Fábula
50 títulos
Primeiro livro de Hernán Ronsino publicado no Brasil, Glaxo é uma breve e contundente novela passada em uma pequena cidade do pampa argentino, que tem como pano de fundo o fechamento da única fábrica da região. Como se fosse um western escrito por William Faulkner ou Selva Almada, a obra traz uma narrativa fragmentada, em que suas peças, que incluem as vidas de quatro conhecidos e uma mulher, só se encaixam ao final, elucidando uma trama de desejo e vingança que pode ser lida como uma espécie de alegoria dos destinos daquele país.
Vencedor dos prêmios Fnac e Femina de 2012, na França, Peste e cólera segue de perto a figura real de Alexandre Yersin (1863-1943), que aos 22 anos trocou a Suíça por Paris, onde se fez discípulo de Pasteur. Seus estudos sobre a tuberculose logo o transformam numa das promessas de sua geração, mas ele prefere partir para o Oriente como médico da marinha mercante e desbravador da Indochina francesa. Em 1894, por ocasião da grande epidemia de peste bubônica em Hong Kong, é chamado a intervir, e logo isola o bacilo da peste e descreve os veículos da contaminação. Com o feito científico, a fama europeia volta a bater à sua porta, mas Yersin permanece fiel a seu país de adoção (o atual Vietnã). Este herói moderno, que se interessa por um sem-número de assuntos, é o protagonista deste novo "romance sem ficção" do premiado escritor francês Patrick Deville, autor convidado da Flip 2017.
Em 14 de agosto de 1943, Marcel Cohen, com cinco anos e meio, foi passear com sua babá em uma praça parisiense. Do outro lado da rua, ao retornar para casa, viu sua família, de judeus turcos emigrados, ser presa pelos nazistas. Todos eles, incluindo sua irmã recém-nascida, sua mãe, seu pai, seus tios e avós, acabariam mortos nos campos de concentração alemães. Setenta anos depois, já um escritor consagrado, Cohen publicou este livro impressionante, "feito de recordações e, em maior medida, de silêncio, de lacunas e de esquecimento", no qual procura recuperar a história de sua família por meio dos parcos objetos e fragmentos de memória que puderam escapar ao Holocausto.
Neste extraordinário "romance sem ficção", Patrick Deville, um dos mais criativos nomes da literatura francesa contemporânea, retraça a trajetória de personagens-chave do século XX, que se cruzam no México do final da década de 1930 fugindo dos totalitarismos que assombram a Europa. A chegada de Trótski, em janeiro de 1937, aciona mais um giro na roda da história, movimentando uma constelação de artistas, escritores e revolucionários que incluem Frida Kahlo, Diego Rivera, Tina Modotti, André Breton e o assassino de Trótski, Ramón Mercader. Em paralelo, são resgatadas as aventurosas vidas de Malcolm Lowry - lutando para criar sua obra-prima, À sombra do vulcão -, Graham Greene, Antonin Artaud e o misterioso B. Traven, autor de O tesouro de Sierra Madre.
Aventuras de Alice no País das Maravilhas
Leitura obrigatória do vestibular da UNICAMP 2026
Tradução de Sebastião Uchoa Leite
Ilustrações de John Tenniel
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Publicadas pela primeira vez em 1865, as Aventuras de Alice no País das Maravilhas logo mostraram a que vinham, conquistando crianças, adolescentes e também os leitores adultos. Mais de 150 anos depois, o livro continua a viver seu destino de muitas faces: clássico infanto-juvenil incontornável, cheio de vida e de verve; romance repleto de alusões cifradas e de humor sutil; fonte de inspiração para escritores, artistas e filósofos; matéria-prima de adaptações literárias, versões cinematográficas e assim por diante. Por tudo isso, é sempre hora de ler ou reler as Aventuras de Alice no País das Maravilhas em sua forma integral - com direito às ilustrações originais de John Tenniel e na belíssima tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite.
Diante de uma plateia de jovens e adultos, o filósofo e historiador da arte Georges Didi-Huberman pergunta: o que são as emoções? Todos nós as conhecemos em primeira mão, é claro, mas nem por isso elas deixam de nos intrigar. Somos nós que as "temos" ou são elas que nos "têm"? Nós as sofremos - e portanto elas nos imobilizam, nos reduzem à passividade - ou elas nos movem, isto é, nos levam à ação? Elas nos isolam e nos silenciam ou, ao contrário, são uma forma de comunicação com os nossos semelhantes? Para sugerir respostas a essas questões, Didi-Huberman nos convida a percorrer as ideias de alguns pensadores ocidentais - e, sobretudo, a olhar com atenção para as emoções cristalizadas em grandes obras de arte, da escultura antiga ao cinema moderno.
