Filosofia, estética e ciência
84 títulos
Obra singular no percurso de Georges Didi-Huberman, Cascas é o relato de uma visita do autor ao museu de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, em junho de 2011 - do qual retorna com algumas cascas de bétulas e um punhado de fotografias. A partir desses registros, o filósofo inicia uma fina interrogação sobre a memória do Holocausto e o potencial subversivo das imagens. O resultado é uma reflexão ao mesmo tempo pessoal e coletiva, lírica e intelectual, que tem como complemento, neste volume, a entrevista inédita concedida a Ilana Feldman, "Alguns pedaços de película, alguns gestos políticos".
Espinosa e o problema da expressão
Tradução de GT Deleuze - 12
Coordenação de Luiz B. L. Orlandi
Coleção Trans
"A força de uma filosofia", diz o autor a certa altura deste livro, "se mede pelos conceitos que ela cria, ou cujo sentido ela renova, e que impõem um novo recorte às coisas e às ações." Em Espinosa e o problema da expressão, Gilles Deleuze (1925-1975) mapeia, no pensamento do holandês Benedicto de Espinosa (1632-1677), as relações entre teoria da substância, teoria da ideia e teoria das paixões e das ações, pondo em destaque, particularmente, as conexões entre substância e a composição dos modos finitos de existência. O resultado é um livro raro, no qual (como deixa entrever o posfácio de François Zourabichvili) Deleuze ilumina Espinosa e Espinosa ilumina Deleuze.
Políticas da escrita
Tradução de Raquel Ramalhete, Laís Eleonora Vilanova, Ligia Vassalo, Eloisa Araújo Ribeiro
Coleção Trans
"Antes de ser o exercício de uma competência, o ato de escrever é uma maneira de ocupar o sensível e de dar sentido a essa ocupação." Partindo dessa afirmação, o filósofo Jacques Rancière investiga em nove ensaios o que está em jogo na escrita de poetas, romancistas, filósofos e historiadores. Com lucidez incomum, Políticas da escrita renova nossa percepção de autores fundamentais como Rimbaud, Wordsworth, Byron, Mandelstam, Cervantes, Balzac, mas também de historiadores como Jules Michelet, Fernand Braudel e outros.
Ensaios
Tradução de Sérgio Milliet
O Ensaio Dos coxos Livro III é leitura obrigatória para o Vestibular da UFPR 2026 curso Filosofia
Edição integral
Revisão técnica e notas adicionais de Edson Querubini
Apresentação de Andre Scoralick
Revisão técnica e notas adicionais de Edson Querubini
Apresentação de Andre Scoralick
Obra-chave do pensamento ocidental, os Ensaios de Montaigne, publicados na França entre 1580 e 1588, tornaram célebre seu autor, inspiraram os filósofos do Iluminismo e criaram um novo gênero literário. Ao falar de si mesmo com uma franqueza e liberdade que até hoje nos tocam, Michel de Montaigne (1533-1592), um homem do Renascimento, fala na verdade da condição humana, com reflexões sobre a psicologia, a educação, a ética e a política. Esta tradução integral de Sérgio Milliet, um dos grandes intelectuais brasileiros do século XX - que busca, em sua elegância e fluência, sempre a fidelidade ao espírito do original -, é apresentada aqui com a rigorosa revisão técnica de Edson Querubini, um dos principais especialistas em Montaigne no Brasil.
Fedro
Tradução de José Cavalcante de Souza
Edição bilíngue - português/grego
Posfácio e notas de José Trindade Santos
Em Fedro, Platão (428-347 a.C.) nos coloca diante de três discursos sobre o amor - o do orador Lísias, retomado por Fedro, e os dois de Sócrates -, proferidos durante uma caminhada fora dos muros de Atenas. Neste belo diálogo, se discute não apenas Eros, mas a natureza da própria arte retórica, da memória e da escrita. Com tradução inédita de José Cavalcante de Souza, um dos fundadores da área de Estudos Clássicos no Brasil, o volume, bilíngue, conta com um texto de apresentação do próprio tradutor, além de ensaio e notas do helenista português José Trindade Santos.
