Editora 34
Áreas de Interesse

Filosofia, estética e ciência

84 títulos

Maquiavelianas
Lições de política republicana
Prefácio de Newton Bignotto
Em Maquiavelianas: lições de política republicana, Sérgio Cardoso, professor livre-docente do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, recupera a surpreendente atualidade das ideias de Nicolau Maquiavel (1469-1527). Estruturado em três partes, o volume se debruça inicialmente sobre as rupturas operadas pelo secretário florentino no entendimento da tradição política em seu tempo, numa chave de leitura em que a aspiração popular por liberdade constituiria o esteio das instituições republicanas. Num segundo momento, sem deixar de lado O Príncipe, o autor concentra suas análises em duas obras menos estudadas de Maquiavel: os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio e as Histórias florentinas, com seus entrelaçamentos entre história e política. Por fim, o volume é arrematado, na terceira parte, com um ensaio que relaciona Maquiavel e Montaigne, autores que inauguram a modernidade do pensamento republicano.
Aisthesis: cenas do regime estético da arte
Tradução de Dilson Ferreira da Cruz
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Publicado originalmente em 2012, Aisthesis é provavelmente a suma da reflexão estética de Jacques Rancière, um dos mais destacados filósofos franceses, sobre a emergência moderna da noção de arte entre os séculos XVIII e XX. Inspirado no livro Mimesis, de Auerbach, e tomando como ponto de partida as mais variadas obras de arte e peças da crítica — como um trecho da Estética de Hegel, um artigo de jornal sobre uma trupe de acrobatas ingleses em Paris, o romance O vermelho e o negro, a performance de uma bailarina americana, os estudos de Rodin, as fotografias de Stieglitz, os filmes de Chaplin ou Dziga Viértov —, Rancière esboçou aqui uma verdadeira contra-história da arte moderna, em oposição aos dogmas que propugnam a autonomia total da criação artística.
As margens da ficção
Tradução de Fernando Scheibe
Coleção Trans
Se, na idade moderna, a sociologia, a ciência política e outras formas de conhecimento tomaram para si a razão ficcional aristotélica, produzindo narrativas com começo, meio e fim, invertendo ao final as expectativas, a ficção moderna trilhou o caminho contrário e instaurou no centro da literatura aquilo que sempre esteve nas suas beiradas — os acontecimentos triviais, os seres humanos comuns e o momento qualquer que pode condensar uma vida inteira. Nos doze ensaios de As margens da ficção, Jacques Rancière, um dos principais nomes da filosofia francesa contemporânea, acompanha esse processo revolucionário inicialmente nas obras de Stendhal, Balzac, Flaubert, Proust e Rilke, passa pelas técnicas narrativas em O capital de Karl Marx, até chegar nos romances de Conrad, Sebald, Faulkner e Virginia Woolf, fechando com uma inspirada análise das Primeiras estórias de Guimarães Rosa.
Cultura filosófica
Tradução de Lenin Bicudo Bárbara
Apresentação de Leopoldo Waizbort
Cultura filosófica é a única reunião de ensaios de Georg Simmel (1858-1918) organizada pelo próprio autor. Lançada em 1911 e revista em 1918, a coletânea é uma excelente porta de entrada para a obra deste pensador, um dos pais da sociologia alemã e um filósofo da cultura que influenciou nomes como Walter Benjamin, Robert Musil e Georg Lukács, entre muitos outros. Nestes quatorze estudos, que abordam assuntos diversos como a psicologia, a religião, a arte, o masculino e o feminino, Simmel deixou a sua marca inconfundível: a fina arte de interrogar e expor o objeto de sua indagação sob diferentes ângulos, como um legítimo “aventureiro do espírito”.
Imagens apesar de tudo
Tradução de Vanessa Brito, João Pedro Cachopo
Coleção Trans
Em agosto de 1944, membros do Sonderkommando de Auschwitz conseguiram fotografar de forma clandestina parte do processo de gaseamento a que eram submetidos os judeus, operação que levou à morte milhões de pessoas. Trazidas à luz numa grande exposição sobre a memória dos campos em 2001, essas quatro imagens tornaram-se o centro de uma polêmica que opôs, de um lado, aqueles que eram contra qualquer tipo de representação do Holocausto e, de outro, os que defendiam a importância vital de todo registro, entre eles, o autor deste livro. Em Imagens apesar de tudo, Didi-Huberman faz uma defesa apaixonada da imagem como forma de resistência, quando se furta à ordem dominante e, longe de se assumir como imagem absoluta, capaz de dizer toda a verdade, se apresenta fulgurante e lacunar, abrindo brechas em meio à obscuridade e ao horror.
A individuação à luz das noções de forma e de informação
Tradução de Luís Eduardo Ponciano Aragon, Guilherme Ivo
Coleção Trans
Primeiro livro do filósofo francês Gilbert Simondon (1924-1989) publicado no Brasil, este é um estudo de alcance incomum, no qual o autor desloca a atenção do indivíduo para a operação da individuação e, mobilizando conceitos de física, química, biologia, história das ciências, sociologia, psicologia e outros campos, propõe uma reviravolta em noções filosóficas fundamentais como ser, forma, matéria, substância, sistema, energia. Baseado na edição francesa de 2013, este volume reproduz na íntegra a tese de doutoramento defendida na Sorbonne em 1958, acrescida de quatro textos complementares. Traduzida com rigor por Luís Aragon e Guilherme Ivo, sob supervisão dos herdeiros do autor, esta obra faz jus à potência do pensamento de Simondon, cujo legado só hoje começa a ser apreendido e explorado em suas múltiplas dimensões.
