Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura russa

89 títulos

Um pequeno herói
Tradução de Fátima Bianchi
Ilustrações de Marcelo Grassmann
Escrita em 1849 - quando o autor estava preso, acusado de conspirar contra o tsar Nicolau I -, Um pequeno herói é uma das obras mais luminosas de Fiódor Dostoiévski e uma excelente introdução ao seu universo. Com uma prosa sensível e arrebatadora, a novela descreve o despertar do sentimento amoroso e da individualidade de um menino de onze anos. Em uma casa de campo nos arredores de Moscou, durante uma temporada de verão, a alta sociedade russa passa o tempo entre piqueniques, jogos de salão e bailes. Nesse cenário, Dostoiévski contrapõe a profundidade de sentimentos do menino ao mundo fútil e vazio das convenções sociais. Uma pequena joia a ser redescoberta na tradução, direta do russo, de Fátima Bianchi, ilustrada com gravuras de Marcelo Grassmann.
Uma das mais agudas incursões de Anton Tchekhov (1860-1904) pela narrativa longa, O duelo narra a história de Nadiéjda e Ivan Laiévski - jovem casal de intelectuais que se muda de São Petersburgo para uma cidadezinha litorânea do Cáucaso, à beira do mar Negro, com sonhos de uma vida de trabalho simples e contato com a natureza. A perspectiva de idílio é ameaçada pelo caráter incerto de Laiévski, pelo jogo e pela bebida, e este acaba sendo desafiado para um duelo no qual certamente perderá a vida. Publicada em 1891, esta novela - que tem ecos do panteísmo de Tolstói, mas também da personagem Oblómov, de Goncharov - já foi adaptada diversas vezes para o cinema e o teatro.
No campo da honra e outros contos
Tradução de Nivaldo dos Santos
Prefácio de Boris Schnaiderman
Mestre da narrativa curta, o escritor russo Isaac Bábel (1894-1940) foi reconhecido logo após a Revolução de 1917 como uma das vozes mais brilhantes e originais de sua época. Isso não o impediu, entretanto, de ser perseguido durante o stalinismo e, mais tarde, sumariamente fuzilado. Os 32 textos reunidos em No campo da honra e outros contos - a maioria em sua primeira tradução direta para o português - reúne escritos de todas as fases de sua vida, e dão provas de seu estilo sintético, essencial, inigualável.
Maksim Górki (1868-1936), autor de romances, peças teatrais e livros de memórias, é um dos grandes nomes da literatura russa, e seus contos foram admirados por escritores do porte de Tolstói e Tchekhov. Meu companheiro de estrada apresenta ao leitor brasileiro um conjunto de dezesseis narrativas curtas de Górki, redigidas entre 1894 e 1923, cuidadosamente selecionadas e traduzidas por Boris Schnaiderman. A coletânea é uma excelente introdução à obra deste autor que, vindo de uma família pobre, foi um revolucionário de primeira hora e soube retratar como ninguém as classes populares e os indivíduos marginalizados de seu país.
Dostoiévski-trip é uma excelente introdução ao universo de Vladímir Sorókin, um dos nomes mais importantes - e radicais - da literatura russa contemporânea. Na peça, um grupo de sete junkies aguarda a chegada de um traficante com os últimos "lançamentos" do mercado. No caso, as drogas correspondem aos grandes (e às vezes médios) autores da prosa mundial. Ao ingerirem uma dose de Dostoiévski, os personagens são transportados para uma famosa cena do romance O idiota, à qual se segue uma impressionante bad-trip final - lírica, visceral e catártica.
Sorókin é um dos autores confirmados para a Flip 2014.
