Editora 34
Áreas de Interesse

Crítica, teoria literária e linguística

66 títulos

Figurações
ensaios críticos
Organização de Paloma Vidal
Tradução de Gênese Andrade
Posfácio de Adriana Kanzepolsky
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Uma das principais autoras hispano-americanas dos séculos XX e XXI, tanto como ensaísta como ficcionista, a argentina Sylvia Molloy (1938-2022) fez seu doutorado na Sorbonne, lecionou nas universidades de Princeton e Yale, e tornou-se professora emérita de escrita criativa na Universidade de Nova York. Figurações, organizado por Paloma Vidal, reúne treze de seus principais ensaios, que versam sobre questões de gênero, sobre o lugar da crítica, sobre as relações entre autobiografia e ficção, sobre os “pais fundadores” da literatura latino-americana Domingo Sarmiento, José Martí e Rubén Darío, sobre a tradição das mulheres nas letras, de Teresa de la Parra e Victoria Ocampo a Alejandra Pizarnik, e sobre a obra inesgotável e inspiradora de Jorge Luis Borges.
Problemas da obra de Dostoiévski
Tradução de Sheila Grillo, Ekaterina Vólkova Américo
Notas e glossário de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo
Ensaio introdutório e posfácio de Sheila Grillo
Problemas da obra de Dostoiévski, lançado em 1929, é a primeira versão de um dos livros-chave de Bakhtin, Problemas da poética de Dostoiévski, de 1963. Organizado em duas partes, “O romance polifônico de Dostoiévski” e “A palavra em Dostoiévski”, o estudo analisa as principais obras do escritor russo, atentando para a multiplicidade de vozes e discursos que ele põe em cena, o que representou uma importante inovação na forma do romance. O presente volume inclui ainda um ensaio introdutório que historia a gênese do livro de Bakhtin e suas influências, e um posfácio que analisa a sua recepção na União Soviética da época, ambos redigidos por Sheila Grillo, tradutora da obra com Ekaterina Vólkova Américo.
Referência incontornável na fortuna crítica do autor de Crime e castigo, este livro do professor russo Nikolai Tchirkóv (1891-1950) analisa de forma detalhada a evolução do estilo de Dostoiévski a partir de seus principais romances, de Gente pobre (1846) a Os irmãos Karamázov (1880). Jogando luz sobre o processo de construção das narrativas do escritor, que inicialmente parte da Escola Natural e do romantismo para depois encontrar seu estilo próprio baseado nas figuras do “homem do subsolo” e do “homem-universo”, este volume é uma excelente porta de entrada para os leitores que quiserem conhecer mais a fundo a obra deste gênio da literatura.
As margens da ficção
Tradução de Fernando Scheibe
Coleção Trans
Se, na idade moderna, a sociologia, a ciência política e outras formas de conhecimento tomaram para si a razão ficcional aristotélica, produzindo narrativas com começo, meio e fim, invertendo ao final as expectativas, a ficção moderna trilhou o caminho contrário e instaurou no centro da literatura aquilo que sempre esteve nas suas beiradas — os acontecimentos triviais, os seres humanos comuns e o momento qualquer que pode condensar uma vida inteira. Nos doze ensaios de As margens da ficção, Jacques Rancière, um dos principais nomes da filosofia francesa contemporânea, acompanha esse processo revolucionário inicialmente nas obras de Stendhal, Balzac, Flaubert, Proust e Rilke, passa pelas técnicas narrativas em O capital de Karl Marx, até chegar nos romances de Conrad, Sebald, Faulkner e Virginia Woolf, fechando com uma inspirada análise das Primeiras estórias de Guimarães Rosa.
Poesia em risco
Itinerários para aportar nos anos 1970 e além
Com a visão sensível para penetrar em cada poema e nele identificar tanto a contribuição individual como as marcas de época, Viviana Bosi, professora de Teoria Literária da USP, se debruça neste livro sobre a obra de Augusto de Campos, Ferreira Gullar, Torquato Neto, Armando Freitas Filho, Ana Cristina Cesar, Francisco Alvim, Rubens Rodrigues Torres Filho, Sebastião Uchoa Leite e boa parte da poesia marginal da década de 1970. Fruto de extensa pesquisa, Poesia em risco não se limita à poesia registrada nos livros, mas reconstitui minuciosamente o circuito das publicações alternativas, revistas, jornaizinhos e fanzines por meio dos quais, em vários lugares do Brasil, as correntes do concretismo vieram se chocar e se misturar com as águas da poesia marginal.
Formação e desconstrução
Uma visita ao Museu da Ideologia Francesa
Posfácio de Giovanni Zanotti
Neste livro, o filósofo Paulo Arantes, um dos mais destacados intelectuais brasileiros da atualidade, guia o leitor pelos caminhos percorridos pela chamada Ideologia Francesa, conjunto prestigioso de ideias que reuniu pensadores como Foucault, Derrida e, na sua variante franco-brasileira, Gérard Lebrun. Sua hegemonia atingiu o ápice no final dos anos 1980, quando, dentro do sistema universitário americano, misturou-se à Teoria da Ação Comunicativa de Habermas e ao neopragmatismo de Richard Rorty. Para o autor, esse cruzamento de conceitos em que predomina a noção de discurso revela na verdade transformações históricas reais, como, por exemplo, o papel legitimador que involuntariamente essas ideias tiveram na atual fase do capitalismo.
