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Poesia
 

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Pote de mel e outros poemas

 

Leonardo Gandolfi


144 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-65-5525-231-6
2025 - 1ª edição

O que realmente acontece quando lemos um poema? Se, por um lado, o leitor segue de perto os desenhos que a voz do poeta traça no retângulo do papel, por outro, ele também mira as figuras que essa voz desenha num outro lugar que está, nunca se sabe bem, aquém ou além da página. Mas o que acontece quando as vozes que desenham nos incitam a trocar de lugar com elas?

Os poemas recentes de Leonardo Gandolfi têm uma capacidade incomum de situar o próprio ato de ler no centro dos acontecimentos, de modo que a certa altura nos damos conta de que, enquanto lemos o poema, também somos lidos por ele. Talvez seja isso que o crítico Rafael Zacca identificou como a “força de partilha” dessa escrita, que consegue a proeza de ser “inocência e enigma ao mesmo tempo”.

De Robinson Crusoé e seus amigos (2021) a este Pote de mel e outros poemas, o que salta à vista é o percurso de um poeta que, por meio de um despojamento corajoso, vertical, e em diálogo com a música popular, a literatura e as artes plásticas, dá um passo a mais em direção a uma experiência para a qual todos os adjetivos são inapropriados.

O nome disso, poesia.


Texto orelha

Nas histórias de A. A. Milne, o ursinho Pooh está sempre cercado de amigos — é com eles que gosta de comer mel, e é para eles e a partir das histórias vividas com eles que o urso faz as suas canções. Esse mesmo ethos atravessa o poeta Leonardo Gandolfi, que em livros como Robinson Crusoé e seus amigos (2021) traz para a sua escrita figuras queridas, vivas ou mortas. E mais uma vez o poeta não vem sozinho. Vocês verão que o emocionante poema que dá título a este novo livro é escrito para e com a sua filha Rosa, enquanto leem juntos as histórias de Pooh e seus amigos.


Só que em Pote de mel e outros poemas essa força de partilha se intensifica: é que o poeta convoca muitas vozes que falam através da sua própria. Ou será que é Leonardo Gandolfi quem fala com a voz dos outros? Essa situação cinde a leitura em duas, criando duas vozes e duas temporalidades para o poema e para a experiência. Como em “Cordas”, que traz diversos fragmentos com nomes de músicos como subtítulos. Num deles, “Paulinho da Viola”, lemos: “Este lápis escreve/ ao mesmo tempo/ em dois passados/ um que não terminou/ e outro que ainda/ está para começar”. Quem fala nesse poema, Leonardo ou Paulinho?


O mais desconcertante nisso tudo é a simplicidade que a sua escrita alcança. É famosa a lenda do pintor chinês que contemplou a sua própria pintura por tanto tempo que nela se dissolveu. Poucas histórias têm esse dom de serem inocência e enigma ao mesmo tempo. As fábulas fazem isso. Com poesia é mais difícil. Mas Leonardo Gandolfi faz parecer fácil. Como no poema “Para Max Martins”: “Todas/ as palavras/ da língua/ estão acesas/ ao mesmo tempo/ sopro uma a uma/ até que elas/ se apaguem/ mas sempre/ sobram algumas”. Muitos poetas aspiram a esse estado de espírito, em que a simples percepção do mundo parece mobilizar a linguagem e dar vida, como que por mágica, a alguma coisa que brilha sozinha.


Mas nem tudo aqui é como mel, e não é só de nascimentos que este livro se faz. Estas palavras estão cheias de feridas. A morte, antiga companheira de viagem dos poemas de Leonardo Gandolfi, também está presente nestes versos. Isso torna as coisas mais complexas, ainda que eu concorde com o poema “Mãos”, que diz que a dor e a beleza são simples (“quando você/ soltou minha mão/ deixou nela/ a mesma marca/ que a água deixa na pedra”).


Em Pote de mel e outros poemas dor e beleza são impressas em uma mesma “pincelada”. E o brilho dessas palavras acontece à sombra de um desamparo incomensurável. Talvez por isso trazem também um desejo urgente daquelas vozes que o livro encarna. Desse modo, o poeta mistura duas pontas da existência, produzindo um só afeto, dissolvendo a vida e a morte uma na outra. E, mesmo assim, saímos com a sensação de que um desses sabores prevalece, pois, como diz o poeta, “enquanto isso/ as crianças correm/ quebram a porcelana/ dos outros/ fecham as feridas/ de velhos corações”.


Rafael Zacca


Sobre o autor

Leonardo Gandolfi nasceu em 1981, no Rio de Janeiro, e desde 2013 mora em São Paulo, onde é professor de literatura no Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e no Programa de Pós-Graduação em Letras da mesma universidade. Publicou os livros de poemas No entanto d’água (7Letras, 2006), A morte de Tony Bennett (Lumme Editor, 2010), Escala Richter (7Letras, 2015) e Robinson Crusoé e seus amigos (Editora 34, 2021). Teve editado na Argentina La muerte de Tony Bennett (tradução de Paloma Vidal, Ediciones Lux, 2021). Foi o responsável pela organização e o posfácio da antologia O coração pronto para o roubo: poemas escolhidos (Editora 34, 2018), de Manuel António Pina, e escreveu o livro sobre esse mesmo poeta para a coleção Ciranda da Poesia (Eduerj, 2020). Organizou, com Claudio Leal, Cancioneiro geral (Círculo de Poemas, 2024), reunião de livros e canções de José Carlos Capinan, e, com Jhenifer Silva, Faça um samba enquanto o bicho não vem: poemas para Sérgio Sampaio (Telaranha Edições, 2024), antologia de poesia contemporânea em homenagem ao músico e compositor capixaba. Ao lado de Marília Garcia, idealizou e coordenou a Luna Parque Edições. Foi também um dos criadores da coleção de livros e plaquetes Círculo de Poemas, que em seus dois primeiros anos (2022-2023) foi um projeto conjunto das editoras Luna Parque e Fósforo.





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