Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura russa

89 títulos

Zoo, ou Cartas não de amor
Tradução de Vadim Nikitin
Introdução de Richard Sheldon
Texto em apêndice de Letícia Mei

Exilado em Berlim nos anos 1920 junto com muitos outros artistas e escritores russos, Viktor Chklóvski (1893-1984), um dos principais teóricos do Formalismo Russo, apaixonou-se pela jovem escritora Elsa Triolet e passou a lhe enviar cartas diariamente. Ela aceitou as cartas, impondo uma única condição: que elas não falassem de amor. Zoo, ou Cartas não de amor (1923) é o genial romance epistolar resultante dessa correspondência. Num verdadeiro surto criativo, Chklóvski recorre aos mais variados assuntos e formas literárias para lidar com a proibição, mas, não obstante, a paixão reprimida se insinua a todo momento por entre as linhas desta prosa ágil, divertida e emocionada. Inédito no Brasil, Zoo traz a criteriosa tradução de Vadim Nikitin, que se baseou na última edição revista pelo autor, de 1966, e inclui uma introdução do crítico e tradutor Richard Sheldon e um perfil biográfico de Elsa Triolet.

“Um grande mestre da narrativa”, segundo Thomas Mann, Nikolai Leskov (1831-1895) criou uma prosa original e pitoresca, misturando expressões da língua arcaica e da fala popular que ouviu nas inúmeras viagens pelo vasto território russo em seus anos de trabalho como agente comercial, ainda antes de se tornar escritor. Tudo isso pode ser plenamente verificado em Um pequeno engano e outras histórias, que traz oito pequenas obras-primas escritas entre 1863 e 1885. O volume foi organizado e traduzido por Noé Oliveira Policarpo Polli, da Universidade de São Paulo, que assina também as notas, os comentários aos contos e um alentado ensaio sobre os nomes dados por Leskov a suas obras e personagens.

No degrau de ouro
Tradução de Tatiana Belinky
Posfácio de Cecília Rosas

Publicado originalmente em 1987, No degrau de ouro é uma das grandes estreias literárias do século soviético. Joseph Brodsky aclamou sua autora como “a voz mais original e luminosa da prosa russa atual”, e ainda hoje, décadas depois, Tatiana Tolstáia é considerada uma das maiores contistas contemporâneas devido à força desta obra. Aqui ela nos apresenta uma galeria de pessoas comuns, invariavelmente insatisfeitas com a vida, em cujo cotidiano monótono abrem-se janelas para vívidas recordações e devaneios, criando uma atmosfera de conto de fadas em meio à dura realidade da União Soviética. Neste volume, ao longo de seus treze contos, a exuberante prosa de Tolstáia é capturada magistralmente por Tatiana Belinky, ela própria uma grande personalidade de nosso meio literário, nesta que é uma de suas mais belas traduções.

Contos de Sebastopol reúne três relatos de Lev Tolstói, combinando reportagem e ficção, que descrevem um dos acontecimentos mais dramáticos da Guerra da Crimeia (1854-1855): o cerco à cidade de Sebastopol, em que o exército russo, que havia tomado a Crimeia aos turcos, viu-se sitiado pelas tropas inglesas e francesas. Tolstói era então um jovem oficial que, percorrendo os hospitais de campanha e os fronts de batalha, deixou seu testemunho em uma prosa enxuta e viva, que se afasta dos lugares-comuns heroicos e românticos e busca traçar um retrato fiel da experiência da guerra. O volume traz ainda um texto do historiador inglês Orlando Figes sobre a Guerra da Crimeia, um retrato do escritor feito por um ex-colega de regimento, e um texto do próprio Tolstói em que, décadas depois, ele reflete sobre o absurdo da guerra num verdadeiro libelo pacifista.

Publicada em 1857, a novela Ássia é um dos exemplos mais acabados do talento de Ivan Turguêniev, um dos maiores escritores russos, em revelar, sem panfletarismo, as estruturas mais profundas da sociedade de seu país. O enredo aparentemente singelo — em que um nobre russo viajando pela Alemanha faz amizade com um casal de irmãos, também russos, e se apaixona pela irmã mais nova, Ássia — traz, em uma camada mais profunda, uma discussão sobre as relações entre as elites e os servos emancipados. Ao mesmo tempo, o livro aborda o tema do “homem supérfluo”, aquela geração de jovens da nobreza russa que tinha grandes ideais, mas era incapaz de colocá-los em prática. No posfácio ao volume, a tradutora Fátima Bianchi aponta os fortes elementos autobiográficos inscritos na narrativa, e demonstra que esta novela concisa ocupa um lugar central na vida e obra de Turguêniev.