Jamais fomos modernos
Ensaio de antropologia simétrica
Tradução de Carlos Irineu da Costa
Revisão técnica de Stelio Marras
Coleção Trans
Nova edição revista de um dos principais clássicos contemporâneos da filosofia, da antropologia e dos estudos da ciência. Jamais fomos modernos, lançado originalmente em 1991, é a principal obra de Bruno Latour, um dos mais prestigiados pensadores franceses e vencedor do Holberg Prize em 2013, considerado o Nobel das ciências humanas. Neste livro-manifesto, Latour procura reconfigurar a tradicional separação "moderna" entre natureza e cultura, de modo a compreender os sujeitos híbridos cada vez mais presentes em nossa sociedade, como os desastres ecológicos, os organismos geneticamente modificados e os robôs dotados de inteligência artificial.
As estrelas
Tradução de Samuel Titan Jr.
Ilustrações de Fidel Sclavo
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Edição bilíngue - português/inglês
Um dos livros mais emblemáticos do escritor norte-americano Eliot Weinberger, As estrelas mescla ensaio, ficção e poesia ao reunir uma verdadeira cosmologia de definições, das mais diversas fontes, culturas e épocas, para responder ao verso inicial da obra: "As estrelas, o que são?". Esses diferentes testemunhos da imaginação humana, provenientes de textos filosóficos, manuais de física, mitologias próximas ou distantes, tradições anônimas e relatos de viagem, foram ordenados pelo autor não por hierarquias prévias, mas por um sutil trabalho de composição que beira a música e que é a marca da grande poesia.
O tempo que passa (?)
Tradução de Cecília Ciscato
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Tudo mundo sabe o que é o tempo, mas é só começarmos a fazer perguntas sobre ele que tudo se complica. Que espécie de coisa é o tempo, que é medido em nossos relógios, mas não se deixa ver nem tocar? Se o tempo passa, então o que o faz passar, qual é o seu motor? Ou o tempo sempre foi igual, desde o início do universo? É possível viajar no tempo? São essas e outras as questões abordadas pelo eminente físico e filósofo francês Étienne Klein nesta breve e saborosa conferência, que procura despertar nos leitores a curiosidade e o espírito questionador que formam a base do conhecimento científico.
A anomalia selvagem
Poder e potência em Espinosa
Tradução de Raquel Ramalhete
Prefácios de Gilles Deleuze, Pierre Macherey e Alexandre Matheron
Posfácios de Antonio Negri e Marilena Chaui
Coleção Trans
Antonio Negri, autor de Império e um dos pensadores mais influentes da atualidade, redigiu A anomalia selvagem entre 1979 e 1980, durante seu cárcere italiano. Publicado pela primeira vez no Brasil em 1993, o volume é agora relançado em edição revista por Homero Santiago e Mario Marino, incluindo ainda um breve ensaio sobre a obra redigido por Marilena Chaui. Neste importante livro, Negri articula a filosofia de Baruch Espinosa (1632-1677) à história econômica, social, política e intelectual do século XVII, encontrando na "metafísica materialista" espinosana os elementos para pensar "uma fenomenologia da prática revolucionária" constitutiva do futuro.
Cinema 2 - A imagem-tempo
Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro
Coleção Trans
A imagem-tempo, publicado na França em 1985, completa o projeto iniciado por Gilles Deleuze em A imagem-movimento: o de fazer da arte cinematográfica uma nova forma de pensamento. Se no primeiro volume o autor analisa o cinema clássico, neste ele aborda a ruptura estética que surge com a Segunda Guerra Mundial, o neorrealismo italiano e a obra de Roberto Rosselini. O filósofo estuda como as imagens cinematográficas passam a ser encadeadas por cortes irracionais, o tempo deixa de decorrer do movimento e surgem os signos óticos e sonoros puros desprendidos das situações sensório-motoras. Com novas ferramentas conceituais, como o "cristal de tempo", Deleuze ilumina de modo original a obra de mestres como Ozu, Buñuel, Orson Welles, Antonioni, Godard e Tarkóvski, movimentos como a nouvelle vague, e a produção de cineastas atentos aos dramas do Terceiro Mundo, como Pasolini e Glauber Rocha.
Publicado na França em 1983, A imagem-movimento constitui - junto com A imagem-tempo, volume que o seguiu dois anos depois - o mais impressionante esforço filosófico para fazer do cinema uma forma de pensamento. Nele, Gilles Deleuze parte das tentativas pioneiras de Bergson, contemporâneas ao nascimento da sétima arte, para definir o conceito de "imagem-movimento", de modo a superar a dicotomia entre o movimento como realidade exterior e a imagem como realidade psíquica da consciência. Combinando as intuições bergsonianas ao sistema de signos não-verbais de Pierce, Deleuze organiza um amplo panorama em que se articulam as obras de gigantes como Chaplin, Eisenstein, Ford, Bergman e Hitchcock, e precursores como Griffith e Viértov.