Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura russa

89 títulos

Almas mortas
Tradução de Rubens Figueiredo
Posfácio de Donald Fanger
Publicado em 1842, Almas mortas é a grande obra-prima de Gógol, romance no qual o autor, considerado o fundador da moderna literatura russa, elabora um retrato ao mesmo tempo lírico e satírico de seu país. A narrativa traz a história de Tchítchikov, um especulador de São Petersburgo que viaja pelo interior da Rússia adquirindo, dos proprietários de terras locais, os servos ("almas") já falecidos, mas que ainda estavam registrados como vivos no último censo. Baseada na mais recente edição crítica russa, a brilhante tradução de Rubens Figueiredo é acompanhada de quatro textos de Gógol comentando a redação do livro e as reações à sua publicação. O volume inclui ainda os rascunhos que restaram da segunda parte do romance e um ensaio assinado por Donald Fanger, professor emérito da Universidade de Harvard, que analisa em detalhe toda a genialidade da prosa do autor.
Viagem sentimental
Tradução de Cecília Rosas
Posfácio de Galin Tihanov
Coleção Narrativas da Revolução
Viktor Chklóvski (1893-1984), o grande crítico formalista russo, autor de Sobre a teoria da prosa, foi instrutor de blindados, comissário do exército e conspirador antibolchevique durante a Primeira Guerra Mundial, as revoluções de Fevereiro e Outubro de 1917 e a guerra civil que se seguiu em seu país. Viagem sentimental, publicado em 1923, é seu impressionante testemunho sobre este período caótico e violento, escrito com uma prosa peculiar, que mescla ironia e lirismo, abordando desde os fronts de guerra até a vida literária no início da república soviética.
Nós
Tradução de Francisco de Araújo
Posfácio de Cássio de Oliveira
Coleção Narrativas da Revolução
Escrito entre 1920 e 1921 pelo russo Ievguêni Zamiátin (1884-1937), Nós é o romance fundador do gênero distópico, tendo influenciado autores como Aldous Huxley e George Orwell. Num futuro distante, com a população mundial reduzida a 10 milhões de habitantes, instituiu-se uma sociedade controlada e mecanizada, o Estado Único. Nela não há espaço para o indivíduo, apenas para o coletivo, as pessoas não têm nomes, apenas números, e qualquer desvio é punido com a morte. Um engenheiro, D-503, escreve um diário (o próprio livro) a fim de registrar os inúmeros benefícios desse mundo "perfeito". Entretanto, ele verá suas convicções abaladas ao conhecer uma mulher misteriosa, I-330, e passar a ter sentimentos há muito reprimidos: sonho, amor, fantasia...
O ano nu
Tradução de Lucas Simone
Posfácio de Georges Nivat
Coleção Narrativas da Revolução
O ano nu, de Boris Pilniák (1894-1938), publicado em 1922, capta o impacto da Revolução de 1917 em um vilarejo à beira das estepes orientais, acompanhando, no calor da hora, o declínio da nobreza rural e a ascensão dos camponeses no ano de 1919. Com sua escrita extremamente inventiva, que incorpora arcaísmos, onomatopeias, refrões e citações de crônicas antigas, o autor criou uma forma literária nova, que, como nota Georges Nivat no posfácio, está próxima das experiências do cinema de vanguarda de Dziga Vertov e Serguei Eisenstein.
Diário de Kóstia Riábtsev
Tradução de Lucas Simone
Posfácio de Muireann Maguire
Coleção Narrativas da Revolução
O Diário de Kóstia Riábtsev (1926) foi uma das primeiras obras soviéticas de ficção a obter repercussão mundial. A partir de sua experiência como pedagogo, Nikolai Ognióv (1888-1938) cria o personagem de Kóstia, um estudante impulsivo e franco que narra em seu diário o cotidiano dos primeiros anos após a Revolução, abordando tanto as grandes questões sociais do período como as desventuras da vida de um adolescente comum.
Inveja
Tradução de Boris Schnaiderman
Coleção Narrativas da Revolução
Publicada na Rússia em 1927, a novela Inveja é um dos mais bem-sucedidos experimentos de prosa de ficção do período revolucionário. Com um ritmo vertiginoso, que por vezes lembra uma tela cubista, Iúri Oliecha (1899-1960) põe em cena, de um lado, um jovem sonhador e despreparado para a vida e, de outro, um poderoso diretor de indústrias do novo regime soviético. O resultado é um livro de humor lancinante, repleto de ambiguidades, e cuja intensidade verbal e imaginação desenfreada foram recriadas com brilho pela tradução de Boris Schnaiderman, que também assina dois ensaios sobre Oliécha e sua obra incluídos nesta edição.