O tenente Quetange
Tradução de Aurora Fornoni Bernardini
Prefácio de Boris Schnaiderman
Posfácio de Veniamin Kaviérin
Conhecido como um dos grandes nomes da corrente formalista da teoria literária, Iuri Tyniánov (1894-1943) foi também um talentoso escritor. Em O tenente Quetange, sua obra mais conhecida, Tyniánov lança mão de capítulos breves e uma linguagem telegráfica para contar uma história ambientada no século XVIII, durante o reinado do tsar Paulo I. Nesta novela satírica o erro de um escrivão em um decreto imperial gera um personagem fictício, o tenente do título, que acaba ganhando vida própria graças aos surreais mecanismos da burocracia russa. Junto à celebrada tradução de Aurora Bernardini e à apresentação de Boris Schnaiderman, este volume traz ainda um posfácio, inédito em português, do escritor e dramaturgo soviético Veniamin Kaviérin.
Depois de levar a arte do romance ao seu apogeu com Guerra e paz e Anna Kariênina, Lev Tolstói, no auge de sua fama, dedicou-se a buscar uma forma minimalista, capaz de condensar nas poucas páginas de uma novela toda a riqueza e a complexidade de suas grandes criações. Concebido ao longo de mais de uma década e publicado somente em 1911, um ano após a morte do autor, O cupom falso está estruturado em duas partes simétricas. Se, na primeira, a falsificação de um cupom monetário por um jovem estudante dispara uma sequência de acontecimentos catastróficos envolvendo múltiplos personagens, na segunda parte assistimos ao movimento reverso, em que as ações humanas passam do mal à redenção.
A filha do capitão
Tradução de Boris Schnaiderman
Prefácio de Otto Maria Carpeaux
Considerada a mais importante obra em prosa de Púchkin, o romance histórico A filha do capitão foi publicado em 1836, meses antes da morte do autor em um duelo. O livro narra a história de um jovem oficial que é enviado para uma distante fortaleza do Império Russo e se apaixona pela filha do comandante local, quando irrompe a revolta camponesa de 1773 liderada por Emelian Pugatchóv, um cossaco que reivindicava o poder passando-se pelo falecido tsar Pedro III, marido de Catarina, a Grande. Nesta nova edição desse clássico da literatura, a consagrada tradução de Boris Schnaiderman é complementada por um prefácio de Otto Maria Carpeaux e pelos capítulos iniciais da História de Pugatchóv, de 1834, o único estudo histórico que Púchkin publicou em vida.
Bebendo tanto nas vanguardas literárias como na cultura pop contemporânea, o russo Vladímir Sorókin é um dos escritores mais originais da atualidade. Após ter seus livros incendiados em Moscou por partidários do governo, ele publicou em 2006 o romance O dia de um oprítchnik. Neste livro passamos um dia em companhia de Andrei Komiága, membro da Oprítchnina, a violenta guarda de elite do tsar Ivã, o Terrível, recriada por Sorókin no ano de 2027, em uma Rússia ao mesmo tempo soviética, medieval e futurista. Em meio a execuções sumárias, negociações de suborno e orgias regadas a drogas, narradas em primeira pessoa pelo miliciano, vamos conhecendo as particularidades dessa realidade distópica, estranhamente parecida com a realidade atual.
Meninas
Tradução de Irineu Franco Perpetuo
Posfácio de Danilo Hora
Primeira obra de Liudmila Ulítskaia publicada no Brasil, Meninas reúne seis contos que formam um ciclo de histórias perfeitamente arquitetado pela autora. Ambientados em Moscou no período próximo à morte de Stálin, em 1953, os contos são protagonizados por meninas de 9 a 11 anos de idade, que aparecem e reaparecem na peculiar sequência das narrativas. Reconhecida como uma das maiores prosadoras russas em atividade e recorrentemente cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, Ulítskaia explora aqui com graça e sensibilidade as refrações da grande história no mundo interior e nas relações sociais das personagens.
Este volume, que traz escritos de Dostoiévski inéditos no Brasil, inclui uma apresentação que o autor redigiu em 1845 para anunciar a revista de humor O Trocista (logo interditada pela censura) e os cinco folhetins publicados em um jornal de São Petersburgo, entre abril e junho de 1847, intitulados Crônicas de Petersburgo. Nestes textos saborosos e provocadores, em que a própria cidade assume o papel de protagonista, podemos observar alguns traços de estilo — a dicção veloz, a mescla de registros, a aguda análise psicológica — que mais tarde se tornariam marcas inconfundíveis do autor de Crime e castigo.
Anna Kariênina
Tradução de Irineu Franco Perpetuo
Prefácio de Thomas Mann
Para Vladímir Nabókov, Anna Kariênina é “uma das maiores histórias de amor da literatura mundial”, e Thomas Mann, no prefácio incluído neste volume, o considera “o romance social mais poderoso” já escrito. Rico panorama da Rússia de fins do século XIX, a obra narra, por um lado, o drama da bela e impetuosa Anna Kariênina, que, infeliz no casamento, enfrenta o julgamento cruel da alta sociedade de Moscou ao assumir sua paixão pelo conde Vrônski. Por outro lado, acompanhamos o proprietário de terras Lióvin — alter ego do autor — em sua busca pelo ideal de uma vida feliz no campo ao lado da jovem Kitty, bem como seus dilemas intelectuais em torno da fé e da justiça social. Vertido diretamente do russo por Irineu Franco Perpetuo, que também assina o posfácio, esta nova tradução acompanha todas as nuances do imortal romance de Tolstói, seja na exuberante riqueza de detalhes da narrativa, seja na fascinante profundidade psicológica das personagens.