Editora 34
Áreas de Interesse

Filosofia, Estética e Ciência

25 títulos

Em Republicanas: Atenas, Roma, Florença e a atualidade do republicanismo, Sérgio Cardoso, professor sênior do Departamento de Filosofia da USP, apresenta de forma clara e sintética a história dos conceitos de “república” e “democracia”, elucidando o ideário que os cerca. Do entendimento distinto de Platão e Aristóteles, passando pelas contribuições originais de Políbio e de Cícero em Roma, detendo-se no Renascimento — particularmente em Maquiavel, de cuja obra o autor é um de nossos mais finos intérpretes — e abrindo-se para a Modernidade, Republicanas desemboca, em seus capítulos finais, no debate fundamental acerca dos sentidos da república e da democracia na atualidade e seu potencial libertário, sem deixar de interrogar um velho conhecido das arenas latino-americanas, o populismo, que hoje ressurge em escala mundial.

Espécies de espaços
Tradução de Daniel Lühmann
Posfácio de Jean-Luc Joly

Considerado por Italo Calvino “uma das personalidades literárias mais significativas do mundo”, Georges Perec é o autor de As coisas (1965), O sumiço (1969) e A vida modo de usar (1974), livros que conquistaram o meio literário francês por seu experimentalismo e radicalidade. Também inclassificável, Espécies de espaços (1974), inédito no Brasil, se situa na fronteira entre o ensaio, o poema e a arte conceitual. Mobilizando conceitos de arquitetura, artes visuais, poesia, cinema, antropologia e geografia, o livro interroga as diversas camadas que informam nossos hábitos e percepções, discorrendo sobre temas como a página, a cama, o quarto, o prédio, a rua, o bairro e a cidade. O presente volume traz um posfácio do pesquisador Jean-Luc Joly e um conjunto de fac-símiles inéditos de Perec que proporciona verdadeiros insights sobre o processo criativo do autor.

As palavras e os danos:
diálogo sobre a política da linguagem
Tradução de Lílian do Valle
Coedição com a SOFIE (Sociedade Brasileira de Filosofia da Educação)

Em As palavras e os danos, Jacques Rancière, um dos grandes intelectuais franceses da atualidade, discorre de forma clara e precisa sobre temas-chave de sua obra. Em diálogo com Javier Bassas, professor da Universidade de Barcelona, Rancière apresenta considerações sobre o ativismo, a transmissão, as relações entre arte e política e entre palavra e imagem, que apontam o potencial emancipador de atividades que, ao exporem o dano, produzem a reconfiguração da experiência comum do sensível. Cabe destacar ainda o ineditismo da forma como Bassas leva Rancière a falar de seu próprio modo de escrita, revelando a profunda coerência deste filósofo que, unindo o pensamento à prática, não cessou de construir condições de igualdade com seus leitores.

