Este terceiro volume do Teatro completo de Eurípides, bilíngue, com traduções e estudos de Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da USP, reúne três peças encenadas entre 424 e 415 a.C. Em As Suplicantes o conflito se instaura entre o dever de dar sepultura apropriada aos guerreiros de Argos que pereceram no ataque a Tebas e o risco de incorrer em novas disputas políticas. Já em Electra, a peça abre com a protagonista vivendo longe do palácio real, após a morte de seu pai Agamêmnon; com a chegada do irmão Orestes, este e Electra tramam uma vingança contra os responsáveis pelo assassinato do pai. Em Héracles, depois de resgatar o pai, a esposa e os filhos que se encontram ameaçados de morte pelo usurpador do trono de Tebas, o herói, que acabara de cumprir o último de seus doze trabalhos, é visitado pela deusa Fúria, causando uma reviravolta surpreendente no enredo da peça.
Brunetto Latini (c. 1220-1294) foi um importante literato e político de Florença, conterrâneo e mestre de ninguém menos que Dante Alighieri. Em A Retórica, ele traduz e comenta minuciosamente os principais trechos do tratado De inventione, de Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.), sobre a arte da retórica. Homem à frente de seu tempo, foi movido por um espírito democratizante que Brunetto se dedicou a traduzir a obra do latim para o idioma italiano, pois tal como Cícero, ele entende que a retórica é “a mais importante das ciências do homem, pela sua capacidade de produzir ambientes harmônicos em que prevalece a razão”. A tradução de Emanuel França de Brito, a primeira feita no Brasil deste clássico pré-renascentista, vem acompanhada de notas e de um alentado estudo introdutório do tradutor, professor de língua e literatura italianas na Universidade Federal Fluminense.
A peça Rei Lear, que estreou em Londres em 1606, é uma das maiores criações de William Shakespeare (1564-1616) e um dos pontos culminantes da dramaturgia mundial. A tragédia do octogenário rei bretão tem início quando este decide abdicar do trono e partilhar seu reino entre as três filhas, equiparando a herança de cada uma ao afeto que lhe demonstram. A trama ganha cor e relevo extraordinários nesta edição bilíngue com a apurada tradução de Rodrigo Lacerda — premiado escritor e tradutor, autor também de um valioso posfácio a iluminar os temas centrais da obra e o contexto da época —, que resultou num texto extremamente fiel ao original e apto a ser lido com beleza e fluência, seja por atores em cena, seja pelo leitor solitário no palco de sua imaginação.
Este volume bilíngue é o segundo dos seis que formam o Teatro completo de Eurípides (c. 480-406 a.C.), coleção que reunirá as dezenove peças do autor que sobreviveram até os nossos dias. O volume II inclui as tragédias Os Heraclidas (c. 430 a.C.), Hipólito (428 a.C.), Andrômaca (c. 425 a.C.) e Hécuba (c. 424 a.C.). Com protagonistas femininas marcantes e a representação de indivíduos que se manifestam “em oposição sistemática contra as ordens estabelecidas”, a obra de Eurípides continua a comover e a interrogar seus leitores cerca de 25 séculos depois de ter sido criada. Como no volume I, a tradução precisa de Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da USP, vem acompanhada de estudos introdutórios sobre cada uma das peças.
Um dos principais poetas líricos da Grécia antiga, ao lado de Safo, Píndaro e outros, Anacreonte nasceu em Teos, no século VI a.C., viveu em Samos e Atenas, e conquistou enorme fama ainda em vida, cantando os prazeres do amor e do vinho. Sua vasta obra foi organizada em cinco livros no período helenístico, dos quais sobreviveram apenas fragmentos. Esta é a primeira reunião em língua portuguesa da totalidade desses fragmentos, bem como das Anacreônticas, o corpus de poemas tardios, anônimos, feitos em sua homenagem ou imitando seu estilo. Responsável pela tradução e apresentação da obra, Leonardo Antunes, professor de língua e literatura grega na UFRGS, tece também comentários detalhados a cada poema ou fragmento, sempre lastreado pelo rigor do pesquisador acadêmico e pela sensibilidade do tradutor que é também músico e poeta.
A figura de Ájax, um dos heróis da Guerra de Troia, tem fascinado o público desde a mais remota Antiguidade. Nesta tragédia de Sófocles (496-406 a.C.), um dos pontos altos da dramaturgia mundial, o foco volta-se para a sua derrocada. Após o julgamento que destinou as armas de Aquiles a Odisseu, Ájax se revolta e decide matar Agamêmnon, Menelau e o próprio Odisseu. A partir desse evento, Sófocles vai discutir uma das questões centrais de sua época: como as tradições das antigas aristocracias, representadas na peça por Ájax, poderiam ser medidas em face dos novos valores da democracia ateniense? O presente volume, bilíngue, inclui o clássico ensaio de Bernard Knox sobre a tragédia e a brilhante tradução de Trajano Vieira, que soube recriar em nossa língua toda a riqueza de registros do texto sofocliano.