Publicado em 1852, Memórias de um caçador obteve de imediato grande sucesso tanto na Rússia como na Europa, onde foi traduzido para o francês, o alemão e o inglês, abrindo pela primeira vez as portas do Ocidente para a literatura russa. O estilo refinado de Turguêniev, e suas descrições memoráveis das paisagens e dos homens do povo encontrados nas perambulações do narrador pelo interior da Rússia, cativaram o público de tal forma que a obra tornou-se peça-chave no movimento pela emancipação dos servos naquele país. Além de consagrar Turguêniev como um dos grandes ficcionistas russos, os 25 contos reunidos pelo autor tornaram-se um paradigma para os escritores da posteridade, de Górki e Tchekhov a Conrad e Hemingway.
Ao voltar de uma longa viagem à colônia penal da ilha de Sacalina, Tchekhov passa a residir em Moscou. Ali, nas redondezas de sua casa na rua Málaia Dmítrovka, ambientaria a novela Três anos. Publicada em 1895, a obra acompanha os primeiros anos de casamento de Iúlia Belavina, filha de um médico da província, com Aleksei Láptiev, de uma família de prósperos comerciantes moscovitas.
Bobók
Tradução de Paulo Bezerra
Ilustrações de Oswaldo Goeldi
Posfácio e notas de Paulo Bezerra; texto de Mikhail Bakhtin
Mais do que uma resposta de Dostoiévski aos críticos de seu romance Os demônios (1871), o conto Bobók, publicado no Diário de um escritor em 1873, é considerado por Mikhail Bakhtin "um microcosmo de toda a sua obra", pois concentra, no tempo brevíssimo de um "diálogo de mortos" num cemitério, os procedimentos fundamentais de sua literatura. Além da análise de Bakhtin, o volume inclui posfácio do tradutor Paulo Bezerra e oito desenhos de Oswaldo Goeldi.
"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária". A célebre frase do poeta russo Vladímir Maiakóvski (1893-1930) define muito bem um de seus textos teatrais mais conhecidos, Mistério-bufo (1921). A presente edição traz pela primeira vez ao público brasileiro a versão final da peça, reelaborada pelo autor após sua estreia em 1918. Traduzido diretamente do original por Arlete Cavaliere, professora da USP, o texto é uma fantasia alegórica da Revolução Russa e de seus primeiros desdobramentos, escrito no calor da hora, e sintetiza uma série das experimentações de vanguarda do poeta.
Dois sonhos
O sonho do titio e Sonhos de Petersburgo em verso e prosa
Tradução de Paulo Bezerra
Posfácio e notas de Paulo Bezerra
Dois sonhos de Dostoiévski reunidos em um único volume. Em O sonho do titio (1859), a trama se passa na cidadezinha imaginária de Mordássov, onde a chegada de um velho príncipe acaba provocando o desmascaramento da hipócrita sociedade local. Já Sonhos de Petersburgo em verso e prosa (1861) combina os registros da prosa e da poesia para construir uma visão ao mesmo tempo crítica, cômica e fantástica da cidade de São Petersburgo.
A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes
Tradução de Lucas Simone
Ilustrações de Darel Valença Lins
Posfácio e notas de Lucas Simone
Dois meses após retornar de um exílio de quase dez anos na Sibéria, Fiódor Dostoiévski publicou, em 1859, A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes, um de seus mais singulares romances. Nele, o autor expõe uma faceta pouco conhecida sua: a do humorista. Por meio de situações cômicas e absurdas, Dostoiévski deu vida a um dos personagens mais famosos da literatura russa: Fomá Fomitch Opískin, o bufão alçado à condição de tirano que se tornaria símbolo de hipocrisia e parasitismo.
Rúdin
Tradução de Fátima Bianchi
Posfácio e notas de Fátima Bianchi
Publicado em 1856, Rúdin, romance de estreia de Turgêniev, foi prontamente aclamado pela crítica. O autor retrata aqui o "homem supérfluo", motivo central da literatura russa de então, lançando um olhar simultaneamente terno e irônico sobre a juventude de sua própria geração, que, inspirada pelos ideais democráticos que chegavam da Europa, foi tolhida pelo conservadorismo da Rússia de Nicolau I.