Editora 34
Áreas de Interesse

Crítica, Teoria Literária

65 títulos

Experiência e pobreza
Walter Benjamin em Ibiza, 1932-1933
Tradução de Daniel Lühmann

Foram apenas alguns meses de 1932 e 1933 em Ibiza, na Espanha, tempo que marcou a vida de Walter Benjamin profundamente, de modo nunca antes revelado como neste livro de Vicente Valero. Com sensibilidade, pesquisa minuciosa e conhecimento profundo da ilha do Mediterrâneo, o autor nos mostra que foi nesse lugar ainda isolado, com uma economia de subsistência e uma cultura milenar, que Benjamin, fugindo do nazismo e com parcos recursos, cruzou sua trajetória com outros europeus em busca de refúgio e escreveu textos decisivos como “Experiência e pobreza” e “Infância em Berlim”. Publicado em espanhol e traduzido para o alemão e o francês, este belo ensaio biográfico ganha agora edição no Brasil, incluindo uma iconografia dos personagens e locais abordados no estudo.

Rua de mão única
Organização de Jeanne Marie Gagnebin
Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho
Textos em apêndice de Asja Lacis, Siegfried Kracauer, Ernst Bloch e Theodor W. Adorno

Ao publicar Rua de mão única, em 1928, Walter Benjamin sinalizou uma guinada em sua carreira, deixando para trás as convenções da vida acadêmica e partindo para uma experimentação intelectual que surge na própria forma do livro, constituído de sessenta textos breves inspirados pela vivência na metrópole moderna, verdadeiras “imagens do pensamento”. Completam o volume, que traz uma introdução de Jeanne Marie Gagnebin, dois textos de Asja Lacis (a militante e diretora de teatro a quem foi dedicado o livro), que abordam o período em que ela e Benjamin se conheceram em Nápoles e Capri, um deles redigido com o próprio Benjamin, e três resenhas de Rua de mão única assinadas por Siegfried Kracauer, Ernst Bloch e Theodor W. Adorno.

