Literatura Estrangeira
215 títulos
A cruzada das crianças
Tradução de Milton Hatoum
Ilustrações de Fidel Sclavo
Prólogo de Jorge Luis Borges
Projeto gráfico de Raul Loureiro
A cruzada das crianças é uma pequena obra-prima do francês Marcel Schwob (1867-1905), o “escritor dos escritores”, admirado por nomes como Oscar Wilde, Valéry, Borges e Roberto Bolaño. Publicado originalmente em 1896, o livro recria poeticamente a lendária cruzada das crianças de 1212 rumo a Jerusalém, a partir dos relatos de pessoas ligadas ao evento, incluindo um goliardo, um místico árabe, um leproso e os papas Inocêncio III e Gregório IX. Cada um dos oito capítulos traz uma versão diferente daquela trágica jornada rumo ao Santo Sepulcro, em narrativas conduzidas pelo texto cativante de Schwob — “angelical e diabólico”, segundo Noemi Jaffe —, apresentado aqui na bela tradução de Milton Hatoum.
Escritos da casa morta
Tradução de Paulo Bezerra
Posfácio de Konstantin Motchulski
Xilogravuras de Oswaldo Goeldi
Livro que marca uma verdadeira ressurreição para Dostoiévski, após um período de quase dez anos preso e exilado na Sibéria, Escritos da casa morta (também conhecido como Recordações da casa dos mortos), publicado entre 1860 e 1862, parte de um registro antropológico da vida e dos costumes dos presos comuns, encarcerados com ele na fortaleza de Omsk, para empreender um mergulho profundo na psicologia do ser humano. A presente edição foi traduzida diretamente do russo por Paulo Bezerra, que também assina a apresentação do volume, e inclui três textos de época e um posfácio de Konstantin Motchulski, um dos principais biógrafos de Dostoiévski, além da série completa de 43 xilogravuras realizadas por Oswaldo Goeldi em 1945.
Lançada em 1856, época em que Lev Tolstói (1828-1910) fez sua entrada triunfal no cenário das letras russas, a novela Dois hussardos traz as histórias de pai e filho, ambos nobres e membros da cavalaria militar, que, num intervalo de vinte anos, detêm-se por uma noite na mesma cidade de província. Nesta que é considerada por Italo Calvino, autor do posfácio ao volume, uma das mais belas narrativas de Tolstói, o modo como os personagens interagem com os habitantes da cidade, as seduções e trapaças em que se envolvem, refletem muito mais do que o quadro mental de dois indivíduos: são índices das transformações profundas pelas quais passava a Rússia no século XIX.
Considerado o primeiro romance da literatura ocidental, Quéreas e Calírroe — narrativa em prosa concebida no século I d.C. por um autor grego de quem se sabe pouquíssima coisa, Cáriton de Afrodísias — convida seus leitores a uma verdadeira viagem. Em primeiro lugar, a uma aventura rica em incidentes, com raptos e guerras, piratas e potentados, no rastro de dois amantes que perambulam sem descanso pelo Mediterrâneo e pela Ásia Menor procurando um pelo outro. Mas igualmente a uma viagem literária, rumo às origens de um gênero destinado a longa carreira, o romance, prefigurado aqui em sua gama ampla, das fronteiras do mito heroico ao território do folhetim sentimental.
Viagem ao redor do meu quarto
Tradução de Veresa Moraes
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Posfácio de Enrique Vila-Matas
Redigido na fortaleza de Turim e publicado pela primeira vez em 1795, esta pequena obra-prima do tenente e conde Xavier de Maistre (1763-1852), Viagem ao redor do meu quarto, é um exercício de subversão de hierarquias e estruturas formais. Zombando das circunstâncias, o autor transforma seus quarenta e dois dias de confinamento forçado em ponto de partida para uma paródia dos relatos de viagem, das dissertações eruditas e dos tratados de filosofia. Aos poucos, em seus breves capítulos, o sentimento e a fantasia vão tomando conta do cenário, com uma irreverência e originalidade que mostrou-se cheia de sugestões para as gerações seguintes, influenciando de Nietzsche a Machado de Assis.
Reunindo nove narrativas ficcionais, Anotações de um jovem médico traz alguns dos primeiros experimentos literários de Mikhail Bulgákov (1891-1940), um dos mais aclamados escritores russos do século XX, autor de O mestre e Margarida. Publicados entre 1925 e 1926 em um periódico soviético direcionado aos trabalhadores da medicina, estes textos têm como base a experiência do próprio autor nos anos de 1916 e 1917, quando, logo após obter o diploma de médico na maior universidade do país, foi enviado para atuar em um pequeno hospital no interior da Rússia. Além do ciclo de contos “Anotações de um jovem médico”, o volume inclui a novela “Morfina” e a narrativa curta “Eu matei”, também de cunho autobiográfico.