Beowulf é o mais célebre poema da literatura anglo-saxônica. De autoria anônima, foi composto no século VIII e sobreviveu em apenas um manuscrito, preservado na British Library. Sua influência na literatura de língua inglesa é enorme, tendo sido fundamental para a obra de J. R. R. Tolkien, o autor de O Senhor dos Anéis. Ambientado na Escandinávia dos séculos V e VI, com o que seriam os antepassados dos primeiros reis da Inglaterra, o poema narra os feitos do herói Beowulf, um corajoso guerreiro que livra a corte do rei Hrothgar de dois aterrorizantes monstros do pântano, e cinquenta anos depois tem um novo e decisivo confronto, desta vez com um dragão alado que cospe fogo. Esta obra repleta de imagens inesquecíveis tem ainda inspirado diversos jogos e séries, de Dungeons & Dragons a Game of Thrones. Publicado em edição bilíngue, com prefácio de Jorge Luis Borges, este volume conta com a bela e fluente tradução em prosa de Elton Medeiros, autor também das notas e de um posfácio em que contextualiza historicamente a produção do Beowulf e sua recepção pela crítica. Completam o volume mais quatro breves poemas anglo-saxônicos de época, além de glossário, bibliografia, genealogia, cronologia e mapas dos locais e personagens relacionados à obra.
O presente volume, o segundo das Obras completas de Rabelais publicadas pela Editora 34, dá sequência às aventuras do gigante Pantagruel e seus companheiros iniciadas com Pantagruel e Gargântua. Assim, no Terceiro livro (1546), numa paródia aos diálogos filosóficos, temos a busca de Panurgo para deslindar sua grande dúvida existencial: se contrair matrimônio, será corneado ou não? Essa procura, nos moldes do Santo Graal, levará depois, no Quarto livro (1552), o séquito de Pantagruel para uma navegação de descobrimentos por várias ilhas fantásticas, em que os habitantes animalescos de cada localidade parodiam os vários segmentos da sociedade medieval. As peregrinações se concluem no Quinto livro (1564), publicado onze anos após a morte de Rabelais, quando finalmente chegam ao oráculo da Divina Garrafa, anunciado no início da jornada. Como no volume anterior, temos aqui a primorosa tradução de Guilherme Gontijo Flores, que soube como ninguém recriar toda as invenções linguísticas de Rabelais, e que assina também as notas introdutórias que abrem cada capítulo dos três livros. Arrematam a edição mais de 160 ilustrações de Doré, realizadas entre 1854 e 1873.
Este volume bilíngue é o primeiro dos seis que formam o Teatro completo de Eurípides (c. 480-406 a.C.), coleção que reunirá as dezenove peças do autor que sobreviveram até os nossos dias. O volume I traz o drama satírico O Ciclope, a tragédia Alceste (438 a.C.), e aquela que é uma das obras mais célebres do dramaturgo ateniense, a Medeia (431 a.C.), representada no primeiro ano da Guerra do Peloponeso. A tradução criteriosa e fluente de Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da Universidade de São Paulo, vem acompanhada de estudos esclarecedores sobre cada uma das peças e, neste volume em particular, de uma valiosa introdução sobre o sentido das tragédias gregas em seu contexto histórico.
Este volume reúne quatro diálogos pouco conhecidos de Platão: Alcibíades Segundo, Teages, Dois Homens Apaixonados e Clitofonte. Embora tradicionalmente tenham sido vistos como integrantes da vasta produção do filósofo grego, a partir dos séculos XIX e XX boa parte dos estudiosos passou a ignorá-los, considerando-os de autoria duvidosa ou mesmo inautênticos. A presente edição, bilíngue, traz os quatro diálogos traduzidos por André Malta, professor livre-docente da Universidade de São Paulo, acompanhados de notas, de uma introdução e de um vigoroso ensaio final, “Plato litteratus e o mosaico platônico”, em que o tradutor não só justifica o resgate destes belos textos (que tratam da ignorância, da sabedoria e da própria filosofia), como propõe uma reorganização mais livre do corpus platonicum.
Grande sucesso editorial lançado originalmente na França, Bíblia: as histórias fundadoras reúne trinta e cinco histórias fundamentais do Antigo Testamento, selecionadas e recontadas de forma breve para jovens de todas as idades pelo escritor Frédéric Boyer, tradutor de Santo Agostinho, acompanhadas das belas ilustrações coloridas de Serge Bloch em grande formato. São histórias fundadoras porque estão entre as mais antigas e longevas do patrimônio literário da humanidade e estão na raiz de três das grandes tradições religiosas do planeta — narrativas que vão do Jardim do Éden à torre de Babel, da arca de Noé às tábuas de Moisés, dos patriarcas fundadores aos profetas e aos grandes reis, passando por figuras femininas inesquecíveis como Ruth, Ester e a rainha de Sabá.
O tratado Linhas fundamentais da filosofia do direito, ou simplesmente Filosofia do direito, de G. W. F. Hegel, publicado em 1820, é um dos pilares do sistema filosófico do autor e um dos livros mais influentes do pensamento ocidental. Com reflexões fundamentais sobre o direito, a sociedade e a organização do Estado, esta obra ganha agora, duzentos anos depois, uma edição em português à altura, fruto de três décadas de trabalho de Marcos Lutz Müller (1943-2020), professor livre-docente da Unicamp, que realizou uma cuidadosa tradução do texto original, redigindo mais de seiscentas notas explicativas e um glossário completo dos termos e conceitos utilizados. O volume traz ainda as elucidativas anotações de época organizadas por Eduard Gans, discípulo de Hegel, e o belo ensaio “A instituição da liberdade”, de Jean-François Kérvegan, da Université Panthéon-Sorbonne.