Poesia
47 títulos
Livro de estreia da carioca Yasmin Nigri, Bigornas é um trabalho surpreendentemente sólido. Mais que uma simples coletânea de poemas, o livro é construído sobre a ideia de formação poética e tangencia questões como solidão, violência e fracasso. Dividido em quatro partes, reúne desde alguns de seus primeiros poemas, mais distendidos e bem-humorados (Rua de Ontem), passando por uma série dedicada a artistas que influenciam seu olhar (Recibos) e por um romance entre mulheres (Mulher Malevich), até os da última parte (Bigornas), cuja concisão e densidade lhes atribui a eficácia dos golpes bem-assestados.
A Doença
Organização de Lúcia Helena Costigan, Fernando Morato
Publicado em 1777 em Lisboa, A Doença é um poema autobiográfico de Caldas Barbosa (1740-1800), um dos mais importantes poetas brasileiros do século XVIII e um dos fundadores da nossa música popular. Praticamente desconhecido no Brasil, este texto é um raro registro da experiência de um mulato brasileiro em Portugal no Período Pombalino, onde o compositor de modinhas e lundus narra as dificuldades por que passou após abandonar a Universidade de Coimbra, por falta de recursos, até receber o patronato da ilustre família dos Vasconcelos e Sousa. A presente edição traz o poema em ortografia atualizada, acompanhado de notas explicativas e um ensaio redigido por Lúcia Helena Costigan e Fernando Morato, da Ohio State University.
Nesta quinta coletânea poética de Guilherme Gontijo Flores, carvão :: capim, esses dois elementos quase contraditórios funcionam, conjuntamente, como um símbolo do ciclo da vida. Dividido em quatro partes, o livro parte de uma "Petrografia esparsa", com poemas que aludem às tantas mortes que marcaram e continuam a marcar nossa história. Em seguida, "História dos animais" propõe uma zoopoética que não deixa de enxergar a beleza da morte iluminada, por exemplo, numa pedra de âmbar. Já "Quatro cantatas fúnebres" traz poemas dedicados à guerrilheira Dinalva Oliveira e ao poeta salvadorenho Roque Dalton, ambos assassinados por motivos políticos, para desaguar na parte final, "Lo ferm voler" (referência a um verso do trovador medieval Arnaut Daniel), onde o impulso lírico-amoroso vem reafirmar a vida, o viço e a vontade.
Quantos poetas passam pela vida sem jamais publicar um livro? Hilda Machado, pesquisadora e cineasta nascida no Rio de Janeiro em 1951 e falecida em 2007, foi professora na Universidade Federal Fluminense e diretora premiada em festivais de cinema nacionais. Paralelamente, escrevia poemas, dos quais só publicou dois em vida, sendo que um deles, "Miscasting", tornou-se um verdadeiro cult no nosso meio literário. Deixou, porém, o manuscrito deste Nuvens, que chegou a registrar na Biblioteca Nacional, e que agora se publica graças à colaboração de Angela Machado, irmã da autora, e ao poeta Ricardo Domeneck, que assina o texto de apresentação do volume
Reconhecido como um dos mestres do conto no século XX, Raymond Carver (1938-1988) é autor de uma obra poética que se equipara, em fôlego e intensidade, a sua obra de ficcionista. Mais do que isso: a poesia oferece um ponto de vista privilegiado para compreender a visão de mundo do escritor. Admirador de William Carlos Williams e com um pé na tradição confessional de Robert Lowell e Sylvia Plath, Carver mantém em seus poemas um registro sempre próximo à vida cotidiana, condensando experiências de grande pungência e alta voltagem lírica. Primeira coletânea da obra poética de Carver em nosso país, Esta vida reúne cinquenta poemas do autor, selecionados e traduzidos por Cide Piquet com base em seus principais livros de poesia - Fogos (1983), Onde a água se junta a outra água (1985), Ultramar (1986) e Um novo caminho para a queda d'água, publicado postumamente em 1989.
Com vários livros publicados nos últimos trinta anos, Edimilson de Almeida Pereira é uma das principais vozes da poesia brasileira contemporânea. Este qvasi (do latim "como se", de onde vem o português "quase") reúne as principais vertentes de sua pesquisa poética e intelectual: literatura, antropologia, cultura popular e religiosidade.
