Trajano Vieira é doutor em Literatura Grega pela Universidade de São Paulo (1993), bolsista da Fundação Guggenheim (2001), com pós-doutorado pela Universidade de Chicago (2006) e na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris (2009-2010), e desde 1989 professor de Língua e Literatura Grega no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, onde obteve o título de livre-docente em 2008. Tem se dedicado a verter poeticamente tragédias do repertório grego, como Agamêmnon (2007) e Sete contra Tebas (2018), de Ésquilo; Édipo Rei (2001) e Filoctetes (2009), de Sófocles; e Medeia (2010) e As Troianas (2021), de Eurípides. É também o tradutor das comédias Lisístrata, Tesmoforiantes (2011) e As Rãs (2014), de Aristófanes; do poema Alexandra, de Lícofron (2017); e da Ilíada (2020) e da Odisseia, de Homero (2011), entre outros. Suas versões do Agamêmnon e da Odisseia receberam o Prêmio Jabuti de Tradução.
Prometeu Prisioneiro, de Ésquilo (525-456 a.C.), é uma peça única dentre as tragédias gregas, ao trazer, de forma inédita, seres divinos como protagonistas. A história tem início quando Força, Poder e Hefesto, por ordem de Zeus, acorrentam Prometeu a uma montanha nos confins do planeta. Preso e prestes a ser castigado por ter ensinado o uso do fogo aos humanos, o Titã é visitado pelo coro das Oceânides, por Oceano, por Io e por Hermes, que tentam demovê-lo de seu enfrentamento com o novo chefe do Olimpo. Verdadeiro libelo contra a tirania, a peça é apresentada aqui na esmerada tradução de Trajano Vieira. A edição, bilíngue, inclui ainda um posfácio do tradutor, excertos da crítica e um alentado ensaio do classicista inglês C. J. Herington.
Compostas no século VIII a.C., a Ilíada e a Odisseia são consideradas o marco inaugural da literatura ocidental. Tradicionalmente atribuídas a Homero, as obras abordam o período de algumas semanas no último ano da Guerra de Troia, durante o cerco final dos contingentes gregos à cidadela do rei Príamo, na Ásia Menor, no caso da Ilíada, e o atribulado retorno de Odisseu à Ítaca após a guerra, narrado na Odisseia. As belas traduções de Trajano Vieira, professor livre-docente da Unicamp e premiado tradutor, rigorosamente metrificadas, buscam recriar em nossa língua a excelência dos versos gregos originais, com seus símiles e invenções vocabulares. As presente edições, bilíngues, trazem ainda uma série de aparatos, como índices onomásticos completos, mapas, excertos da crítica, sumários dos cantos, além dos célebres ensaios de Simone Weil, “A Ilíada ou o poema da força”, e de Italo Calvino, “As odisseias na Odisseia”.
A figura de Ájax, um dos heróis da Guerra de Troia, tem fascinado o público desde a mais remota Antiguidade. Nesta tragédia de Sófocles (496-406 a.C.), um dos pontos altos da dramaturgia mundial, o foco volta-se para a sua derrocada. Após o julgamento que destinou as armas de Aquiles a Odisseu, Ájax se revolta e decide matar Agamêmnon, Menelau e o próprio Odisseu. A partir desse evento, Sófocles vai discutir uma das questões centrais de sua época: como as tradições das antigas aristocracias, representadas na peça por Ájax, poderiam ser medidas em face dos novos valores da democracia ateniense? O presente volume, bilíngue, inclui o clássico ensaio de Bernard Knox sobre a tragédia e a brilhante tradução de Trajano Vieira, que soube recriar em nossa língua toda a riqueza de registros do texto sofocliano.
A peça As Troianas, de Eurípides (c. 480-406 a.C.), trata do destino das mulheres de Troia após a derrota da cidade para os gregos, ao final da famosa guerra imortalizada por Homero na Ilíada. Aprisionadas pelas tropas lideradas por Agamêmnon, as protagonistas da peça, incluindo Cassandra, Andrômaca e Helena, lamentam seus infortúnios tendo Hécuba, a rainha troiana, como figura central. Encenada em 415 a.C. em Atenas, meses após o massacre de Melos pelos atenienses, a peça acabou se tornando um verdadeiro libelo contra as atrocidades da guerra. A presente edição, bilíngue, traz a primorosa tradução de Trajano Vieira e textos críticos de Jean-Paul Sartre e do helenista britânico Chris Carey.
Composta no século VIII a.C., a Ilíada é considerada o marco inaugural da literatura ocidental. Tradicionalmente atribuída a Homero, a obra aborda o período de algumas semanas no último ano da Guerra de Troia, durante o cerco final dos contingentes gregos à cidadela do rei Príamo, na Ásia Menor. Com seus mais de 15 mil versos, a Ilíada ganha agora uma nova tradução - das mãos de Trajano Vieira, professor livre-docente da Unicamp e premiado tradutor da Odisseia -, rigorosamente metrificada, que busca recriar em nossa língua a excelência do original, com seus símiles e invenções vocabulares. A presente edição, bilíngue, traz ainda uma série de aparatos, como um índice onomástico completo, um posfácio do tradutor, excertos da crítica, e o célebre ensaio de Simone Weil, "A Ilíada ou o poema da força".