Sobre aquilo em que eu mais penso
Ensaios
Organização de Sofia Nestrovski, Danilo Hora
Tradução de Sofia Nestrovski
Helenista, poeta e tradutora, a canadense Anne Carson é uma das escritoras mais originais da contemporaneidade e autora de uma obra dedicada a dissolver as fronteiras que separam pesquisa de invenção, criação de crítica e tradução de autoria. Esta coletânea, organizada por Sofia Nestrovski e Danilo Hora, apresenta essa obra pelo prisma do ensaísmo, reunindo onze textos, escritos num arco de mais de uma década e todos eles inéditos no Brasil, em que a autora de Autobiografia do vermelho aproxima os autores aparentemente mais distantes, como Virginia Woolf e Tucídides, Homero e Elizabeth Bishop, Longino e Antonioni, Francis Bacon e Joana D’Arc.
O autor e a personagem na atividade estética
Tradução de Paulo Bezerra
Notas da edição russa de Serguei Botcharov
Considerado um ensaio seminal na carreira de Mikhail Bakhtin, O autor e a personagem na atividade estética foi redigido na primeira metade dos anos 1920 e integra seus escritos ditos “filosóficos”, trazendo pela primeira vez vários conceitos que serão fundamentais em suas obras posteriores sobre a linguagem, o discurso e o romance. A tradução de Paulo Bezerra, publicada originalmente na coletânea Estética da criação verbal, foi aqui inteiramente revista, além de acrescida de um posfácio do tradutor e de um texto inédito de Bakhtin em português: uma “Introdução” ao livro, com cerca de 30 páginas, descoberta pelos organizadores das Obras reunidas do autor na Rússia.
Dante como poeta do mundo terreno
Tradução de Lenin Bicudo Bárbara
Coordenação editorial e revisão técnica de Leopoldo Waizbort
Posfácio de Patrícia Reis
O presente estudo, Dante como poeta do mundo terreno, de 1929, é uma síntese extraordinária da Divina comédia, uma das obras centrais da literatura ocidental. Erich Auerbach, autor de Mimesis, sustenta que não é possível compreendermos a Comédia sem a Summa Theologica de Tomás de Aquino, obra que sistematizou a doutrina dos primeiros Padres da Igreja, na qual a Verdade divina manifesta-se historicamente no mundo terreno. A grande proeza do poeta florentino, segundo Auerbach, foi justamente a de ser o primeiro autor a dar forma literária a essa concepção cristã. Completam o volume uma pequena autobiografia escrita por Auerbach em 1929, quando candidatou-se a professor em Marburg, e um alentado posfácio de Patrícia Reis, em que ela mapeia as correntes intelectuais alemãs da época e a recepção da obra de Dante em meio à ascensão do nazifascismo.
Figurações
ensaios críticos
Organização de Paloma Vidal
Tradução de Gênese Andrade
Posfácio de Adriana Kanzepolsky
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Uma das principais autoras hispano-americanas dos séculos XX e XXI, tanto como ensaísta como ficcionista, a argentina Sylvia Molloy (1938-2022) fez seu doutorado na Sorbonne, lecionou nas universidades de Princeton e Yale, e tornou-se professora emérita de escrita criativa na Universidade de Nova York. Figurações, organizado por Paloma Vidal, reúne treze de seus principais ensaios, que versam sobre questões de gênero, sobre o lugar da crítica, sobre as relações entre autobiografia e ficção, sobre os “pais fundadores” da literatura latino-americana Domingo Sarmiento, José Martí e Rubén Darío, sobre a tradição das mulheres nas letras, de Teresa de la Parra e Victoria Ocampo a Alejandra Pizarnik, e sobre a obra inesgotável e inspiradora de Jorge Luis Borges.
Problemas da obra de Dostoiévski
Tradução de Sheila Grillo, Ekaterina Vólkova Américo
Notas e glossário de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo
Ensaio introdutório e posfácio de Sheila Grillo
Problemas da obra de Dostoiévski, lançado em 1929, é a primeira versão de um dos livros-chave de Bakhtin, Problemas da poética de Dostoiévski, de 1963. Organizado em duas partes, “O romance polifônico de Dostoiévski” e “A palavra em Dostoiévski”, o estudo analisa as principais obras do escritor russo, atentando para a multiplicidade de vozes e discursos que ele põe em cena, o que representou uma importante inovação na forma do romance. O presente volume inclui ainda um ensaio introdutório que historia a gênese do livro de Bakhtin e suas influências, e um posfácio que analisa a sua recepção na União Soviética da época, ambos redigidos por Sheila Grillo, tradutora da obra com Ekaterina Vólkova Américo.
Referência incontornável na fortuna crítica do autor de Crime e castigo, este livro do professor russo Nikolai Tchirkóv (1891-1950) analisa de forma detalhada a evolução do estilo de Dostoiévski a partir de seus principais romances, de Gente pobre (1846) a Os irmãos Karamázov (1880). Jogando luz sobre o processo de construção das narrativas do escritor, que inicialmente parte da Escola Natural e do romantismo para depois encontrar seu estilo próprio baseado nas figuras do “homem do subsolo” e do “homem-universo”, este volume é uma excelente porta de entrada para os leitores que quiserem conhecer mais a fundo a obra deste gênio da literatura.
Poesia em risco
Itinerários para aportar nos anos 1970 e além
Com a visão sensível para penetrar em cada poema e nele identificar tanto a contribuição individual como as marcas de época, Viviana Bosi, professora de Teoria Literária da USP, se debruça neste livro sobre a obra de Augusto de Campos, Ferreira Gullar, Torquato Neto, Armando Freitas Filho, Ana Cristina Cesar, Francisco Alvim, Rubens Rodrigues Torres Filho, Sebastião Uchoa Leite e boa parte da poesia marginal da década de 1970. Fruto de extensa pesquisa, Poesia em risco não se limita à poesia registrada nos livros, mas reconstitui minuciosamente o circuito das publicações alternativas, revistas, jornaizinhos e fanzines por meio dos quais, em vários lugares do Brasil, as correntes do concretismo vieram se chocar e se misturar com as águas da poesia marginal.
Formação e desconstrução
Uma visita ao Museu da Ideologia Francesa
Posfácio de Giovanni Zanotti
Neste livro, o filósofo Paulo Arantes, um dos mais destacados intelectuais brasileiros da atualidade, guia o leitor pelos caminhos percorridos pela chamada Ideologia Francesa, conjunto prestigioso de ideias que reuniu pensadores como Foucault, Derrida e, na sua variante franco-brasileira, Gérard Lebrun. Sua hegemonia atingiu o ápice no final dos anos 1980, quando, dentro do sistema universitário americano, misturou-se à Teoria da Ação Comunicativa de Habermas e ao neopragmatismo de Richard Rorty. Para o autor, esse cruzamento de conceitos em que predomina a noção de discurso revela na verdade transformações históricas reais, como, por exemplo, o papel legitimador que involuntariamente essas ideias tiveram na atual fase do capitalismo.
A novela no início do Renascimento
Itália e França
Tradução de Tercio Redondo
Coordenação editorial, revisão técnica e posfácio de Leopoldo Waizbort
Prefácio de Fritz Schalk
Publicado pela primeira vez em 1921, A novela no início do Renascimento marca a estreia de Erich Auerbach (1892-1957), autor de Mimesis, na crítica literária, abrindo caminho para uma obra em que está contemplado todo o arco da literatura ocidental. Privilegiando sobretudo o Decameron de Boccaccio (século XIV), após Dante “juntar novamente mundo e destino”, Auerbach explica o momento em que as narrativas medievais, vinculadas à Bíblia e ao sagrado, dão lugar a uma nova forma de literatura — mais aristocrática na Itália e mais burguesa na França —, mostrando homens e mulheres enredados nos acontecimentos, prazeres e dores do mundo terreno.
Seja como for reúne entrevistas, perfis, artigos e documentos daquele que é, na tradição da Escola de Frankfurt, um dos mais importantes críticos da atualidade. O livro cobre cinquenta anos de uma trajetória na qual a coerência, mais que o apego a um método, está ligada aos problemas objetivos do capitalismo contemporâneo. Roberto Schwarz foi o que mais levou a fundo a análise de suas consequências para a vida cultural na periferia, notadamente em seus estudos sobre Machado de Assis, revelando nesse escritor um crítico até então insuspeitado da modernidade — olhar agudo que se estende, no conjunto de sua obra, a vários outros autores e temas. Por sua atualidade, cabe destacar os textos que revisitam o ensaio "Cultura e política, 1964-1969", nos quais o crítico se interroga acerca da produção artística num quadro que combina o avanço do capital e uma ordem política retrógrada - questão que retorna, com urgência extrema, no Brasil do século XXI.