Ciências sociais
53 títulos
Aisthesis: cenas do regime estético da arte
Tradução de Dilson Ferreira da Cruz
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Publicado originalmente em 2012, Aisthesis é provavelmente a suma da reflexão estética de Jacques Rancière, um dos mais destacados filósofos franceses, sobre a emergência moderna da noção de arte entre os séculos XVIII e XX. Inspirado no livro Mimesis, de Auerbach, e tomando como ponto de partida as mais variadas obras de arte e peças da crítica — como um trecho da Estética de Hegel, um artigo de jornal sobre uma trupe de acrobatas ingleses em Paris, o romance O vermelho e o negro, a performance de uma bailarina americana, os estudos de Rodin, as fotografias de Stieglitz, os filmes de Chaplin ou Dziga Viértov —, Rancière esboçou aqui uma verdadeira contra-história da arte moderna, em oposição aos dogmas que propugnam a autonomia total da criação artística.
Autor mais citado do país nos estudos sobre relações de raça, classe e cor, e defensor de primeira hora das ações afirmativas e das cotas raciais, Antonio Sérgio Alfredo Guimarães reviu e reuniu aqui seus textos mais emblemáticos, alguns deles considerados já clássicos, sobre a constituição da intelectualidade e da consciência negras no Brasil do século XX. Estes ensaios, que incluem uma revisão do recente “A democracia racial revisitada”, foram articulados sob o conceito de “formação racial”, ou seja, o processo de ressignificação política que diferentes grupos fizeram do termo racista original, “negro”, como modo de identidade política para reorganizar a revolta, a luta pela igualdade e a construção de um novo imaginário coletivo — uma nova cultura, antirracista, descolonial e autêntica, que busca firmar um novo humanismo.
Bresser-Pereira: rupturas do pensamento
(uma autobiografia em entrevistas)
Luiz Carlos Bresser-Pereira é um dos nossos mais renomados economistas, tendo desenvolvido sua carreira na universidade, como professor emérito da FGV-SP; na iniciativa privada, como braço direito de Abílio Diniz na construção do grupo Pão de Açúcar; na administração pública, como presidente do Banespa no governo Montoro, ministro da Fazenda no governo Sarney e ministro da Administração Federal e Reforma do Estado no governo FHC; e na sociedade civil, hoje integrando a Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos. Toda essa rica trajetória — com revelações inéditas sobre os acontecimentos que testemunhou — constitui o cerne dessas entrevistas realizadas por João Villaverde e José Marcio Rego entre 2017 e 2020. Compondo passo a passo a sua “autobiografia intelectual e política”, segundo o próprio Bresser-Pereira, essas conversas são um registro amplo das ideias desse que é, como assinala Luiz Felipe de Alencastro, “um dos mais destacados pensadores e estadistas brasileiros”.
Ocupar e resistir
Movimentos de ocupação de escolas pelo Brasil (2015-2016)
Organização de Jonas Medeiros, Adriano Januário, Rúrion Melo
Apresentação de Marcos Nobre
Esta coletânea, organizada por pesquisadores do CEBRAP, reúne treze ensaios, de autores de diversas áreas, sobre o movimento dos estudantes secundaristas que ocuparam centenas de escolas brasileiras, entre 2015 e 2016, em protesto contra a precarização do ensino e em defesa de uma educação pública de qualidade. As ocupações surpreenderam as autoridades e a opinião pública pela organização exemplar dos alunos, tanto na gestão das escolas quanto nas suas estratégias de ação, recusando qualquer subordinação a partidos políticos. Extremamente jovens, esses meninos e meninas constituíram assim um dos movimentos sociais mais interessantes da atualidade, inspirando novas formas de fazer política no Brasil.
Em Trabalho e vadiagem, Lúcio Kowarick estuda a formação do mercado de trabalho livre no Brasil, da época da escravidão até o início do século XX. Buscando captar no curso da história brasileira a origem da marginalização de vastos contingentes de nossa população, o livro é de uma surpreendente atualidade, levando-nos a detectar no tratamento da mão de obra de hoje as mesmas situações encontradas no passado. Lançado originalmente em 1987, este ensaio, que se tornou um pequeno clássico da sociologia brasileira, é agora acrescido de imagens e de um capítulo inédito, em que se analisa o modo e condição de vida dos chamados "livres despossuídos".
