Publicado pela primeira vez no Brasil, Mitologia dos índios Chulupi é fruto de um trabalho de campo realizado por Pierre Clastres no Chaco paraguaio em 1966, durante o qual registrou um precioso conjunto de 73 mitos. Com a morte do autor, hoje considerado um dos maiores nomes da antropologia moderna, esta pesquisa permaneceu inédita até sua publicação na França por Michel Cartry e Hélène Clastres. Além dos mitos, o livro reúne uma descrição geográfica do Gran Chaco, de inegável valor documental e literário, documentos etnográficos produzidos em campo, narrativas de guerra dos Chulupi e uma belíssima homenagem a Alfred Métraux, precursor de Clastres na antropologia ameríndia. O volume inclui ainda um posfácio de Beatriz Perrone-Moisés, escrito especialmente para esta edição.
Este novo livro do antropólogo francês Michel Agier, professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris, que se radicou na Bahia por muitos anos, investiga as cinco décadas de história do Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro de Salvador, criado em 1974: um verdadeiro movimento cultural e social que seria responsável não só pela reinvenção do carnaval da Bahia, mas por lançar um novo olhar sobre as relações raciais no Brasil. Enriquecido pelas fotografias de Milton Guran e pelo posfácio de Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, o resultado é um estudo vivíssimo, que discute não apenas a cultura afro-baiana, mas também o devir de outras culturas diaspóricas ao redor do globo.
Um dos nomes centrais das ciências humanas no século XX, o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009) reservou uma surpresa póstu¬ma para seus leitores. Publicado em 2013 na França, Somos todos canibais reúne dezesseis artigos originalmente redigidos para o jornal italiano La Repubblica entre 1989 e 2000, precedidos do ensaio “O suplício do Papai Noel”, de 1952. Escrevendo sobre temas variados com vasta erudição, da doença da vaca louca aos quinhentos anos da “descoberta” da América pelos europeus, Lévi-Strauss nos conduz sempre ao coração de cada fenômeno humano e cultu¬ral, tornando este livro uma introdução brilhante ao estruturalismo como método para se questionar o lugar-comum e as verdades estabelecidas.
Este é o primeiro livro de Pierre Clastres (1934-1977), autor de A sociedade contra o Estado, obra que revolucionou os estudos de antropologia ao tomar a perspectiva indígena como foco para se constituir uma nova filosofia política. Lançado em 1972, traz o resultado de sua vivência de quase um ano junto à tribo dos Aché Gatu no Paraguai, misteriosos índios caçadores e nômades que habitavam as florestas a oeste do rio Paraná, desconheciam a agricultura, eram adversários dos Guarani e, dizia-se, poderiam ser canibais. Estudo profundo e afetuoso dos costumes e da visão de mundo desse povo, Crônica dos índios Guayaki tem uma tal qualidade literária que levou o escritor Paul Auster, tradutor do volume para o inglês, a registrar: “É impossível não gostar deste livro”.
Reunindo treze narrativas míticas dos Marubo, povo que habita a região do Alto Rio Ituí, no Amazonas, próximo à fronteira com o Peru, Quando a Terra deixou de falar introduz o leitor brasileiro na rica poética desses índios e suas formas extremamente originais de pensamento. Registradas a partir dos cantos dos pajés Armando Mariano, Antonio Brasil, Paulino Joaquim, Lauro Brasil e Robson Dionísio Doles Marubo, as narrativas - aqui apresentadas em edição bilíngue, com comentários e notas - foram traduzidas com rigor e inventividade por Pedro Cesarino, constituindo "um trabalho de primeira grandeza", segundo Manuela Carneiro da Cunha, dentro de nossa antropologia e literatura.
Escrito sob o influxo de Maio de 1968, este livro revolucionário reúne conceitos de filosofia, literatura, antropologia, arte, economia, ciência e política para traçar, na contramão das concepções freudianas, novos rumos para as forças produtivas do inconsciente. Agora em nova e rigorosa tradução, assinada por Luiz Orlandi, autor também das valiosas notas que acompanham a edição, a obra seminal de Deleuze e Guattari finalmente chega ao leitor brasileiro em toda a sua potência.aolp
Referência indispensável nos estudos culturais contemporâneos, Gilroy tenta definir a modernidade a partir do conceito de diáspora negra, que constituiu uma cultura (ou contracultura) específica a desafiar simplificações étnicas ou nacionalistas.
"Um dos livros mais importantes da atualidade sobre identidade e cultura negras." (Patricia Pinho, Novos Estudos)
Sequência às teses de O anti-Édipo, contendo todos os componentes de um tratado de filosofia clássica - ontologia, física, lógica, psicologia, moral, política e estética.