Editora 34
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Literatura Estrangeira

215 títulos

Premiado romance de estreia da jovem escritora norte-americana Idra Novey, poeta e tradutora de Clarice Lispector e Manoel de Barros, A arte de desaparecer se passa entre o Rio de Janeiro e o litoral da Bahia, quando a admiradora de uma famosa escritora brasileira vem dos Estados Unidos para investigar o seu desaparecimento em Copacabana. Com uma narrativa ágil e veloz, que incorpora flashes da violência cotidiana de nosso país, a obra possui também muito de poesia, além de uma finíssima intuição sobre as relações afetivas, o desejo, o corpo e a escrita.
Nós
Tradução de Francisco de Araújo
Posfácio de Cássio de Oliveira
Escrito entre 1920 e 1921 pelo russo Ievguêni Zamiátin (1884-1937), Nós é o romance fundador do gênero distópico, tendo influenciado autores como Aldous Huxley e George Orwell. Num futuro distante, com a população mundial reduzida a 10 milhões de habitantes, instituiu-se uma sociedade controlada e mecanizada, o Estado Único. Nela não há espaço para o indivíduo, apenas para o coletivo, as pessoas não têm nomes, apenas números, e qualquer desvio é punido com a morte. Um engenheiro, D-503, escreve um diário (o próprio livro) a fim de registrar os inúmeros benefícios desse mundo "perfeito". Entretanto, ele verá suas convicções abaladas ao conhecer uma mulher misteriosa, I-330, e passar a ter sentimentos há muito reprimidos: sonho, amor, fantasia...
O ano nu, de Boris Pilniák (1894-1938), publicado em 1922, capta o impacto da Revolução de 1917 em um vilarejo à beira das estepes orientais, acompanhando, no calor da hora, o declínio da nobreza rural e a ascensão dos camponeses no ano de 1919. Com sua escrita extremamente inventiva, que incorpora arcaísmos, onomatopeias, refrões e citações de crônicas antigas, o autor criou uma forma literária nova, que, como nota Georges Nivat no posfácio, está próxima das experiências do cinema de vanguarda de Dziga Vertov e Serguei Eisenstein.
O Diário de Kóstia Riábtsev (1926) foi uma das primeiras obras soviéticas de ficção a obter repercussão mundial. A partir de sua experiência como pedagogo, Nikolai Ognióv (1888-1938) cria o personagem de Kóstia, um estudante impulsivo e franco que narra em seu diário o cotidiano dos primeiros anos após a Revolução, abordando tanto as grandes questões sociais do período como as desventuras da vida de um adolescente comum.
Publicada na Rússia em 1927, a novela Inveja é um dos mais bem-sucedidos experimentos de prosa de ficção do período revolucionário. Com um ritmo vertiginoso, que por vezes lembra uma tela cubista, Iúri Oliecha (1899-1960) põe em cena, de um lado, um jovem sonhador e despreparado para a vida e, de outro, um poderoso diretor de indústrias do novo regime soviético. O resultado é um livro de humor lancinante, repleto de ambiguidades, e cuja intensidade verbal e imaginação desenfreada foram recriadas com brilho pela tradução de Boris Schnaiderman, que também assina dois ensaios sobre Oliécha e sua obra incluídos nesta edição.
O mestre e Margarida, do escritor russo Mikhail Bulgákov (1891-1940), é considerado um dos grandes romances do século XX. Redigido entre 1928 e 1940 e inspirado no Fausto de Goethe, o livro narra a chegada do diabo e seu séquito a Moscou nos anos 1930. O grupo, que inclui um gato falante, uma bruxa e um sinistro capanga, causa um verdadeiro caos na cidade, subvertendo a ordem e alterando a vida de seus habitantes - como o mestre, que escreve um romance sobre Pôncio Pilatos, e Margarida, sua amada. Sátira alucinante do regime stalinista, o livro só pôde ser publicado na íntegra na União Soviética em 1973. A presente tradução, a cargo de Irineu Franco Perpetuo, foi realizada a partir da mais recente e completa edição russa, lançada em 2014.
Glaxo
Tradução de Livia Deorsola
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Primeiro livro de Hernán Ronsino publicado no Brasil, Glaxo é uma breve e contundente novela passada em uma pequena cidade do pampa argentino, que tem como pano de fundo o fechamento da única fábrica da região. Como se fosse um western escrito por William Faulkner ou Selva Almada, a obra traz uma narrativa fragmentada, em que suas peças, que incluem as vidas de quatro conhecidos e uma mulher, só se encaixam ao final, elucidando uma trama de desejo e vingança que pode ser lida como uma espécie de alegoria dos destinos daquele país.
