Literatura Estrangeira
215 títulos
A canadense Anne Carson é uma das autoras mais reconhecidas da atualidade, seja como helenista, tradutora, ensaísta ou poeta. Autobiografia do vermelho, seu livro mais conhecido, reúne todas essas facetas ao recriar, nos nossos tempos, o mito grego de Gerião, um monstro vermelho a quem Héracles teve de exterminar para assim cumprir um de seus doze trabalhos. Sob o signo de Gertrude Stein, Emily Dickinson e do obscuro Estesícoro, primeiro poeta a tratar em formas líricas o mito de Gerião nos séculos VII-VI a.C., Carson compôs este “romance em versos”, transformando Gerião em um menino sensível e absorto que vivencia uma intensa relação amorosa com Héracles — um bravo experimento formal recriado com arrojo na bela tradução de Ismar Tirelli Neto.
As Troianas
Tradução de Trajano Vieira
Texto de Jean-Paul Sartre
Ensaio de Chris Carey
Ensaio de Chris Carey
Edição bilíngue - português/grego
A peça As Troianas, de Eurípides (c. 480-406 a.C.), trata do destino das mulheres de Troia após a derrota da cidade para os gregos, ao final da famosa guerra imortalizada por Homero na Ilíada. Aprisionadas pelas tropas lideradas por Agamêmnon, as protagonistas da peça, incluindo Cassandra, Andrômaca e Helena, lamentam seus infortúnios tendo Hécuba, a rainha troiana, como figura central. Encenada em 415 a.C. em Atenas, meses após o massacre de Melos pelos atenienses, a peça acabou se tornando um verdadeiro libelo contra as atrocidades da guerra. A presente edição, bilíngue, traz a primorosa tradução de Trajano Vieira e textos críticos de Jean-Paul Sartre e do helenista britânico Chris Carey.
Estudiosa do Grande Norte subártico, a antropóloga francesa Nastassja Martin viaja à Rússia em busca de famílias do povo even que, tomando distância da civilização pós-soviética, preferem voltar a viver no coração das florestas siberianas. A rotina do trabalho de campo vai avançando como quer a disciplina etnográfica, mas algo mais parece estar em gestação, alguma coisa que por fim eclode na forma de um terrível incidente — ou, quem sabe, de um encontro — entre a antropóloga e um urso. É a partir desse acontecimento inesperado e dilacerante que Martin tece a trama de Escute as feras, em que a experiência vivida nutre uma reflexão vertiginosa sobre o humano e o natural, a identidade e a fronteira, o tempo do mito e a história contemporânea.
Primeira obra de Liudmila Ulítskaia publicada no Brasil, Meninas reúne seis contos que formam um ciclo de histórias perfeitamente arquitetado pela autora. Ambientados em Moscou no período próximo à morte de Stálin, em 1953, os contos são protagonizados por meninas de 9 a 11 anos de idade, que aparecem e reaparecem na peculiar sequência das narrativas. Reconhecida como uma das maiores prosadoras russas em atividade e recorrentemente cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, Ulítskaia explora aqui com graça e sensibilidade as refrações da grande história no mundo interior e nas relações sociais das personagens.
Verdadeiro marco da lírica ocidental, as Odes de Horácio reúnem, em quatro livros, 103 poemas escritos em latim no século I a.C., obra monumental que viria a influenciar uma legião de autores na posteridade, de Petrarca a Fernando Pessoa, de Ronsard a Bertolt Brecht. Autor também de Sátiras, Epodos e Epístolas, além do Cântico Secular, Horácio resgatou em suas Odes, com graça e engenho, as variadas formas da poesia grega antiga e alexandrina, propondo uma filosofia de vida baseada tanto no estoicismo como no epicurismo, algo eternizado num dos versos mais famosos da história da literatura, o “Carpe diem” da ode I, 11. A presente edição, bilíngue, traz o conjunto completo das 103 odes de Horácio na inspirada tradução, fluente e musical, de Pedro Braga Falcão, que assina também a introdução e as notas explicativas a cada um dos poemas. O volume inclui ainda o texto Vida de Horácio, de Suetônio (século II d.C.).
Satíricon
Tradução de Cláudio Aquati
Textos em apêndice de Tácito, Marcel Schwob e Raymond Queneau
Projeto gráfico de Raul Loureiro
O mais antigo exemplar do romance latino a sobreviver até os nossos dias, ainda que de forma fragmentária, o Satíricon de Petrônio foi escrito por volta de 60 d.C., no período do imperador romano Nero. Narrando as aventuras de Encólpio, seu amante Ascilto e o servo Gitão, que formam um tumultuado triângulo amoroso e se metem em uma série de confusões para pagar uma dívida ao deus Priapo, o livro é uma grande sátira à caótica civilização romana, ao mesmo tempo em que registra de forma ferina as relações entre os diferentes estratos sociais da época.