Sete contra Tebas, de Ésquilo, é a segunda tragédia mais antiga que chegou até nós e foi encenada pela primeira vez em 467 a.C. Como pano de fundo, temos a maldição lançada sobre os reis de Tebas, na Grécia, que causou o assassinato de Laio, a desgraça de seu filho Édipo, e uma guerra fratricida entre os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, para herdar seu trono. A história se inicia quando Polinices, alijado do poder por seu irmão, reúne um exército com mais seis generais gregos e cerca as muralhas de Tebas. Diante da invasão iminente, o rei Etéocles, protagonista da peça, procura acalmar os cidadãos em pânico e organizar a defesa das sete portas da cidade.
Alexandra é uma obra extraordinária, misto de poema épico e monólogo trágico, em que Cassandra profetiza quase mil anos de história, da queda de Troia até o império de Alexandre, o Grande. Composta por volta de 300 a.C. por Lícofron, da Biblioteca de Alexandria, tem sido considerada digna de figurar no cânone das grandes obras da Antiguidade. Sua linguagem requintada, típica do período helenístico, e a substancial quantidade de informações sobre o mundo grego que traz a tornaram um verdadeiro tesouro para os estudiosos. A presente edição, bilíngue, traz a primeira tradução da obra ao português, proeza realizada por Trajano Vieira, que recriou em nossa língua a riqueza poética e a métrica perfeita do original.
O Hipólito, de Eurípides, estreou nas Dionísias de Atenas em 428 a.C., recebendo o primeiro prêmio do festival. A trama da peça é ambientada em Trezena, onde o jovem protagonista vive com seu pai, Teseu, e a madrasta, Fedra. O casto Hipólito é devoto da deusa da caça, Ártemis, o que provoca a ira de Afrodite, deusa do amor. Esta, para se vingar, faz Fedra se apaixonar pelo enteado. A partir deste enredo, onde se contrapõem honra e traição, Eurípides constrói de forma engenhosa sua tragédia com uma série de pares opostos: Hipólito e Teseu; Fedra e a nutriz (sua criada); Afrodite e Ártemis; além de dois coros: o das mulheres de Trezena e o dos servos de Hipólito. A presente edição, bilíngue, traz, além da esmerada recriação poética de Trajano Vieira, uma elucidativa análise da peça realizada por Bernard Knox - um dos grandes helenistas do século XX.
Dentre as tragédias gregas que chegaram até nós, o Héracles, de Eurípides (c. 486-406 a.C.), e As Traquínias, de Sófocles - que ora se publicam conjuntamente em apuradas traduções de Trajano Vieira - são as únicas que trazem o grande herói Héracles (ou Hércules, na mitologia latina) como protagonista. Enquanto Sófocles segue a tradição, Eurípides constrói uma história totalmente original, estruturando sua peça em dois atos contrastantes - uma criação que desafiou as convenções da Poética de Aristóteles e boa parte da crítica posterior. Obra de feição extremamente moderna, o Héracles tem sido cada vez mais valorizado na atualidade, como vemos no ensaio do importante tradutor e helenista norte-americano William Arrowsmith, incluído no volume.
Dentre as tragédias gregas que chegaram até nós, As Traquínias, de Sófocles (496-406 a.C.), e o Héracles, de Eurípides - que ora se publicam conjuntamente - são as únicas que trazem o grande herói Héracles (ou Hércules, na mitologia latina) como protagonista. A ação da peça de Sófocles se inicia em Tráquis, onde a esposa de Héracles, Dejanira, aguarda o retorno do marido, afastado há tempos do lar para a conclusão de seus doze trabalhos. Considerada por Ezra Pound como "o ponto máximo da sensibilidade grega", As Traquínias é apresentada aqui em edição bilíngue, na rigorosa e inventiva tradução de Trajano Vieira, acompanhada de um ensaio da célebre helenista inglesa P. E. Easterling.
Obra de fina tessitura linguística e extrema modernidade, a Odisseia é apresentada aqui na premiada tradução de Trajano Vieira, que busca preservar ao máximo estes elementos, recriando poeticamente os ritmos e sonoridades do original. A edição, agora em formato de bolso, traz ainda um índice onomástico completo, mapas, posfácio, informações sobre métrica e critérios de tradução, dados biográficos do autor, bibliografia sugerida, excertos da crítica, sumário dos 24 cantos e um pequeno e belo texto de Franz Kafka inspirado na obra de Homero.
Um dos textos inaugurais da literatura ocidental, Odisseia surpreende até hoje por sua extrema modernidade: as diversas vozes narrativas, o tempo não cronológico, as experimentações linguísticas e a profundidade psicológica de seus personagens. Esta edição bilíngue traz, além de uma nova e cuidadíssima tradução, assinada por Trajano Vieira, uma série de aparatos que ajudarão o leitor a navegar pelos mais de 12 mil versos da obra: um índice completo de personagens e localidades citados no texto; mapas com a geografia homérica, o itinerário de Odisseu e o palácio de Ítaca; posfácio do tradutor; informações sobre métrica e critérios de tradução; comentário sobre a biografia do autor; sugestões bibliográficas; excertos da crítica; breve sumário dos 24 cantos e um instigante ensaio de Italo Calvino reunido em Por que ler os clássicos.