O mestre e Margarida, do escritor russo Mikhail Bulgákov (1891-1940), é considerado um dos grandes romances do século XX. Redigido entre 1928 e 1940 e inspirado no Fausto de Goethe, o livro narra a chegada do diabo e seu séquito a Moscou nos anos 1930. O grupo, que inclui um gato falante, uma bruxa e um sinistro capanga, causa um verdadeiro caos na cidade, subvertendo a ordem e alterando a vida de seus habitantes - como o mestre, que escreve um romance sobre Pôncio Pilatos, e Margarida, sua amada. Sátira alucinante do regime stalinista, o livro só pôde ser publicado na íntegra na União Soviética em 1973. A presente tradução, a cargo de Irineu Franco Perpetuo, foi realizada a partir da mais recente e completa edição russa, lançada em 2014.
Khadji-Murát
Tradução de Boris Schnaiderman
Inclui o ensaio
"Tolstói: antiarte e rebeldia",
de Boris Schnaiderman
Obra-prima de uma atualidade impressionante, a novela Khadji-Murát é o último livro de Tolstói e está à altura dos seus grandes romances Anna Kariênina e Guerra e paz. Centrado na figura do líder rebelde tchetcheno Khadji-Murát (1796-1852) - pela qual o escritor se interessou desde que serviu no Cáucaso como soldado, na juventude -, o livro narra em 25 capítulos curtos sua luta pela sobrevivência e pela afirmação dos valores de sua cultura. Com um ritmo fluente e vertiginoso, que lembra o cinema, Tolstói criou uma narrativa insuperável, um pequeno épico repleto de poesia, natureza, ação, lirismo, história e denúncia da violência. O volume inclui ainda o ensaio "Tolstói: antiarte e rebeldia", de Boris Schnaiderman, que discute a vida e a obra do grande escritor russo, e a importância de Khadji-Murát em sua produção.
Contos reunidos
Organização de Fátima Bianchi
Tradução de Priscila Marques, Boris Schnaiderman, Paulo Bezerra, Fátima Bianchi
Esta coletânea reúne os 28 contos de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), do primeiro ao último ano de sua trajetória como escritor, todos eles em traduções diretas do russo, incluindo vários textos inéditos no Brasil. Procurando ser fiel ao espírito de sua obra, foi utilizada aqui uma concepção ampla de "conto", que inclui também breves novelas, narrativas autônomas dentro de romances e peças jornalísticas com viés ficcional. O volume traz ainda uma bela apresentação de Fátima Bianchi, que analisa a importância das narrativas curtas na obra de Dostoiévski, versões alternativas de "O ladrão honrado" e "A mulher de outro e o marido debaixo da cama", e uma cronologia detalhada da vida do escritor, mapeando a produção de cada um de seus contos, novelas e romances.
Ensaios sobre o mundo do crime
(Contos de Kolimá 4)
Tradução de Francisco de Araújo
Posfácio de Varlam Chalámov
Neste quarto volume dos Contos de Kolimá, Varlam Chalámov realiza um verdadeiro estudo sociológico sobre os criminosos comuns com quem conviveu nos terríveis campos de trabalhos forçados do regime stalinista. Em oito textos, o autor faz uma descrição perspicaz da cultura do mundo do crime, critica a romantização dos bandidos na literatura e mostra como o governo soviético muitas vezes se utilizou da "mão de obra" de delinquentes profissionais para reprimir e eliminar os prisioneiros políticos nos lagers russos. O volume inclui ainda um texto em que Chalámov lista as "lições" que aprendeu nos campos, além de uma carta a Soljenítsin em que delineia suas diferenças em relação ao autor de Arquipélago Gulag.
A ressurreição do lariço
(Contos de Kolimá 5)
Tradução de Daniela Mountian, Moissei Mountian, Marina Tenório
Posfácio de Varlam Chalámov
Em A ressurreição do lariço, quinto volume dos Contos de Kolimá, Varlam Chalámov (1907-1982) segue com a missão que ele se propôs após ter sobrevivido aos gulags russos: a de dar testemunho sobre o que viu nos campos de trabalhos forçados, onde morreram milhões de pessoas. São particularmente tocantes os contos em que o autor reconstitui a vida de prisioneiros - como um brilhante engenheiro, uma militante revolucionária, um ex-general do Exército Vermelho ou um diretor teatral de vanguarda - e sua luta para manter a dignidade em meio à barbárie. Fecha o volume um ensaio de Chalámov em que ele discute a literatura e o processo de criação dos Contos de Kolimá.
Obra que inspirou o filme Youth Without Youth, de Francis Ford Coppola, Uma outra juventude nos revela uma faceta pouco conhecida do pai da moderna História das Religiões, Mircea Eliade (1907-1986): a de um inventivo escritor de ficção. Mesclando romance de espionagem e literatura fantástica, a narrativa traz a história de um grande linguista que, atingido por um raio, rejuvenesce e passa a ser perseguido pelos nazistas, interessados nas extraordinárias capacidades mentais que ele adquire. O volume, traduzido diretamente do romeno por Fernando Klabin, se completa com outra novela curta, Dayan, em que um jovem matemático, auxiliado pela lendária figura do Judeu Errante, tenta decifrar o famoso teorema da incompletude de Gödel.