Editora 34
Áreas de Interesse

Filosofia, estética e ciência

84 títulos

Em Republicanas: Atenas, Roma, Florença e a atualidade do republicanismo, Sérgio Cardoso, professor sênior do Departamento de Filosofia da USP, apresenta de forma clara e sintética a história dos conceitos de “república” e “democracia”, elucidando o ideário que os cerca. Do entendimento distinto de Platão e Aristóteles, passando pelas contribuições originais de Políbio e de Cícero em Roma, detendo-se no Renascimento — particularmente em Maquiavel, de cuja obra o autor é um de nossos mais finos intérpretes — e abrindo-se para a Modernidade, Republicanas desemboca, em seus capítulos finais, no debate fundamental acerca dos sentidos da república e da democracia na atualidade e seu potencial libertário, sem deixar de interrogar um velho conhecido das arenas latino-americanas, o populismo, que hoje ressurge em escala mundial.

Espécies de espaços
Tradução de Daniel Lühmann
Posfácio de Jean-Luc Joly

Considerado por Italo Calvino “uma das personalidades literárias mais significativas do mundo”, Georges Perec é o autor de As coisas (1965), O sumiço (1969) e A vida modo de usar (1974), livros que conquistaram o meio literário francês por seu experimentalismo e radicalidade. Também inclassificável, Espécies de espaços (1974), inédito no Brasil, se situa na fronteira entre o ensaio, o poema e a arte conceitual. Mobilizando conceitos de arquitetura, artes visuais, poesia, cinema, antropologia e geografia, o livro interroga as diversas camadas que informam nossos hábitos e percepções, discorrendo sobre temas como a página, a cama, o quarto, o prédio, a rua, o bairro e a cidade. O presente volume traz um posfácio do pesquisador Jean-Luc Joly e um conjunto de fac-símiles inéditos de Perec que proporciona verdadeiros insights sobre o processo criativo do autor.

Ética a Nicômaco
Tradução de André Malta
Edição bilíngue - português/grego

O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão e preceptor de Alexandre, o Grande, escreveu cerca de trinta tratados que chegaram até nós, textos que se tornaram verdadeiros pilares do que conhecemos hoje como a ciência moderna. Na área da filosofia, a Ética a Nicômaco talvez seja o mais importante deles. Organizado em dez livros, o tratado parte da ideia de que o objetivo último do ser humano é a felicidade, para em seguida analisar os diferentes âmbitos da vida em que devemos agir de maneira virtuosa, guiados pela ponderação. A presente edição, bilíngue, traz uma nova tradução da Ética aristotélica realizada por André Malta, da Universidade de São Paulo, que, com extrema fidelidade ao original e livre de paráfrases, proporciona aos leitores um contato renovado com esta obra fundante da cultura ocidental.

As palavras e os danos:
diálogo sobre a política da linguagem
Tradução de Lílian do Valle
Coedição com a SOFIE (Sociedade Brasileira de Filosofia da Educação)

Em As palavras e os danos, Jacques Rancière, um dos grandes intelectuais franceses da atualidade, discorre de forma clara e precisa sobre temas-chave de sua obra. Em diálogo com Javier Bassas, professor da Universidade de Barcelona, Rancière apresenta considerações sobre o ativismo, a transmissão, as relações entre arte e política e entre palavra e imagem, que apontam o potencial emancipador de atividades que, ao exporem o dano, produzem a reconfiguração da experiência comum do sensível. Cabe destacar ainda o ineditismo da forma como Bassas leva Rancière a falar de seu próprio modo de escrita, revelando a profunda coerência deste filósofo que, unindo o pensamento à prática, não cessou de construir condições de igualdade com seus leitores.

O avesso das palavras
história da cultura e crítica da linguagem, 1901-1924
Tradução de Juliana Ferraci Martone, Laura de Borba Moosburger de Moraes, Marcella Marino Medeiros Silva, Márcio Suzuki
Organização e apresentação de Márcio Suzuki
Projeto gráfico de Raul Loureiro

Fritz Mauthner (1849-1923) foi um jornalista e escritor de prestígio em fins do século XIX e inícios do XX, quando lançou-se a um projeto filósofico rebelde e radical, cristalizado nas Contribuições a uma crítica da linguagem (1901-1902) e no Dicionário de filosofia (1910-1924). Nestas obras, ele critica a suposta capacidade da linguagem e da filosofia de representar o mundo, e define os conceitos como uma rede verbal constituída pela metáfora, pela fabulação e pelo mito. Primeira tradução de Mauthner para o português, O avesso das palavras é uma seleta generosa de seus principais textos. Com este volume, organizado por Márcio Suzuki, o leitor brasileiro poderá travar contato com um elo decisivo da tradição filosófica que vem dos românticos alemães e passa por Schopenhauer, Nietzsche e Brandes. Ao mesmo tempo, poderá julgar o fôlego de um ensaísta que cativou alguns dos nomes centrais da literatura modernista, de Joyce e Beckett a Jorge Luis Borges.

Ética
Tradução de Diogo Pires Aurélio
Edição bilíngue - português/latim

Baruch de Espinosa (1632-1677) nasceu em Amsterdã, filho de pais judeus emigrados de Portugal. Aos 24 anos, por suas opiniões pouco ortodoxas, foi expulso da sinagoga da cidade e acabou se mudando para Haia, onde publicou duas obras em vida: os Princípios da filosofia de Descartes (1663) e o Tratado teológico-político (1670), este editado de forma anônima. Sua obra magna, a Ética demonstrada segundo a ordem geométrica, só veio à luz no final de 1677, após a sua morte, com a publicação, por amigos, das Opera Posthuma, tendo logo entrado para o Index da Inquisição. O presente volume, bilíngue latim-português, baseia-se na canônica edição Gebhardt da Ética, e traz a apurada tradução de Diogo Pires Aurélio, um dos maiores especialistas da atualidade na obra de Espinosa, que também assina as notas e a introdução a este grande clássico da filosofia moderna.