A partir de suas andanças e estudos pelo interior mineiro, o ouvido do poeta recolhe falas e falares para dar voz a seres e coisas que nem sempre têm vez nas folhas dos livros: seja um morcego, um morro ou um andarilho. Sagrado e profano, passado e presente, dito e ouvido se condensam em poemas tão cortantes quanto precisos, cuja secura é fruto da mais fina maturação. "NÃO, pedra ang/ ular dos sem PALAVRA."
A partir de suas andanças e estudos pelo interior mineiro, o ouvido do poeta recolhe falas e falares para dar voz a seres e coisas que nem sempre têm vez nas folhas dos livros: seja um morcego, um morro ou um andarilho. Sagrado e profano, passado e presente, dito e ouvido se condensam em poemas tão cortantes quanto precisos, cuja secura é fruto da mais fina maturação. "NÃO, pedra ang/ ular dos sem PALAVRA."
Tudo (e mais um pouco)
Poesia reunida (1971-2016)
Livro vendido com quatro modelos diferentes de capa
Influenciado por Oswald de Andrade e Allen Ginsberg, Chacal é um dos poetas brasileiros que mais representa o espírito libertário da contracultura nos dias de hoje. Tudo (e mais um pouco) reúne a obra poética do autor, de seu primeiro livro, Muito prazer, Ricardo (1971), até os mais recentes Murundum (2012), Seu Madruga e eu (2015) e Alô poeta (2016), incluindo ainda a versão teatral da autobiografia Uma história à margem (2010).
Caçambas
Livro patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural
Dispostos em duas seções, "Rádio de galena" e "Singular coletivo", os 76 poemas de Caçambas, de Ruy Proença, constituem um inventário, por um lado, amplo o bastante para figurar passagens da história do século XX e grandezas cósmicas como meteoros e buracos negros, por outro, preciso e delicado o suficiente para tratar com afeto o sentimento do maravilhoso e as batalhas (ganhas e perdidas) da infância e da vida adulta.
Treme ainda
Livro patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural
Movidos por uma "espécie de desamparo visceral e inquietante", como observou o poeta e crítico português Manuel de Freitas, os poemas de Fabio Weintraub reunidos em Treme ainda extraem sua força de situações extremas, quase terminais. Em versos de um expressionismo frio e medido, o poeta põe em cena todo um arsenal de máscaras e vozes de figuras relegadas às margens da sociedade brasileira para colher aí, no limite, a corrente dilacerada e pulsante da subjetividade contemporânea.
O escritor é alguém que presta atenção ao mundo, disse Susan Sontag. O poeta talvez seja alguém que, ao prestar atenção, se espanta com o mundo e, sobretudo, consegue fazer a linguagem se espantar com ele - e dar saltos. Pois este Jóquei dá muitos saltos, a todo instante. São poemas em prosa, conversas por telefone, cartas para crianças, explosões de ternura. Passeando pelas ruas do Rio de Janeiro, perseguindo carros de bombeiro pelo Brooklyn ou contemplando ondas gigantes de um balcão, sopra deste livro - como disse o crítico Gustavo Rubim, saudando sua primeira edição (Lisboa, Tinta-da-China, 2014) - um "vento de pura selvageria".
Píer
Projeto apoiado pelo Programa Petrobras Cultural
Novo livro de poemas de Sérgio Alcides, Píer tem como cenário recorrente o litoral, a praia, a marinha. Muitos textos são compostos como se fossem paisagens, mas o "país" que eles retratam não se prende completamente a nenhuma geografia exterior à própria linguagem da poesia -onde a vida, a memória e a história se reordenam, transfiguradas. O conjunto inclui, além de números avulsos, três "suítes" de poemas: "Ossada", "Píer" (iniciada quando o autor foi escritor-residente do Instituto Sacatar de Itaparica, em 2004) e "À margem do São Francisco".
Flores das "Flores do mal" de Baudelaire
Ilustrações de Henri Matisse
Apresentação de Manuel Bandeira
Posfácio de Marcelo Tápia
Reunindo 21 poemas das Flores do mal, obra máxima de Charles Baudelaire, na tradução de Guilherme de Almeida - considerada por muitos uma das mais belas já realizadas em português -, esta edição bilíngue traz ainda uma apresentação de Manuel Bandeira, as notas em que Guilherme de Almeida comenta aspectos de seu trabalho de tradução, um posfácio crítico de Marcelo Tápia e as inspiradas ilustrações de Henri Matisse.
aolp
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