Literatura Estrangeira
215 títulos
Anacreonte - Fragmentos completos
seguidos das Anacrêonticas
Tradução de Leonardo Antunes
Edição bilíngue - português/grego
Prefácio de Guilherme Gontijo Flores
Um dos principais poetas líricos da Grécia antiga, ao lado de Safo, Píndaro e outros, Anacreonte nasceu em Teos, no século VI a.C., viveu em Samos e Atenas, e conquistou enorme fama ainda em vida, cantando os prazeres do amor e do vinho. Sua vasta obra foi organizada em cinco livros no período helenístico, dos quais sobreviveram apenas fragmentos. Esta é a primeira reunião em língua portuguesa da totalidade desses fragmentos, bem como das Anacreônticas, o corpus de poemas tardios, anônimos, feitos em sua homenagem ou imitando seu estilo. Responsável pela tradução e apresentação da obra, Leonardo Antunes, professor de língua e literatura grega na UFRGS, tece também comentários detalhados a cada poema ou fragmento, sempre lastreado pelo rigor do pesquisador acadêmico e pela sensibilidade do tradutor que é também músico e poeta.
A figura de Ájax, um dos heróis da Guerra de Troia, tem fascinado o público desde a mais remota Antiguidade. Nesta tragédia de Sófocles (496-406 a.C.), um dos pontos altos da dramaturgia mundial, o foco volta-se para a sua derrocada. Após o julgamento que destinou as armas de Aquiles a Odisseu, Ájax se revolta e decide matar Agamêmnon, Menelau e o próprio Odisseu. A partir desse evento, Sófocles vai discutir uma das questões centrais de sua época: como as tradições das antigas aristocracias, representadas na peça por Ájax, poderiam ser medidas em face dos novos valores da democracia ateniense? O presente volume, bilíngue, inclui o clássico ensaio de Bernard Knox sobre a tragédia e a brilhante tradução de Trajano Vieira, que soube recriar em nossa língua toda a riqueza de registros do texto sofocliano.
Beowulf
e outros poemas anglo-saxônicos (séculos VIII-X)
Tradução de Elton Medeiros
Edição bilíngue
Prefácio de Jorge Luis Borges
Beowulf é o mais célebre poema da literatura anglo-saxônica. De autoria anônima, foi composto no século VIII e sobreviveu em apenas um manuscrito, preservado na British Library. Sua influência na literatura de língua inglesa é enorme, tendo sido fundamental para a obra de J. R. R. Tolkien, o autor de O Senhor dos Anéis. Ambientado na Escandinávia dos séculos V e VI, com o que seriam os antepassados dos primeiros reis da Inglaterra, o poema narra os feitos do herói Beowulf, um corajoso guerreiro que livra a corte do rei Hrothgar de dois aterrorizantes monstros do pântano, e cinquenta anos depois tem um novo e decisivo confronto, desta vez com um dragão alado que cospe fogo. Esta obra repleta de imagens inesquecíveis tem ainda inspirado diversos jogos e séries, de Dungeons & Dragons a Game of Thrones. Publicado em edição bilíngue, com prefácio de Jorge Luis Borges, este volume conta com a bela e fluente tradução em prosa de Elton Medeiros, autor também das notas e de um posfácio em que contextualiza historicamente a produção do Beowulf e sua recepção pela crítica. Completam o volume mais quatro breves poemas anglo-saxônicos de época, além de glossário, bibliografia, genealogia, cronologia e mapas dos locais e personagens relacionados à obra.
