Editora 34
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Poesia

47 títulos

Poeta, editor, tradutor, pintor, agitador e ativista, Lawrence Ferlinghetti (1919-2021) foi uma das figuras centrais do movimento Beat e uma das grandes vozes da contracultura nos Estados Unidos no século XX. Poesia como arte insurgente é a súmula de suas reflexões e provocações sobre poesia e vida, arte e ativismo. Um livro para nos tirar da letargia e da rotina; para reacender a chama da alegria, da criatividade e da coragem. “Livro de combate, de carregar pela rua, no bolso e no coração”, escreve o tradutor e poeta Fabiano Calixto. E, quando tantos se perguntam para que serve a poesia nestes tempos apocalípticos, Ferlinghetti responde: “A poesia é a Resistência suprema”. 

Seja no ensaio, na prosa ou na poesia, Edimilson de Almeida Pereira vem criando uma obra que propõe a cada passo formas inéditas de pensar e expressar algumas das questões mais prementes do nosso tempo. Não é diferente o caso de Melro, que, ao lado de Relva (2015) e Guelras (2016), compõe a trilogia Melancolia, nascida no contexto agônico que tomou o Brasil e o mundo de 2014 para cá. Numa dicção que ecoa, por vezes, a melhor poesia social de Drummond, conversando com figuras como Davi Kopenawa, Wole Soyinka, Dylan Thomas, James Baldwin e Carlos de Assumpção, Melro configura uma “poética do exílio” que busca, segundo Fabio Cesar Alves, “salvar os vestígios de uma existência em retração”.
Alma corsária é o novo livro de uma das principais poetas contemporâneas brasileiras, Claudia Roquette-Pinto, que retorna à poesia após o elogiado Margem de manobra, de 2005. Com 58 poemas organizados em seis seções, “Alma corsária”, “Na estrada”, “As horas nuas”, “Poemas do Rio”, “Escritos da pandemia” e “Resumo da ópera”, a obra reafirma uma percepção de mundo intensa e singular, em que o impulso de liberdade, de quem se arrisca continuamente a ir além das próprias fronteiras, se depara, tantas vezes, com forças contrárias: saltos no vazio, banalidade do real, horror da pandemia e a passagem das horas que deixa marcas no corpo e na consciência.
Novo livro de poemas de Leonardo Gandolfi, Robinson Crusoé e seus amigos reserva uma surpresa aos leitores. Por um efeito de looping da linguagem — mas também pelo coro de vozes, histórias, referências e personagens que o autor sabiamente instalou no coração desta obra —, a voz que lê um poema é também lida por ele. Entramos assim num território de instabilidades (qualquer semelhança com o século XXI não é mera coincidência) em que as certezas se desestabilizam e as expectativas se alteram. O surpreendente, porém, é que o caos resultante não suprime os afetos, mas antes reafirma sua necessidade — como se nota no excepcional poema de abertura, que dá título ao volume.
Ar-reverso
(Atemwende)
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Edição bilíngue - português/alemão
Ar-reverso (Atemwende, 1967) é, como observou Paul Celan, “a coisa mais densa que já escrevi, e também a mais inapreensível”. Escrito entre 1963 e 1965, o livro dialoga com seu famoso discurso O meridiano, de 1960, onde o autor usa pela primeira vez o termo com que nomeará a obra: “Poesia: pode significar um ar-reverso”. Poeta judeu que sofreu na própria pele a barbárie da Shoah, Celan respondeu como nenhum outro ao desafio de “fazer poesia depois de Auschwitz”, reinventando poeticamente a língua de seus algozes para escavar nela uma realidade própria e redentora — uma proposta criativa a que o tradutor Guilherme Gontijo Flores respondeu, nesta edição bilíngue, com raro rigor e inventividade.
Morando desde os anos 1970 num sítio na região de Petrópolis, no Rio, e dedicando-se ao cultivo da terra, à poesia e à tradução, Leonardo Fróes criou uma obra poética única em nossa literatura. Esta Poesia reunida abarca toda a sua produção, desde seu livro de estreia, Língua franca (1968), até o inédito A pandemônia e outros poemas (2021). De entremeio, pérolas como Sibilitz (1981), que o poeta João Cabral de Melo Neto considerou “de primeira água”, Argumentos invisíveis (1995), pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti, ou o depurado Chinês com sono (2005). A cada livro, Fróes vem maturando sua obra e se afirmando — há tempos — como um dos nossos maiores poetas, lido e celebrado por sucessivas gerações.
A rosa de ninguém
