Literatura Estrangeira
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Para Vladímir Nabókov, Anna Kariênina é “uma das maiores histórias de amor da literatura mundial”, e Thomas Mann, no prefácio incluído neste volume, o considera “o romance social mais poderoso” já escrito. Rico panorama da Rússia de fins do século XIX, a obra narra, por um lado, o drama da bela e impetuosa Anna Kariênina, que, infeliz no casamento, enfrenta o julgamento cruel da alta sociedade de Moscou ao assumir sua paixão pelo conde Vrônski. Por outro lado, acompanhamos o proprietário de terras Lióvin — alter ego do autor — em sua busca pelo ideal de uma vida feliz no campo ao lado da jovem Kitty, bem como seus dilemas intelectuais em torno da fé e da justiça social. Vertido diretamente do russo por Irineu Franco Perpetuo, que também assina o posfácio, esta nova tradução acompanha todas as nuances do imortal romance de Tolstói, seja na exuberante riqueza de detalhes da narrativa, seja na fascinante profundidade psicológica das personagens.
Eneida (edição de bolso)
Organização de João Angelo Oliva Neto
Tradução de Carlos Alberto Nunes
Edição de bolso com texto integral
Publicada em 19 a.C., logo após a morte de Virgílio, a Eneida está para o mundo romano como a Ilíada e a Odisseia para o mundo grego — faz o inventário de seus mitos, dá a medida das paixões e dos deveres humanos, instaura uma ética para as relações sociais, inventa um passado coletivo e fundamenta concepções de mundo que iriam perdurar por mais de mil e quinhentos anos. Com a bela tradução de Carlos Alberto Nunes, e organização de João Angelo Oliva Neto, da Universidade de São Paulo, esta edição inclui uma minuciosa apresentação, inúmeras notas e um resumo das ações de cada um dos doze cantos da obra, entre outros aparatos. O resultado é um volume completo no qual o leitor pode acompanhar as múltiplas dimensões do périplo de Eneias, das ruínas de Troia à gênese da civilização romana.
Ivan Turguêniev (1818-1883) foi um dos grandes mestres da ficção do século XIX. Em O rei Lear da estepe (1870), ele parte da conhecida tragédia de Shakespeare, na qual o soberano, com idade avançada, abre mão de seu reino para legá-lo às filhas, e ambienta-a na pequena propriedade rural de uma província russa, lançando mão de suas próprias experiências de juventude, como havia feito em Memórias de um caçador (1852). Trazendo a primeira tradução direta da novela no Brasil, o volume inclui ainda o “Discurso sobre Shakespeare” de Turguêniev, proferido no tricentenário do dramaturgo inglês, e um posfácio da tradutora Jéssica Farjado.
Paraíso perdido (edição de bolso)
Com texto integral
Tradução de Daniel Jonas
Texto em apêndice de Otto Maria Carpeaux
Um dos maiores poemas épicos da literatura ocidental — de uma tradição que inclui a Ilíada e a Odisseia de Homero, a Eneida de Virgílio e a Divina Comédia de Dante —, o Paraíso perdido foi publicado originalmente em 1667, na Inglaterra, em um período especialmente turbulento daquela nação. Seu autor, John Milton (1608-1674), foi um dos grandes intelectuais de seu tempo e destemido apoiador da Revolução Puritana inglesa, que depôs e executou o rei Carlos I e proclamou a República em 1649. Com a restauração da Monarquia em 1660, Milton caiu em desgraça e, por um problema de saúde, gradualmente acabou perdendo a visão. Foi nessa condição que ele compôs este espantoso poema de 10.565 versos, inspirado no Gênesis, que narra a rebelião de Satã contra Deus, a Criação do Mundo e a Queda do Homem pela desobediência de Adão e Eva no Jardim do Éden.
A cruzada das crianças
Tradução de Milton Hatoum
Ilustrações de Fidel Sclavo
Prólogo de Jorge Luis Borges
Projeto gráfico de Raul Loureiro
A cruzada das crianças é uma pequena obra-prima do francês Marcel Schwob (1867-1905), o “escritor dos escritores”, admirado por nomes como Oscar Wilde, Valéry, Borges e Roberto Bolaño. Publicado originalmente em 1896, o livro recria poeticamente a lendária cruzada das crianças de 1212 rumo a Jerusalém, a partir dos relatos de pessoas ligadas ao evento, incluindo um goliardo, um místico árabe, um leproso e os papas Inocêncio III e Gregório IX. Cada um dos oito capítulos traz uma versão diferente daquela trágica jornada rumo ao Santo Sepulcro, em narrativas conduzidas pelo texto cativante de Schwob — “angelical e diabólico”, segundo Noemi Jaffe —, apresentado aqui na bela tradução de Milton Hatoum.