Alice - edição comemorativa 150 anos - 2 volumes
Tradução de Sebastião Uchoa Leite
Ilustrações de John Tenniel
Projeto gráfico de Raul Loureiro
A Caixa Alice reúne os dois grandes clássicos de Lewis Carroll, que até hoje encantam adultos e crianças: Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do espelho e o que Alice encontrou lá (1871). Única edição brasileira a trazer a consagrada tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite, com a colaboração de Augusto de Campos nos poemas, os dois volumes, com sobrecapa e luva, trazem ainda as 92 ilustrações originais de John Tenniel (1820-1914), que realizou seu trabalho sob a estrita supervisão do autor, num encaixe perfeito entre texto e imagem, aqui destacado com o belo projeto gráfico de Raul Loureiro..
Poucos textos do século XIX tiveram vida tão intensa, e extensa, como Carmen, a obra-prima de Prosper Mérimée (1803-1870), novela que deu origem à ópera homônima de Bizet e, mais recentemente, a adaptações para o cinema dirigidas por Jean-Luc Godard e Carlos Saura, entre outros. Na presente edição, a história de amor de dom José e da cigana Carmen ganha uma tradução à altura do estilo preciso, elegante e irônico, porém de grande ressonância dramática, do original francês. Samuel Titan Jr., professor de Teoria Literária da USP e autor da tradução, chama a atenção no posfácio para vários aspectos da obra, inclusive o notável paralelo entre Carmen e a Capitu do Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Romance mais recente de Jean Echenoz, um dos mais respeitados nomes da literatura francesa contemporânea, 14 foi um grande sucesso de crítica e público quando lançado em 2012, vendendo mais de 20 mil exemplares em sua primeira semana nas livrarias. O livro, composto por quinze capítulos breves, aborda de forma original o tema da Primeira Guerra Mundial, a partir das histórias individuais de cinco amigos, e uma mulher, que partem para o front sem ter a menor ideia do que os espera. Num estilo apurado, avesso a toda ênfase sentimental ou épica, Echenoz revisita o conflito que definiu os rumos do século XX a partir da perspectiva da gente comum, que se viu entregue à própria sorte, fosse para sobreviver à longa matança, fosse para recomeçar a vida, um dia.
20 poemas para ler no bonde
Tradução de Fabrício Corsaletti, Samuel Titan Jr.
Fotografias de Horacio Coppola
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Edição bilíngue espanhol-português
Inédito no Brasil, 20 poemas para ler no bonde é o livro de estreia de Oliverio Girondo (1891-1967), um dos maiores nomes da vanguarda literária argentina. Publicado originalmente em 1922, na França, é uma espécie de relato de viagem de um jovem interessado em tudo que o rodeia: mulheres, bebidas, vitrines, carros, e cidades como Buenos Aires, Paris, Veneza e Rio de Janeiro. A obra, que tem muitos paralelos com o modernismo brasileiro, é apresentada aqui em edição bilíngue e com 22 belas imagens de Horacio Coppola, figura central da fotografia latino-americana.
Fruto de uma série de aulas realizadas no Collège de France por Jean Starobinski, um dos maiores críticos literários da atualidade, A melancolia diante do espelho examina com sensibilidade e minúcia três poemas das Flores do Mal, de Charles Baudelaire (1821-1867). No foco de Starobinski, os caminhos pelos quais Baudelaire renova o tema da melancolia na arte ocidental. A edição desta pequena joia do ensaísmo contemporâneo vem acompanhada por reproduções a cores de pinturas e gravuras referidas no texto, como a Madalena em vigília, de Georges de La Tour, e Até a morte, de Goya.
Por uma esquerda sem futuro
Tradução de José Viegas
Prefácio à edição brasileira do autor
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Um dos principais intelectuais contemporâneos, o crítico inglês T. J. Clark volta-se neste breve e polêmico ensaio - publicado recentemente na New Left Review - para a encruzilhada em que se encontra a esquerda, incapaz até agora de propor respostas à crise econômica e social deste início de século XXI. Se quiser fazê-lo e seguir existindo como geradora de ideais políticos relevantes, a esquerda - corrente a qual se filia o autor - precisará fazer uma revisão dos totalitarismos do passado e renunciar, nesta era de consumo e crescimento insustentáveis, a toda noção messiânica de futuro.