Ao ler O dia e a noite, Roberto Bolaño não hesitou: os aforismos de Georges Braque formam “um livro precioso”. Pois Braque, protagonista maior da pintura moderna, foi também homem de letras. Redigidos ao longo de décadas e publicados depois da Segunda Guerra Mundial, seus aforismos são fruto de uma lenta decantação verbal de sua experiência — e também de um longo diálogo com grandes poetas como Pierre Reverdy e René Char. Seus pensamentos vão das fórmulas oraculares aos apontamentos sibilinos, sem nunca se deixarem reduzir a um sistema doutrinário: afinal de contas, “o conformismo começa pela definição” e é preciso “ter sempre duas ideias, uma para destruir a outra”. Com texto de orelha de Paulo Pasta, esta edição de O dia e a noite é ilustrada com desenhos e caligrafias do próprio Braque e acompanhada de um ensaio do fotógrafo e escritor Brassaï, “Georges Braque”, inédito em português.
Durante os quinze anos que viveu no Rio de Janeiro, entre 1816 e 1831, Jean-Baptiste Debret, um filho da Revolução Francesa, teve existência dupla: serviu dom João VI e dom Pedro I, e, ao mesmo tempo, registrou em inúmeros desenhos e aquarelas o que via nas ruas daquela cidade tropical, violenta e escravocrata. De volta à França, publicou Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, obra recusada pela Biblioteca Imperial pelo que revelava de nossa sociedade. Em Rever Debret, Jacques Leenhardt, diretor de pesquisas da EHESS em Paris, convida-nos a revisitar a produção deste artista, bem como sua longa e atribulada fortuna entre nós. Agora, em pleno século XXI, pela crítica e paródia de jovens artistas ameríndios e afro-brasileiros, inspirados em sua obra, vão se plasmando novas formas de imaginar nossa nação em uma perspectiva livre da sombra colonial.
Este livro reconstitui — por meio de entrevistas, depoimentos e artigos compilados e anotados por Michael Doran, do Courtauld Institute, de Londres — um dos momentos-chave da história da arte: o período em que Paul Cézanne (1839-1906), recluso em Aix-en-Provence, no sul da França, em seus últimos anos de vida, recriou as bases da pintura ocidental. Trazendo os principais testemunhos daqueles que conviveram com o artista entre 1894 e 1906, como Maurice Denis, Émile Bernard, Joachim Gasquet e Ambroise Vollard, incluindo cartas do próprio Cézanne, o volume registra não só as ideias do pintor (“Tudo na natureza modela-se a partir da esfera, do cone e do cilindro”), mas também o cotidiano, os procedimentos pictóricos e os hábitos e idiossincrasias deste gênio da arte moderna.
Nesta nova edição, revista e ampliada, a historiadora e crítica de arte Aracy Amaral examina detalhadamente, e de forma pioneira, as relações do poeta suíço-francês Blaise Cendrars com os modernistas no Brasil.
O livro aborda, entre outros fatos, o encontro de Cendrars com o grupo brasileiro em 1923, em Paris, a vinda do poeta ao Brasil no ano seguinte e as marcas que essa visita causou tanto em Cendrars como em Mário, Oswald
de Andrade, Tarsila, Paulo Prado e outros.
Um dos críticos de arte mais brilhantes de seu tempo, Daniel Arasse (1944-2003) provoca um verdadeiro curto-circuito em nossos hábitos mentais ao analisar de forma detalhada cinco obras-primas de Tintoretto, Francesco del Cossa, Bruegel, Ticiano e Velázquez. Nos seis ensaios que compõem a obra, que inclui um estudo sobre a figura bíblica de Maria Madalena, o autor combina perspicácia, humor e um alto espírito de aventura intelectual para revolucionar o nosso modo de olhar a pintura. O resultado é um livro raro, que surpreende tanto o iniciante como o especialista, e coloca o leitor em contato com a experiência viva, aberta e sensível da obra de arte.