(Die Niemandsrose)
Tradução de Mauricio Mendonça Cardozo
Edição bilíngue
A rosa de ninguém, publicado originalmente em 1963, é um dos principais livros de Paul Celan (1920-1970), escritor cuja vida e obra foram profundamente marcadas pela experiência da Shoah e que é hoje reconhecido como um dos poetas mais importantes de língua alemã. Mais divulgado entre nós através de antologias, aqui o leitor brasileiro terá a oportunidade de encontrar um livro inteiramente concebido pelo autor, com as sequências de poemas e reverberações entre eles formando um todo maior que as partes. Nesta edição bilíngue, testemunhamos a força de sua poesia de resistência e afirmação radical da vida, aqui belamente recriada na tradução de Mauricio Mendonça Cardozo.
O spleen de Paris
Pequenos poemas em prosa
Tradução de Samuel Titan Jr.
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Indisponível Avise-me saiba mais
O spleen de Paris reúne anedotas, reflexões e epifanias, “pequenos poemas em prosa”, de Charles Baudelaire (1821-1867), o poeta por excelência do século XIX. Após As flores do Mal, publicadas em 1857 e 1861, Baudelaire dedicou os derradeiros anos de sua vida a um último projeto: escrever poesia além do âmbito do verso, inspirado por suas andanças pela capital francesa e pelo spleen da cidade, ou seja, pela “melan­colia irritada” que seus becos e habitantes evocavam. Retratando com cumplicidade os personagens miúdos da vida urbana — os pobres e as prostitutas, os velhos e as crian­ças, os saltimbancos sem vintém e os cães sem rumo —, o poeta criou, como observa Edgardo Cozarinsky na apresentação ao volume, uma “galeria de criaturas em que palpita a matéria romanesca”, em cinquenta textos curtos de intensa beleza.
Poesia + reúne quase duzentos poemas de Edimilson de Almeida Pereira, poeta e ensaísta, pesquisador das culturas populares e afrodescendentes e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Esta antologia, organizada pelo próprio autor em oito blocos temáticos (incluindo 34 poemas inéditos), atesta de maneira decisiva a singularidade de um percurso poético que dialoga com linhas centrais do modernismo brasileiro mas também, com uma força raras vezes vista entre nós, incorpora vozes historicamente silenciadas e formas extremamente originais de ver/pensar o mundo, nas quais a carga de ancestralidade e o poder de invenção contemporâneo convivem e se renovam mutuamente.
Tudo pronto para o fim do mundo, quarto livro do poeta mineiro Bruno Brum, não poderia estar mais em sintonia com os dias atuais. É de um desencanto profundo com as formas assumidas pela vida contemporânea que nascem estes poemas, ainda que perpassados de humor e, por vezes, de uma réstia de lirismo ou ternura. Iconoclasta, perspicaz, cínica e melancólica, a poesia de Bruno Brum se move como o personagem de seu "Porcossauro" - um dos poemas-síntese do livro -, misto de porco e dinossauro que vagueia, cabisbaixo e pensativo, por um mundo em vias de extinção: "Não há para onde ir, conclui, atravessando a rua".
Só para maiores de cem anos
antologia (anti)poética
Tradução de Joana Barossi, Cide Piquet
Edição bilíngue
Nicanor Parra (1914-2018) foi um dos principais poetas chilenos do século XX e para muitos, como o crítico Harold Bloom, um dos maiores poetas do Ocidente. Desde 1954, quando lançou Poemas e antipoemas e criou a "antipoesia" (com uma linguagem próxima àquela falada nas ruas, irônica e provocadora), até 2018, quando faleceu aos 103 anos, Parra nunca deixou de escrever e publicar, reinventando-se a cada geração, com uma obra que revolucionou a literatura de seu país e influenciou autores em todo o mundo, de Ferlinghetti a Roberto Bolaño. Só para maiores de cem anos é a primeira grande antologia de Parra publicada no Brasil, em edição bilíngue, e reúne 75 poemas de seus principais livros, selecionados e traduzidos por Joana Barossi e Cide Piquet.
Manuel António Pina (1943-2012), vencedor do Prêmio Camões em 2011, é um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea. O coração pronto para o roubo, volume organizado por Leonardo Gandolfi - poeta e professor de literatura portuguesa na Unifesp, responsável também pelo posfácio e pela seleta de entrevistas que integram a edição -, é a primeira coletânea poética do autor publicada no Brasil e reúne mais de oitenta poemas de todos os seus livros.