arte no Brasil
A Editora 34 lamenta a morte de Aracy A. Amaral, uma das maiores pesquisadoras das artes no Brasil, responsável por obras fundamentais sobre o modernismo brasileiro, pela renovação de grandes museus e pela curadoria de dezenas de exposições em seus mais de 60 anos de carreira.
Nascida em 1930, em São Paulo, Aracy foi professora-titular de História da Arte pela FAU-USP, onde obteve o seu mestrado, em 1969, com uma tese que se tornaria referência obrigatória nos estudos da história da arte: Artes plásticas na Semana de 22. Publicou ao longo da década de 70 outros títulos indispensáveis, como Tarsila do Amaral: sua obra e seu tempo, um ensaio crítico que repassou o percurso biográfico da artista ainda em vida, realizada a partir de depoimentos e consulta a centenas de fontes no Brasil e no exterior. O livro foi resultado da sua pesquisa de doutorado; o primeiro levantamento sistemático da obra de Tarsila.
Assumiu a direção dos museus Pinacoteca de São Paulo (1975-1979) e MAC-USP (1982-1985), desempenhando uma gestão renovadora; ampliando os seus acervos, as suas relações globais e a visibilidade destas instituições para visitantes e pesquisadores do mundo todo.
Foi curadora de mais de 50 exposições de artistas como Tarsila do Amaral, Ismael Nery, Alfredo Volpi, Mário de Andrade e tantos outros. Recebeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo em 2013 e teve uma exposição dedicada à sua obra no Itaú Cultural, em 2017.
A Editora 34 publicou a edição ampliada de Artes plásticas e a Semana de 22, Tarsila: sua obra e seu tempo, Blaise Cendrars no Brasil e os modernistas e coletâneas de artigos como Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer, e os três volumes de Textos do Trópico de Capricórnio: Artigos e ensaios (1980-2005).