Na breve conferência Como se revoltar?, Patrick Boucheron aborda o tema da insurgência social de um ponto de vista inesperado: o da época medieval. Mais do que uma idade das trevas, de crença cega e opressão brutal, o período é também pródigo de figuras irreverentes e rebeldes, como Robin Hood e Ivanhoé, e de revoltas religiosas e insurreições camponesas. Recontando alguns desses fatos, o historiador francês nos convida a visitar uma outra Idade Média, fascinante, contraditória e cheia de alertas e sugestões para os tempos presentes - pois, para ele, "a história é uma arte da emancipação".
Publicado em 1995, O desentendimento é uma das obras mais importantes de Jacques Rancière, Professor Emérito da Universidade de Paris VIII. Neste livro, ele parte das definições do político em Aristóteles, passa pelo estudo das revoltas dos escravos na Antiguidade e desemboca no presente, formulando um dos diagnósticos mais lúcidos e abrangentes sobre a crise das democracias contemporâneas. Obra fundamental deste que é reconhecido com um dos grandes pensadores da atualidade, O desentendimento chega aos leitores brasileiros em nova edição inteiramente revista e anotada.
Um dos grandes clássicos do pensamento político, O Príncipe, de Maquiavel, escrito por volta de 1513 e publicado em 1532, nos assombra até hoje por seu retrato sem meias-tintas dos mecanismos que podem ser usados para se atingir e manter o poder. Dedicado a um príncipe da família Médici, de Florença, este polêmico tratado tem recebido ao longo do tempo as mais diversas versões e interpretações, que muitas vezes se afastam de seu sentido primeiro. A presente edição, bilíngue, busca resgatar toda a força do original de Maquiavel, em uma tradução extremamente precisa realizada por Diogo Pires Aurélio, doutor em Filosofia Política e professor da Universidade Nova de Lisboa, que também assina uma ampla introdução ao texto.
Nesta breve conferência, o eminente antropólogo francês Philippe Descola parte da observação de outros povos - como os índios da Amazônia, os aborígines australianos e as tribos do Grande Norte canadense - para questionar a suposta universalidade dos conceitos de "natureza" e "cultura". Ao mesmo tempo que dá uma verdadeira aula sobre etnografia, etnologia e antropologia, o autor nos convida a refletir sobre a condição humana e os limites de nosso próprio modo de vida na Terra.
A construção política e econômica do Brasil
Sociedade, economia e Estado desde a Independência
As grandes interpretações do Brasil, de Gilberto Freyre a Celso Furtado, não alcançaram os períodos mais recentes de nossa história. Em A construção política e econômica do Brasil, Luiz Carlos Bresser-Pereira elaborou uma análise ampla e coerente do desenvolvimento brasileiro desde a Independência até os governos de FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro. Baseado em dois temas fundamentais — a estruturação das coalizões de classe que se sucederam no poder e a disputa entre o liberalismo econômico e o desenvolvimentismo —, este ensaio constitui ao mesmo tempo uma síntese da produção intelectual do autor e uma verdadeira aula sobre a história do país.
Nova edição, revista e atualizada pelo autor, incluindo o início do governo Bolsonaro e a pandemia da Covid-19.
Escrito sob a forma de seis cartas endereçadas a uma aluna, este livro de Bruno Latour - um dos mais brilhantes pensadores contemporâneos, vencedor do Holberg Prize, o Nobel das Ciências Humanas - discute o papel da ciência no mundo de hoje, propondo sua revinculação com a política e a sociedade, e a substituição do cogito, ergo sum de Descartes pelo plural e coletivo cogitamos.
Pluralidade urbana em São Paulo
Vulnerabilidade, marginalidade, ativismos
Organização de Lúcio Kowarick, Heitor Frúgoli Jr.
Este livro foi publicado com o apoio da Fapesp
Unindo sociologia e antropologia - especialidade de seus dois organizadores, Lúcio Kowarick e Heitor Frúgoli Jr. -, esta coletânea procura desenhar um retrato atualizado de uma das metrópoles mundiais que mais cresceu no século XX. Os quatorze ensaios aqui reunidos compõem uma perspectiva multifacetada de São Paulo, analisando alguns de seus temas mais candentes, como a segregação espacial, as manifestações de junho de 2013, a cracolândia, as ocupações no centro, as manifestações culturais da periferia, a dinâmica das eleições para prefeito e vereador, e a ação do PCC na redução dos homicídios na cidade.