Pantagruel e Gargântua
(Obras completas de Rabelais 1)
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Ilustrações de Gustave Doré
Primeiro dos três volumes das Obras completas de Rabelais organizadas e vertidas ao português pelo premiado tradutor e poeta Guilherme Gontijo Flores, este livro reúne os romances Pantagruel (1532) e Gargântua (1534), as criações mais conhecidas do genial escritor renascentista francês François Rabelais (1483?-1553), que colocaram o autor, segundo Mikhail Bakhtin, num lugar na história da literatura “ao lado de Dante, Boccaccio, Shakespeare e Cervantes”. As aventuras dos gigantes beberrões Gargântua e Pantagruel, pai e filho, e suas peripécias em Paris e outros locais reais e imaginários, são um dos pontos altos da ficção humorística ocidental. Alternando com extrema liberdade os registros popular e erudito, e se utilizando da picardia, do grotesco e do escatológico para satirizar a pompa dos poderosos, Rabelais antecipou recursos estilísticos que só apareceriam séculos depois na prosa moderna. Completam o volume cerca de 120 ilustrações de Gustave Doré, selecionadas a partir das edições de 1854 e 1873 da obra de Rabelais.
Crônicas de Petersburgo
Tradução de Fátima Bianchi
Este volume, que traz escritos de Dostoiévski inéditos no Brasil, inclui uma apresentação que o autor redigiu em 1845 para anunciar a revista de humor O Trocista (logo interditada pela censura) e os cinco folhetins publicados em um jornal de São Petersburgo, entre abril e junho de 1847, intitulados Crônicas de Petersburgo. Nestes textos saborosos e provocadores, em que a própria cidade assume o papel de protagonista, podemos observar alguns traços de estilo — a dicção veloz, a mescla de registros, a aguda análise psicológica — que mais tarde se tornariam marcas inconfundíveis do autor de Crime e castigo.
Para Vladímir Nabókov, Anna Kariênina é “uma das maiores histórias de amor da literatura mundial”, e Thomas Mann, no prefácio incluído neste volume, o considera “o romance social mais poderoso” já escrito. Rico panorama da Rússia de fins do século XIX, a obra narra, por um lado, o drama da bela e impetuosa Anna Kariênina, que, infeliz no casamento, enfrenta o julgamento cruel da alta sociedade de Moscou ao assumir sua paixão pelo conde Vrônski. Por outro lado, acompanhamos o proprietário de terras Lióvin — alter ego do autor — em sua busca pelo ideal de uma vida feliz no campo ao lado da jovem Kitty, bem como seus dilemas intelectuais em torno da fé e da justiça social. Vertido diretamente do russo por Irineu Franco Perpetuo, que também assina o posfácio, esta nova tradução acompanha todas as nuances do imortal romance de Tolstói, seja na exuberante riqueza de detalhes da narrativa, seja na fascinante profundidade psicológica das personagens.
Eneida (edição de bolso)
Organização de João Angelo Oliva Neto
Tradução de Carlos Alberto Nunes
Edição de bolso com texto integral
Publicada em 19 a.C., logo após a morte de Virgílio, a Eneida está para o mundo romano como a Ilíada e a Odisseia para o mundo grego — faz o inventário de seus mitos, dá a medida das paixões e dos deveres humanos, instaura uma ética para as relações sociais, inventa um passado coletivo e fundamenta concepções de mundo que iriam perdurar por mais de mil e quinhentos anos. Com a bela tradução de Carlos Alberto Nunes, e organização de João Angelo Oliva Neto, da Universidade de São Paulo, esta edição inclui uma minuciosa apresentação, inúmeras notas e um resumo das ações de cada um dos doze cantos da obra, entre outros aparatos. O resultado é um volume completo no qual o leitor pode acompanhar as múltiplas dimensões do périplo de Eneias, das ruínas de Troia à gênese da civilização romana.
Ivan Turguêniev (1818-1883) foi um dos grandes mestres da ficção do século XIX. Em O rei Lear da estepe (1870), ele parte da conhecida tragédia de Shakespeare, na qual o soberano, com idade avançada, abre mão de seu reino para legá-lo às filhas, e ambienta-a na pequena propriedade rural de uma província russa, lançando mão de suas próprias experiências de juventude, como havia feito em Memórias de um caçador (1852). Trazendo a primeira tradução direta da novela no Brasil, o volume inclui ainda o “Discurso sobre Shakespeare” de Turguêniev, proferido no tricentenário do dramaturgo inglês, e um posfácio da tradutora Jéssica Farjado.
Paraíso perdido (edição de bolso)
Com texto integral
Tradução de Daniel Jonas
Texto em apêndice de Otto Maria Carpeaux
Um dos maiores poemas épicos da literatura ocidental — de uma tradição que inclui a Ilíada e a Odisseia de Homero, a Eneida de Virgílio e a Divina Comédia de Dante —, o Paraíso perdido foi publicado originalmente em 1667, na Inglaterra, em um período especialmente turbulento daquela nação. Seu autor, John Milton (1608-1674), foi um dos grandes intelectuais de seu tempo e destemido apoiador da Revolução Puritana inglesa, que depôs e executou o rei Carlos I e proclamou a República em 1649. Com a restauração da Monarquia em 1660, Milton caiu em desgraça e, por um problema de saúde, gradualmente acabou perdendo a visão. Foi nessa condição que ele compôs este espantoso poema de 10.565 versos, inspirado no Gênesis, que narra a rebelião de Satã contra Deus, a Criação do Mundo e a Queda do Homem pela desobediência de Adão e Eva no Jardim do Éden.