Escritos da casa morta
Tradução de Paulo Bezerra
Posfácio de Konstantin Motchulski
Xilogravuras de Oswaldo Goeldi
Livro que marca uma verdadeira ressurreição para Dostoiévski, após um período de quase dez anos preso e exilado na Sibéria, Escritos da casa morta (também conhecido como Recordações da casa dos mortos), publicado entre 1860 e 1862, parte de um registro antropológico da vida e dos costumes dos presos comuns, encarcerados com ele na fortaleza de Omsk, para empreender um mergulho profundo na psicologia do ser humano. A presente edição foi traduzida diretamente do russo por Paulo Bezerra, que também assina a apresentação do volume, e inclui três textos de época e um posfácio de Konstantin Motchulski, um dos principais biógrafos de Dostoiévski, além da série completa de 43 xilogravuras realizadas por Oswaldo Goeldi em 1945.
Lançada em 1856, época em que Lev Tolstói (1828-1910) fez sua entrada triunfal no cenário das letras russas, a novela Dois hussardos traz as histórias de pai e filho, ambos nobres e membros da cavalaria militar, que, num intervalo de vinte anos, detêm-se por uma noite na mesma cidade de província. Nesta que é considerada por Italo Calvino, autor do posfácio ao volume, uma das mais belas narrativas de Tolstói, o modo como os personagens interagem com os habitantes da cidade, as seduções e trapaças em que se envolvem, refletem muito mais do que o quadro mental de dois indivíduos: são índices das transformações profundas pelas quais passava a Rússia no século XIX.
Considerado o primeiro romance da literatura ocidental, Quéreas e Calírroe — narrativa em prosa concebida no século I d.C. por um autor grego de quem se sabe pouquíssima coisa, Cáriton de Afrodísias — convida seus leitores a uma verdadeira viagem. Em primeiro lugar, a uma aventura rica em incidentes, com raptos e guerras, piratas e potentados, no rastro de dois amantes que perambulam sem descanso pelo Mediterrâneo e pela Ásia Menor procurando um pelo outro. Mas igualmente a uma viagem literária, rumo às origens de um gênero destinado a longa carreira, o romance, prefigurado aqui em sua gama ampla, das fronteiras do mito heroico ao território do folhetim sentimental.
Viagem ao redor do meu quarto
Tradução de Veresa Moraes
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Posfácio de Enrique Vila-Matas
Redigido na fortaleza de Turim e publicado pela primeira vez em 1795, esta pequena obra-prima do tenente e conde Xavier de Maistre (1763-1852), Viagem ao redor do meu quarto, é um exercício de subversão de hierarquias e estruturas formais. Zombando das circunstâncias, o autor transforma seus quarenta e dois dias de confinamento forçado em ponto de partida para uma paródia dos relatos de viagem, das dissertações eruditas e dos tratados de filosofia. Aos poucos, em seus breves capítulos, o sentimento e a fantasia vão tomando conta do cenário, com uma irreverência e originalidade que mostrou-se cheia de sugestões para as gerações seguintes, influenciando de Nietzsche a Machado de Assis.
Reunindo nove narrativas ficcionais, Anotações de um jovem médico traz alguns dos primeiros experimentos literários de Mikhail Bulgákov (1891-1940), um dos mais aclamados escritores russos do século XX, autor de O mestre e Margarida. Publicados entre 1925 e 1926 em um periódico soviético direcionado aos trabalhadores da medicina, estes textos têm como base a experiência do próprio autor nos anos de 1916 e 1917, quando, logo após obter o diploma de médico na maior universidade do país, foi enviado para atuar em um pequeno hospital no interior da Rússia. Além do ciclo de contos “Anotações de um jovem médico”, o volume inclui a novela “Morfina” e a narrativa curta “Eu matei”, também de cunho autobiográfico.
Nova edição, revista pelo tradutor, de O idiota, é um dos grandes romances de Dostoiévski, trazendo a série completa de ilustrações de Oswaldo Goeldi. Publicado originalmente em 1868, este é um desses livros em que o leitor reconhece de imediato a marca do gênio. Nele, o autor russo constrói um dos personagens mais impressionantes de toda a literatura mundial — o humanista e epilético príncipe Míchkin, mescla de Cristo e Dom Quixote, cuja compaixão sem limites vai se chocar com o desregramento mundano de Rogójin e a beleza enlouquecedora de Nastácia Filíppovna.
A história de Tristão e Isolda, de origem celta, incendiou a imaginação de poetas, músicos, ficcionistas e dramaturgos por vários séculos, tendo inspirado a célebre ópera de Wagner. O romance de Tristão, do misterioso Béroul, uma narrativa em versos rimados e metrificados composta entre 1150 e 1190, integra o ciclo de histórias do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda, e marca o surgimento do romance moderno no Ocidente. A presente edição bilíngue, apresentada e traduzida por Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, foi vertida diretamente do francês arcaico e recupera, em nossa língua, todo o brilho, o frescor, a inventividade e o colorido dos 4.485 versos dessa indiscutível obra-prima da literatura medieval.