O Banquete é um dos diálogos mais célebres de Platão (428-347 a.C.). Ambientado durante um jantar oferecido pelo poeta Agatão em Atenas, põe em cena Sócrates, Aristófanes e outros convivas enfrentando-se em uma competição: cada um deve fazer um discurso de elogio à figura de Eros, o deus do amor. A consagrada tradução de José Cavalcante de Souza, acompanhada de notas e um alentado ensaio, é apresentada agora em edição revista e bilíngue, colocando novamente à disposição do leitor um dos trabalhos fundadores dos Estudos Clássicos no Brasil.
Dois regimes de loucos
Textos e entrevistas (1975-1995)
Tradução de Guilherme Ivo
Edição preparada por David Lapoujade
Revisão técnica de Luiz B. L. Orlandi
Coleção Trans
Este volume reúne mais de sessenta ensaios, artigos, cartas, manifestos, depoimentos e entrevistas de Gilles Deleuze (1925-1995), cobrindo os últimos vinte anos de carreira deste que é um dos mais originais filósofos do século XX. Além de iluminar o contexto da escrita e recepção de livros-chave como Mil platôs, Cinema 1 e 2, A dobra e O que é a filosofia?, estes textos abordam temas diversos como Proust, Foucault, a questão palestina, Francis Bacon, as drogas, Maio de 68, sua parceria com Guattari, a guerra, o cinema, a psicanálise, dos quais o autor de O anti-Édipo sempre consegue extrair problemas e conceitos inteiramente novos.
Obra de introdução ao pensamento de um dos maiores filósofos contemporâneos, Deleuze: uma filosofia do acontecimento, do ensaísta e professor François Zourabichvili (1965-2006), apresenta-se como um itinerário de leitura e um mapeamento dos principais conceitos formulados por Gilles Deleuze (1925-1995), tendo como elemento central a noção de acontecimento. Voltado tanto para o público iniciante como para os estudiosos do filósofo, este é um livro precioso, traduzido de forma exemplar por Luiz B. L. Orlandi.
O primeiro e mais importante tratado sobre as formas literárias da tradição ocidental, a Poética de Aristóteles (384-322 a.C.) não tem deixado de ser lida e interpretada ao longo de seus 23 séculos de existência. A presente tradução de Paulo Pinheiro, professor de Estética e Filosofia, rigorosamente amparada em notas e atenta às pesquisas mais recentes, faz reviver o texto original de maneira clara e profunda, numa edição bilíngue voltada tanto para estudantes como para leitores já iniciados na matéria.
Combinando ensaio com fragmentos de texto, o psicanalista e ensaísta Tales Ab'Sáber criou um livro extremamente original, um espaço que acolhe, segundo o autor, "reflexões de muitas medidas, entre o pensamento mais trabalhado sobre a cultura brasileira e suas raízes e o choque da experiência imediata". Em suas páginas convivem um estudo inédito sobre a influência do cronista José de Alencar sobre o Brás Cubas de Machado de Assis, análises da obra de Caetano Veloso e aforismos e questionamentos marcados pelas manifestações de junho de 2013.
A forma e o sentimento do mundo
Jogo, humor e arte de viver na filosofia do século XVIII
Com uma prosa ensaística fluente e rigorosa erudição, Márcio Suzuki, professor da Universidade de São Paulo, analisa neste livro como a filosofia do século XVIII tratou daquilo que os antigos chamaram de "arte de viver": as formas como nos relacionamos com as atividades não produtivas, lúdicas, sem utilidade imediata. Nesse mergulho nas ideias prefiguradas por Montaigne e Pascal e desenvolvidas por pensadores britânicos como Francis Hutcheson e Adam Smith - que trataram do valor do trabalho, mas também do valor do tempo livre, unindo cálculo e sentimento - Suzuki busca iluminar os caminhos que levarão ao pensamento moderno de David Hume e Kant. Como afirma Marilena Chaui, trata-se aqui "de uma outra maneira de escrever história da filosofia".
Este conjunto de ensaios de Jeanne Maria Gagnebin, ao mapear o diálogo crítico travado por Walter Benjamin com seus colegas da Escola de Frankfurt, e com autores de sua predileção como Baudelaire, Proust, Kafka e Brecht, revela de que modo configurou-se a singular ótica materialista de Benjamin - um pensamento que explora as rupturas no tecido da história para inspirar uma outra experiência de modernidade.