A fratura brasileira do mundo
Visões do laboratório brasileiro da mundialização
Posfácio de Marildo Menegat
Ensaio já clássico, escrito no início do século XXI, A fratura brasileira do mundo ganha agora uma edição própria — com um posfácio inédito de Marildo Menegat — e está mais atual do que nunca. Para Paulo Arantes, o Brasil como “país do futuro”, que criaria uma civilização moderna com características próprias, foi uma enorme ilusão. E mais: o autor sonda aqui um conjunto de estudos que, nos Estados Unidos e na Europa, passaram a se referir à brasilianização dos países centrais. Assim, no processo de globalização, o Brasil se tornou, involuntariamente, um “país do futuro” em chave negativa, um laboratório do que pode acontecer a todas as sociedades em que, dia após dia, cresce o abismo entre os ricos e a massa sem perspectiva de emprego.
A República de chinelos
Bolsonaro e o desmonte da representação
Posfácio de Newton Bignotto
Um presidente que se deixa fotografar de chinelos em pleno exercício do cargo no Palácio da Alvorada. Um mandatário que se comunica com a esfera pública por meio de vídeos e mensagens de celular em linguagem chula. O que poderia à primeira vista ser interpretado como meras transgressões ou excentricidades revela-se um modus operandi que atinge diretamente o nervo das sociedades democráticas. Em A República de chinelos, Luciana Villas Bôas, professora da UFRJ com doutorado pela Columbia University, faz uma leitura inovadora sobre os mecanismos simbólicos da representação política e de seu papel-chave para o Estado de Direito.
Maquiavelianas
Lições de política republicana
Prefácio de Newton Bignotto
Em Maquiavelianas: lições de política republicana, Sérgio Cardoso, professor livre-docente do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, recupera a surpreendente atualidade das ideias de Nicolau Maquiavel (1469-1527). Estruturado em três partes, o volume se debruça inicialmente sobre as rupturas operadas pelo secretário florentino no entendimento da tradição política em seu tempo, numa chave de leitura em que a aspiração popular por liberdade constituiria o esteio das instituições republicanas. Num segundo momento, sem deixar de lado O Príncipe, o autor concentra suas análises em duas obras menos estudadas de Maquiavel: os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio e as Histórias florentinas, com seus entrelaçamentos entre história e política. Por fim, o volume é arrematado, na terceira parte, com um ensaio que relaciona Maquiavel e Montaigne, autores que inauguram a modernidade do pensamento republicano.
Cascas
Tradução de André Telles
Inclui entrevista do autor a Ilana Feldman
Obra singular no percurso de Georges Didi-Huberman, Cascas é o relato de uma visita do autor ao museu de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, em junho de 2011 - do qual retorna com algumas cascas de bétulas e um punhado de fotografias. A partir desses registros, o filósofo inicia uma fina interrogação sobre a memória do Holocausto e o potencial subversivo das imagens. O resultado é uma reflexão ao mesmo tempo pessoal e coletiva, lírica e intelectual, que tem como complemento, neste volume, a entrevista inédita concedida a Ilana Feldman, "Alguns pedaços de película, alguns gestos políticos".
Outras naturezas, outras culturas
Tradução de Cecília Ciscato
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Nesta breve conferência, o eminente antropólogo francês Philippe Descola parte da observação de outros povos - como os índios da Amazônia, os aborígines australianos e as tribos do Grande Norte canadense - para questionar a suposta universalidade dos conceitos de "natureza" e "cultura". Ao mesmo tempo que dá uma verdadeira aula sobre etnografia, etnologia e antropologia, o autor nos convida a refletir sobre a condição humana e os limites de nosso próprio modo de vida na Terra.
Cogitamus
Seis cartas sobre as humanidades científicas
Tradução de Jamille Pinheiro Dias
Escrito sob a forma de seis cartas endereçadas a uma aluna, este livro de Bruno Latour - um dos mais brilhantes pensadores contemporâneos, vencedor do Holberg Prize, o Nobel das Ciências Humanas - discute o papel da ciência no mundo de hoje, propondo sua revinculação com a política e a sociedade, e a substituição do cogito, ergo sum de Descartes pelo plural e coletivo cogitamos.
Combinando ensaio com fragmentos de texto, o psicanalista e ensaísta Tales Ab'Sáber criou um livro extremamente original, um espaço que acolhe, segundo o autor, "reflexões de muitas medidas, entre o pensamento mais trabalhado sobre a cultura brasileira e suas raízes e o choque da experiência imediata". Em suas páginas convivem um estudo inédito sobre a influência do cronista José de Alencar sobre o Brás Cubas de Machado de Assis, análises da obra de Caetano Veloso e aforismos e questionamentos marcados pelas manifestações de junho de 2013.
A forma e o sentimento do mundo
Jogo, humor e arte de viver na filosofia do século XVIII
Com uma prosa ensaística fluente e rigorosa erudição, Márcio Suzuki, professor da Universidade de São Paulo, analisa neste livro como a filosofia do século XVIII tratou daquilo que os antigos chamaram de "arte de viver": as formas como nos relacionamos com as atividades não produtivas, lúdicas, sem utilidade imediata. Nesse mergulho nas ideias prefiguradas por Montaigne e Pascal e desenvolvidas por pensadores britânicos como Francis Hutcheson e Adam Smith - que trataram do valor do trabalho, mas também do valor do tempo livre, unindo cálculo e sentimento - Suzuki busca iluminar os caminhos que levarão ao pensamento moderno de David Hume e Kant. Como afirma Marilena Chaui, trata-se aqui "de uma outra maneira de escrever história da filosofia".
Este conjunto de ensaios de Jeanne Maria Gagnebin, ao mapear o diálogo crítico travado por Walter Benjamin com seus colegas da Escola de Frankfurt, e com autores de sua predileção como Baudelaire, Proust, Kafka e Brecht, revela de que modo configurou-se a singular ótica materialista de Benjamin - um pensamento que explora as rupturas no tecido da história para inspirar uma outra experiência de modernidade.