A sociedade do artista:
ativismo, morte e memória da arte
Coleção Trans

Stéphane Huchet, formado pela EHESS em Paris e professor titular de História da Arquitetura e Teoria da Arte na UFMG, analisa em A sociedade do artista os principais impasses e desafios que envolvem a produção, a recepção e a própria conceituação da arte no mundo hoje. Tomando como referência as reflexões de Joseph Beuys, Enzo Cucchi e Jannis Kounellis em seu encontro na Basileia em 1985, Huchet investiga em onze capítulos — e uma inspirada coda — as relações entre arte, ativismo artístico, regimes estéticos e utopia social, reservando uma atenção especial às interrogações acerca do fim da arte e do fazer do artista, e colocando em questão tanto a ilusão do novo quanto o apagamento histórico hoje em voga.

Mal-estar na estética
Tradução de Gustavo Chataignier, Pedro Hussak
Coleção Trans

Em Mal-estar na estética, publicado na França em 2004, na esteira de seu A partilha do sensível, livro que deslocou de forma profundamente inovadora o debate sobre as relações entre estética e política, Jacques Rancière se contrapõe a algumas das principais correntes críticas das últimas décadas (particularmente às teorias de Badiou e Lyotard), ao mesmo tempo em que aprofunda suas investigações sobre o que constitui uma obra de arte e que relações esta entretém com o conjunto da vida social. Como o autor observa na apresentação escrita especialmente para esta edição brasileira, o termo “estética” designa não uma fruição elitista, mas “uma promessa de comunidade”, compartilhada por todos os humanos.

A fratura brasileira do mundo
Visões do laboratório brasileiro da mundialização
Posfácio de Marildo Menegat
Ensaio já clássico, escrito no início do século XXI, A fratura brasileira do mundo ganha agora uma edição própria — com um posfácio inédito de Marildo Menegat — e está mais atual do que nunca. Para Paulo Arantes, o Brasil como “país do futuro”, que criaria uma civilização moderna com características próprias, foi uma enorme ilusão. E mais: o autor sonda aqui um conjunto de estudos que, nos Estados Unidos e na Europa, passaram a se referir à brasilianização dos países centrais. Assim, no processo de globalização, o Brasil se tornou, involuntariamente, um “país do futuro” em chave negativa, um laboratório do que pode acontecer a todas as sociedades em que, dia após dia, cresce o abismo entre os ricos e a massa sem perspectiva de emprego.
Proust e os signos
Tradução de Roberto Machado
Coleção Trans
A obra fundamental de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, nunca deixou de interrogar o filósofo Gilles Deleuze. Em 1964 ele publicou Proust e os signos, com a primeira parte do livro que o leitor agora tem em mãos. Já nos anos 1970, após Diferença e repetição (1968) e a aventura de O anti-Édipo (1972), Deleuze voltou à obra-prima de Proust redigindo a segunda parte, intitulada “A máquina literária”, e o texto que conclui o volume, em que associa seu procedimento narrativo à construção de uma teia e a figura de seu narrador àquela da Aranha que se move ao menor sinal emitido pela presa. Com nova tradução de Roberto Machado, um dos grandes conhecedores de Deleuze no Brasil, este livro registra todo o percurso da leitura proustiana do filósofo francês que, no espaço de uma década, passou da decifração dos signos à sua intensa devoração.
Linhas fundamentais da filosofia do direito
Tradução de Marcos Lutz Müller
Apresentação e notas de Marcos Lutz Müller
Incluindo os adendos de Eduard Gans e Introdução de Jean-François Kervégan
O tratado Linhas fundamentais da filosofia do direito, ou simplesmente Filosofia do direito, de G. W. F. Hegel, publicado em 1820, é um dos pilares do sistema filosófico do autor e um dos livros mais influentes do pensamento ocidental. Com reflexões fundamentais sobre o direito, a sociedade e a organização do Estado, esta obra ganha agora, duzentos anos depois, uma edição em português à altura, fruto de três décadas de trabalho de Marcos Lutz Müller (1943-2020), professor livre-docente da Unicamp, que realizou uma cuidadosa tradução do texto original, redigindo mais de seiscentas notas explicativas e um glossário completo dos termos e conceitos utilizados. O volume traz ainda as elucidativas anotações de época organizadas por Eduard Gans, discípulo de Hegel, e o belo ensaio “A instituição da liberdade”, de Jean-François Kérvegan, da Université Panthéon-Sorbonne.
A República de chinelos
Bolsonaro e o desmonte da representação
Posfácio de Newton Bignotto
Um presidente que se deixa fotografar de chinelos em pleno exercício do cargo no Palácio da Alvorada. Um mandatário que se comunica com a esfera pública por meio de vídeos e mensagens de celular em linguagem chula. O que poderia à primeira vista ser interpretado como meras transgressões ou excentricidades revela-se um modus operandi que atinge diretamente o nervo das sociedades democráticas. Em A República de chinelos, Luciana Villas Bôas, professora da UFRJ com doutorado pela Columbia University, faz uma leitura inovadora sobre os mecanismos simbólicos da representação política e de seu papel-chave para o Estado de Direito.