A coleção A pintura reúne, em 14 volumes, uma antologia de textos fundamentais sobre a arte ocidental, reunindo 130 autores do século IV a.C. ao século XX. O último volume da coleção trata das vanguardas artísticas e suas batalhas no campo pictórico, da crise da representação e das discussões em torno da abstração pura até a superação total do espaço planar, passando pela crise da pintura de cavalete - tema do famoso artigo de Clement Greenberg. Este volume 14 traz textos essenciais do início do século - de Kandinsky, Apollinaire e Maliévitch, entre outros -, e chega até os anos 50 e 60 - com De Kooning, Dubuffet, Yves Klein e um ensaio seminal de Donald Judd.
A coleção A pintura reúne, em 14 volumes, uma antologia de textos fundamentais sobre a arte ocidental, reunindo 130 autores do século IV a.C. ao século XX. Este volume 13 trata das duas vertentes que nortearam a produção pictórica a partir do século XV: as técnicas de execução - os pigmentos, o afresco, a têmpera e o óleo - e a pintura enquanto projeto intelectual - a perspectiva, o ponto, a linha e a superfície. O livro inclui trechos selecionados e anotados de importantes obras de e sobre Piero della Francesca, Leonardo da Vinci, Van Eyck, William Hogarth, Paul Cézanne, Henri Matisse, Piet Mondrian e Jackson Pollock, entre outros.
O volume 12 da coleção A pintura reúne e comenta 21 textos que, de Étienne Boileau no século XIII a Antonin Artaud no século XX, sinalizam as transformações ocorridas no status do trabalhador das artes visuais, de simples artesãos, na Antiguidade e na Idade Média, até a nova posição social de artistas, no Renascimento, tingida por uma aura de excepcionalidade e dotada de enorme prestígio. Ao lado de excertos de Leonardo da Vinci, Diderot, Zola e outros, merecem destaque as cartas de Albrecht Dürer (1471-1528) a seu cliente, um rico comerciante de Frankfurt, bem como aquelas de Poussin (1594-1665), que deixam entrever as complexas relações do maior pintor francês da época com o rei Luís XIII e sua corte.
A coleção A pintura reúne, em 14 volumes, uma antologia de textos fundamentais sobre a arte ocidental, reunindo 130 autores do século IV a.C. ao século XX. Este volume 11 aborda as noções de escola e estilo, que foram, durante pelo menos quatro séculos, determinantes para compreender as obras de arte e assegurar sua inserção no cânone. Aqui são mapeadas as mudanças de sentido que esses dois conceitos sofreram ao longo do tempo: imitação dos mestres, para Francisco de Hollanda e Vasari; manifestação do livre jogo das faculdades artísticas, em Courbet, Delacroix e Zola; ou produto da influência de contextos determinados, como querem Wölfflin e Taine.
Publicado agora em nova edição revista e ampliada, Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer traz uma seleção de escritos de Aracy Amaral, das décadas de 1960 a 1980, em que a autora enfrenta, na teoria e na prática, temas de grande relevância para a historiografia da arte brasileira. São ensaios, textos de catálogo e jornais, conferências e impressões sobre simpósios, debates ou visitas de ateliê, registros muitas vezes feitos no calor da hora, que compõem um retrato vivo do meio artístico em nosso país.
A trajetória singular de Anita Malfatti (1889-1964) constitui um dos fatos mais intrigantes da arte brasileira no século XX. Esta publicação traz ao público o mais completo estudo já feito sobre a vida da artista, de forma a compreender as condições de produção e recepção de sua obra. Aborda desde sua infância, seus estudos em Berlim e Nova York na década de 1910, as exposições individuais de 1914 e 1917, a participação-chave na Semana de 22, a estadia em Paris nos anos 20 e toda sua trajetória posterior.
Resultado de uma das mais completas pesquisas já realizadas sobre o Modernismo brasileiro, este estudo, que permaneceu até hoje inédito, acompanha a trajetória dos principais artistas brasileiros nos momentos que antecederam e se seguiram à Semana de Arte Moderna de 1922, quando um grupo importante de pintores e escultores passou extensas temporadas radicado na então capital mundial da arte, a Paris da folle époque.