Terceiro, Quarto e Quinto livros de Pantagruel
(Obras completas de Rabelais — 2)
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Ilustrações de Gustave Doré
O presente volume, o segundo das Obras completas de Rabelais publicadas pela Editora 34, dá sequência às aventuras do gigante Pantagruel e seus companheiros iniciadas com Pantagruel e Gargântua. Assim, no Terceiro livro (1546), numa paródia aos diálogos filosóficos, temos a busca de Panurgo para deslindar sua grande dúvida existencial: se contrair matrimônio, será corneado ou não? Essa procura, nos moldes do Santo Graal, levará depois, no Quarto livro (1552), o séquito de Pantagruel para uma navegação de descobrimentos por várias ilhas fantásticas, em que os habitantes animalescos de cada localidade parodiam os vários segmentos da sociedade medieval. As peregrinações se concluem no Quinto livro (1564), publicado onze anos após a morte de Rabelais, quando finalmente chegam ao oráculo da Divina Garrafa, anunciado no início da jornada. Como no volume anterior, temos aqui a primorosa tradução de Guilherme Gontijo Flores, que soube como ninguém recriar toda as invenções linguísticas de Rabelais, e que assina também as notas introdutórias que abrem cada capítulo dos três livros. Arrematam a edição mais de 160 ilustrações de Doré, realizadas entre 1854 e 1873.
Desarticulações, seguido de Vária imaginação
Tradução de Paloma Vidal
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Figura central da crítica hispano-americana nas últimas décadas, a argentina Sylvia Molloy (1938-2022) foi também uma escritora inquieta e original. Radicada na França e depois nos Estados Unidos, o tema do deslocamento, de gênero e perspectiva, é central em sua obra. Nestes que foram seus dois últimos trabalhos de ficção, Desarticulações e Vária imaginação, ela criou uma forma literária breve e singularíssima, capaz de pôr em curto-circuito os territórios do factual e do ficcional, da autobiografia e da invenção. Se no primeiro as memórias são disparadas por uma doença fatal que acomete uma antiga companheira, no segundo fragmentos rememorados vão compondo um sintético romance de formação feminina na Argentina dos anos de guerra e pós-guerra.
Este volume bilíngue é o primeiro dos seis que formam o Teatro completo de Eurípides (c. 480-406 a.C.), coleção que reunirá as dezenove peças do autor que sobreviveram até os nossos dias. O volume I traz o drama satírico O Ciclope, a tragédia Alceste (438 a.C.), e aquela que é uma das obras mais célebres do dramaturgo ateniense, a Medeia (431 a.C.), representada no primeiro ano da Guerra do Peloponeso. A tradução criteriosa e fluente de Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da Universidade de São Paulo, vem acompanhada de estudos esclarecedores sobre cada uma das peças e, neste volume em particular, de uma valiosa introdução sobre o sentido das tragédias gregas em seu contexto histórico.
Quatro diálogos
Alcibíades Segundo, Teages, Dois Homens Apaixonados, Clitofonte
Tradução de André Malta
Edição bilíngue - português/grego
Este volume reúne quatro diálogos pouco conhecidos de Platão: Alcibíades Segundo, Teages, Dois Homens Apaixonados e Clitofonte. Embora tradicionalmente tenham sido vistos como integrantes da vasta produção do filósofo grego, a partir dos séculos XIX e XX boa parte dos estudiosos passou a ignorá-los, considerando-os de autoria duvidosa ou mesmo inautênticos. A presente edição, bilíngue, traz os quatro diálogos traduzidos por André Malta, professor livre-docente da Universidade de São Paulo, acompanhados de notas, de uma introdução e de um vigoroso ensaio final, “Plato litteratus e o mosaico platônico”, em que o tradutor não só justifica o resgate destes belos textos (que tratam da ignorância, da sabedoria e da própria filosofia), como propõe uma reorganização mais livre do corpus platonicum.
Imagine uma flecha disparada no princípio de tudo, e voando desde então por todos os tempos e lugares do mundo. Essa Flecha é o elemento que atravessa as mais de duzentas histórias deste livro. Crônicas de animais, de objetos, mas sobretudo de pessoas, reais ou fictícias; microcontos, écfrases, memórias, miniaturas: neste livro múltiplo e generoso, a autora de Jóquei firma novamente — desta vez em prosa — um pacto forte com a imaginação, prestando uma verdadeira homenagem à literatura, às artes visuais, e a todos os homens e mulheres que, desde que o mundo é mundo, tecem a cada dia a grande narrativa da vida com novas histórias.