Nova edição, revista pelo tradutor, de O idiota, é um dos grandes romances de Dostoiévski, trazendo a série completa de ilustrações de Oswaldo Goeldi. Publicado originalmente em 1868, este é um desses livros em que o leitor reconhece de imediato a marca do gênio. Nele, o autor russo constrói um dos personagens mais impressionantes de toda a literatura mundial — o humanista e epilético príncipe Míchkin, mescla de Cristo e Dom Quixote, cuja compaixão sem limites vai se chocar com o desregramento mundano de Rogójin e a beleza enlouquecedora de Nastácia Filíppovna.
A história de Tristão e Isolda, de origem celta, incendiou a imaginação de poetas, músicos, ficcionistas e dramaturgos por vários séculos, tendo inspirado a célebre ópera de Wagner. O romance de Tristão, do misterioso Béroul, uma narrativa em versos rimados e metrificados composta entre 1150 e 1190, integra o ciclo de histórias do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda, e marca o surgimento do romance moderno no Ocidente. A presente edição bilíngue, apresentada e traduzida por Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, foi vertida diretamente do francês arcaico e recupera, em nossa língua, todo o brilho, o frescor, a inventividade e o colorido dos 4.485 versos dessa indiscutível obra-prima da literatura medieval.
Composta no século VIII a.C., a Ilíada é considerada o marco inaugural da literatura ocidental. Tradicionalmente atribuída a Homero, a obra aborda o período de algumas semanas no último ano da Guerra de Troia, durante o cerco final dos contingentes gregos à cidadela do rei Príamo, na Ásia Menor. Com seus mais de 15 mil versos, a Ilíada ganha agora uma nova tradução - das mãos de Trajano Vieira, professor livre-docente da Unicamp e premiado tradutor da Odisseia -, rigorosamente metrificada, que busca recriar em nossa língua a excelência do original, com seus símiles e invenções vocabulares. A presente edição, bilíngue, traz ainda uma série de aparatos, como um índice onomástico completo, um posfácio do tradutor, excertos da crítica, e o célebre ensaio de Simone Weil, "A Ilíada ou o poema da força".
Confinados a uma cela de castigo, à mercê da espera, do poder e do acaso, três prisioneiros seguem os menores movimentos do pavilhão penal, espreitando a chegada providencial das três mulheres que contrabandeiam a droga, "anjo branco e sem rosto", e os libertam da "sufocante massa de desejo" que os tortura... Obra central da ficção latino americana, A gaiola foi escrita em 1969, na prisão de Lecumberri, na Cidade do México, onde José Revueltas pagava caro por seu papel de líder do movimento estudantil de 1968. Um dos grandes textos da literatura penitenciária, na vizinhança de Graciliano Ramos e Jean Genet, A gaiola vai além: brutal e lírica, ela subverte as relações de força e se transforma numa poderosa parábola sobre a condição humana.
O templo merece lugar entre os grandes livros do período entre as duas guerras mundiais do século XX. Neste romance largamente autobiográfico, que começou a tomar forma em 1929 mas só foi publicado em 1988, cruzam-se a inquietação - sexual, literária, política - do jovem intelectual inglês Stephen Spender e a singularidade de um momento histórico - a República de Weimar - em que uma inédita liberdade de costumes florescia à sombra do nazismo já rampante. Crônica ficcional de um verão passado na Alemanha, em companhia dos amigos e escritores W. H. Auden e Christopher Isherwood, bem como do fotógrafo Herbert List, O templo combina a linhagem do romance de formação com um notável e precoce estudo da ascensão do totalitarismo.
O asno de ouro
Tradução de Ruth Guimarães
Apresentação e notas adicionais de Adriane da Silva Duarte
Edição bilíngue - português/latim
Único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra até os nossos dias, O asno de ouro (também conhecido como Metamorfoses), de Apuleio, escrito no século II d.C., influenciou escritores como Boccaccio, Shakespeare e Flaubert. A obra traz a atribulada história do jovem Lúcio que, viajando à Tessália, na Grécia, se hospeda na casa de uma feiticeira, ingere uma poção e é transformado por engano em um asno — sem perder, no entanto, a sua inteligência. Como burro de carga, passa por muitas aventuras e é ouvinte privilegiado de uma série de narrativas contadas pelas personagens do romance, com a célebre história de Eros e Psiquê. Obra única, verdadeira fábula sobre o pecado e a expiação, O asno de ouro é publicado aqui em edição bilíngue, com apresentação de Adriane da Silva Duarte, da Universidade de São Paulo, e tradução direta do latim realizada pela grande escritora Ruth Guimarães (1920-2014), que soube preservar com mestria toda a vivacidade e o colorido do original.