A novela no início do Renascimento
Itália e França
Tradução de Tercio Redondo
Coordenação editorial, revisão técnica e posfácio de Leopoldo Waizbort
Prefácio de Fritz Schalk
Publicado pela primeira vez em 1921, A novela no início do Renascimento marca a estreia de Erich Auerbach (1892-1957), autor de Mimesis, na crítica literária, abrindo caminho para uma obra em que está contemplado todo o arco da literatura ocidental. Privilegiando sobretudo o Decameron de Boccaccio (século XIV), após Dante “juntar novamente mundo e destino”, Auerbach explica o momento em que as narrativas medievais, vinculadas à Bíblia e ao sagrado, dão lugar a uma nova forma de literatura — mais aristocrática na Itália e mais burguesa na França —, mostrando homens e mulheres enredados nos acontecimentos, prazeres e dores do mundo terreno.
Seja como for reúne entrevistas, perfis, artigos e documentos daquele que é, na tradição da Escola de Frankfurt, um dos mais importantes críticos da atualidade. O livro cobre cinquenta anos de uma trajetória na qual a coerência, mais que o apego a um método, está ligada aos problemas objetivos do capitalismo contemporâneo. Roberto Schwarz foi o que mais levou a fundo a análise de suas consequências para a vida cultural na periferia, notadamente em seus estudos sobre Machado de Assis, revelando nesse escritor um crítico até então insuspeitado da modernidade — olhar agudo que se estende, no conjunto de sua obra, a vários outros autores e temas. Por sua atualidade, cabe destacar os textos que revisitam o ensaio "Cultura e política, 1964-1969", nos quais o crítico se interroga acerca da produção artística num quadro que combina o avanço do capital e uma ordem política retrógrada - questão que retorna, com urgência extrema, no Brasil do século XXI.
A palavra na vida e a palavra na poesia
Ensaios, artigos, resenhas e poemas
Tradução de Sheila Grillo, Ekaterina Vólkova Américo
Valentin Volóchinov foi um dos principais integrantes do Círculo de Bakhtin e autor dos livros O freudismo (1927) e Marxismo e filosofia da linguagem (1929). A presente coletânea reúne, pela primeira vez no Brasil em tradução direta do russo, todos os outros ensaios conhecidos do autor, incluindo textos fundamentais como "A palavra na vida e a palavra na poesia" e "A construção do enunciado", além de resenhas e estudos sobre música inéditos em nosso país. O volume inclui ainda um alentado ensaio das tradutoras Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo, que ilumina aspectos pouco conhecidos da biografia de Volóchinov e do meio intelectual em que os textos do Círculo foram criados.
A dupla noite das tílias
História e natureza no <em>Fausto</em> de Goethe
Partindo do conceito de Weltliteratur, "literatura mundial", cunhado por J. W. Goethe (1749-1832), e do entendimento de que cada época pode reinterpretar as grandes obras de arte a partir de seu próprio contexto, Marcus Vinicius Mazzari, professor da Universidade de São Paulo, propõe uma leitura atualizada do Fausto, a obra máxima do grande autor alemão. Em A dupla noite das tílias, Mazzari analisa temas que abarcam a poesia, a história, a economia e a preservação da natureza, detendo-se particularmente no quinto ato do Fausto II, que concentra a chamada "tragédia da colonização", e elabora uma interpretação própria para as "fórmulas ético-estéticas" cunhadas por Goethe em sua maturidade.
Teoria do romance III
O romance como gênero literário
Tradução de Paulo Bezerra
Organização da edição russa de Serguei Botcharov e Vadim Kójinov
Este terceiro e último volume da Teoria do romance de Mikhail Bakhtin, traduzido da mais recente edição crítica russa, traz dois ensaios fundamentais do autor: "Sobre a pré-história do discurso romanesco" (de 1940), em que é analisada a importância dos diversos estilos paródicos no surgimento do romance; e "O romance como gênero literário" (de 1941, antes conhecido como "Epos e romance"), no qual se discute a especificidade do discurso romanesco em contraposição às formas da épica. No posfácio ao volume, o tradutor Paulo Bezerra destaca a originalidade das ideias de Bakhtin, que alteraram de forma radical os rumos da teoria literária no século XX.
Sertão mar é um clássico do ensaísmo crítico brasileiro. Com ele, a obra cinematográfica de Glauber Rocha ganhou um nível de compreensão inédito, fundamentado agora na análise minuciosa da forma em seus filmes. Ressaltando a originalidade de Barravento (1962) e Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber, em contraponto a O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte, e O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, Ismail Xavier mostra como o diretor baiano realizou a fusão do cinema de vanguarda com o que ele mesmo chamou de "estética da fome", transformando as precárias condições do Terceiro Mundo em motor de invenção de sua obra. Esta nova edição inclui em apêndice o posfácio de Leandro Saraiva à segunda edição do livro (2007), o prefácio de Mateus Araújo à edição francesa (2008), e uma entrevista do autor a Vinicius Dantas realizada em 1983.