Publicado em Portugal em 2020, Flecha chega ao Brasil em edição revista pela autora: algumas histórias saíram, duas novas entraram; incluiu-se ainda uma seção de imagens e outra de “Pistas”; e o ensaio que fechava o original agora abre o volume.
O dia de um oprítchnik
Tradução de Arlete Cavaliere
Bebendo tanto nas vanguardas literárias como na cultura pop contemporânea, o russo Vladímir Sorókin é um dos escritores mais originais da atualidade. Após ter seus livros incendiados em Moscou por partidários do governo, ele publicou em 2006 o romance O dia de um oprítchnik. Neste livro passamos um dia em companhia de Andrei Komiága, membro da Oprítchnina, a violenta guarda de elite do tsar Ivã, o Terrível, recriada por Sorókin no ano de 2027, em uma Rússia ao mesmo tempo soviética, medieval e futurista. Em meio a execuções sumárias, negociações de suborno e orgias regadas a drogas, narradas em primeira pessoa pelo miliciano, vamos conhecendo as particularidades dessa realidade distópica, estranhamente parecida com a realidade atual.
Bíblia
as histórias fundadoras (do Gênesis ao Livro de Daniel)
Tradução de Bernardo Ajzenberg
Ilustrações de Serge Bloch
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Grande sucesso editorial lançado originalmente na França, Bíblia: as histórias fundadoras reúne trinta e cinco histórias fundamentais do Antigo Testamento, selecionadas e recontadas de forma breve para jovens de todas as idades pelo escritor Frédéric Boyer, tradutor de Santo Agostinho, acompanhadas das belas ilustrações coloridas de Serge Bloch em grande formato. São histórias fundadoras porque estão entre as mais antigas e longevas do patrimônio literário da humanidade e estão na raiz de três das grandes tradições religiosas do planeta — narrativas que vão do Jardim do Éden à torre de Babel, da arca de Noé às tábuas de Moisés, dos patriarcas fundadores aos profetas e aos grandes reis, passando por figuras femininas inesquecíveis como Ruth, Ester e a rainha de Sabá.
Linhas fundamentais da filosofia do direito
Tradução de Marcos Lutz Müller
Apresentação e notas de Marcos Lutz Müller
Incluindo os adendos de Eduard Gans e Introdução de Jean-François Kervégan
O tratado Linhas fundamentais da filosofia do direito, ou simplesmente Filosofia do direito, de G. W. F. Hegel, publicado em 1820, é um dos pilares do sistema filosófico do autor e um dos livros mais influentes do pensamento ocidental. Com reflexões fundamentais sobre o direito, a sociedade e a organização do Estado, esta obra ganha agora, duzentos anos depois, uma edição em português à altura, fruto de três décadas de trabalho de Marcos Lutz Müller (1943-2020), professor livre-docente da Unicamp, que realizou uma cuidadosa tradução do texto original, redigindo mais de seiscentas notas explicativas e um glossário completo dos termos e conceitos utilizados. O volume traz ainda as elucidativas anotações de época organizadas por Eduard Gans, discípulo de Hegel, e o belo ensaio “A instituição da liberdade”, de Jean-François Kérvegan, da Université Panthéon-Sorbonne.
Uma das principais obras do cânone ocidental, os Cantos de Giacomo Leopardi (1798-1837) compreendem 41 poemas escritos e reescritos pelo autor entre 1816 e 1836. Considerado por Harold Bloom “o maior dos poetas italianos desde Dante e Petrarca”, Leopardi registrou em seus versos — com uma técnica e uma sensibilidade elogiadas por nomes como Nietzsche, Pound e Beckett — os aspectos mais significativos da experiência humana, da felicidade agônica provocada pelo amor ao sentimento áspero da natureza madrasta e da nulidade dos nossos esforços. Precedida por uma luminosa introdução à vida e à obra do poeta, a tradução de Álvaro A. Antunes, publicada pela primeira vez em 1985 e revista especialmente para esta edição bilíngue, reproduz fielmente os metros e os esquemas estróficos do original.