Alexandra
Tradução de Trajano Vieira
Edição bilíngue - português/grego
Alexandra é uma obra extraordinária, misto de poema épico e monólogo trágico, em que Cassandra profetiza quase mil anos de história, da queda de Troia até o império de Alexandre, o Grande. Composta por volta de 300 a.C. por Lícofron, da Biblioteca de Alexandria, tem sido considerada digna de figurar no cânone das grandes obras da Antiguidade. Sua linguagem requintada, típica do período helenístico, e a substancial quantidade de informações sobre o mundo grego que traz a tornaram um verdadeiro tesouro para os estudiosos. A presente edição, bilíngue, traz a primeira tradução da obra ao português, proeza realizada por Trajano Vieira, que recriou em nossa língua a riqueza poética e a métrica perfeita do original.
O Príncipe
Tradução de Diogo Pires Aurélio
Edição bilíngue
Um dos grandes clássicos do pensamento político, O Príncipe, de Maquiavel, escrito por volta de 1513 e publicado em 1532, nos assombra até hoje por seu retrato sem meias-tintas dos mecanismos que podem ser usados para se atingir e manter o poder. Dedicado a um príncipe da família Médici, de Florença, este polêmico tratado tem recebido ao longo do tempo as mais diversas versões e interpretações, que muitas vezes se afastam de seu sentido primeiro. A presente edição, bilíngue, busca resgatar toda a força do original de Maquiavel, em uma tradução extremamente precisa realizada por Diogo Pires Aurélio, doutor em Filosofia Política e professor da Universidade Nova de Lisboa, que também assina uma ampla introdução ao texto.
Safo - Fragmentos completos
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Edição bilíngue
Esta nova tradução de Safo, poetisa lírica grega dos séculos VII-VI a.C., apresenta, em edição bilíngue, a totalidade de seus poemas e fragmentos descobertos até hoje, que vão de textos completos a pedaços de poemas que restaram de antigos pergaminhos. Tal como nas estátuas ou vasos da Antiguidade que chegaram até nós, nestes poemas, a ruína é mais um elemento de sua beleza. A edição inclui ainda um estudo introdutório do tradutor Guilherme Gontijo Flores e uma série de aparatos críticos que fazem desta a edição mais completa e rigorosa de Safo já publicada no Brasil.
Peste e cólera
Tradução de Marília Scalzo
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Vencedor dos prêmios Fnac e Femina de 2012, na França, Peste e cólera segue de perto a figura real de Alexandre Yersin (1863-1943), que aos 22 anos trocou a Suíça por Paris, onde se fez discípulo de Pasteur. Seus estudos sobre a tuberculose logo o transformam numa das promessas de sua geração, mas ele prefere partir para o Oriente como médico da marinha mercante e desbravador da Indochina francesa. Em 1894, por ocasião da grande epidemia de peste bubônica em Hong Kong, é chamado a intervir, e logo isola o bacilo da peste e descreve os veículos da contaminação. Com o feito científico, a fama europeia volta a bater à sua porta, mas Yersin permanece fiel a seu país de adoção (o atual Vietnã). Este herói moderno, que se interessa por um sem-número de assuntos, é o protagonista deste novo "romance sem ficção" do premiado escritor francês Patrick Deville, autor convidado da Flip 2017.
Metamorfoses
Tradução de Domingos Lucas Dias
Apresentação de João Angelo Oliva Neto
Edição bilíngue - português/latim
Uma das obras mais influentes da literatura ocidental, as Metamorfoses de Ovídio foram escritas no ano 8 d.C., e desde então os mais de 250 mitos gregos e romanos figurados em seus doze mil versos têm inspirado pinturas, esculturas, peças de teatro, criações literárias, óperas e composições musicais por todo o mundo. Mas o fascínio da obra também se deve à maestria com que o grande poeta latino alinhavou este compêndio de mitos, construindo uma história das origens do mundo até os seus dias (o tempo dos imperadores Júlio César e Augusto). A presente edição, bilíngue, traz a nova tradução de Domingos Lucas Dias, em versos livres que privilegiam a elegância e fluência do texto, acompanhada de uma apresentação de João Angelo Oliva Neto, da Universidade de São Paulo, e de mapas e índices completos dos nomes e locais citados na obra-prima de Ovídio.