Literatura Estrangeira
219 títulos
O dia de um oprítchnik
Tradução de Arlete Cavaliere
Bebendo tanto nas vanguardas literárias como na cultura pop contemporânea, o russo Vladímir Sorókin é um dos escritores mais originais da atualidade. Após ter seus livros incendiados em Moscou por partidários do governo, ele publicou em 2006 o romance O dia de um oprítchnik. Neste livro passamos um dia em companhia de Andrei Komiága, membro da Oprítchnina, a violenta guarda de elite do tsar Ivã, o Terrível, recriada por Sorókin no ano de 2027, em uma Rússia ao mesmo tempo soviética, medieval e futurista. Em meio a execuções sumárias, negociações de suborno e orgias regadas a drogas, narradas em primeira pessoa pelo miliciano, vamos conhecendo as particularidades dessa realidade distópica, estranhamente parecida com a realidade atual.
Bíblia
as histórias fundadoras (do Gênesis ao Livro de Daniel)
Tradução de Bernardo Ajzenberg
Ilustrações de Serge Bloch
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Grande sucesso editorial lançado originalmente na França, Bíblia: as histórias fundadoras reúne trinta e cinco histórias fundamentais do Antigo Testamento, selecionadas e recontadas de forma breve para jovens de todas as idades pelo escritor Frédéric Boyer, tradutor de Santo Agostinho, acompanhadas das belas ilustrações coloridas de Serge Bloch em grande formato. São histórias fundadoras porque estão entre as mais antigas e longevas do patrimônio literário da humanidade e estão na raiz de três das grandes tradições religiosas do planeta — narrativas que vão do Jardim do Éden à torre de Babel, da arca de Noé às tábuas de Moisés, dos patriarcas fundadores aos profetas e aos grandes reis, passando por figuras femininas inesquecíveis como Ruth, Ester e a rainha de Sabá.
Linhas fundamentais da filosofia do direito
Tradução de Marcos Lutz Müller
Apresentação e notas de Marcos Lutz Müller
Incluindo os adendos de Eduard Gans e Introdução de Jean-François Kervégan
O tratado Linhas fundamentais da filosofia do direito, ou simplesmente Filosofia do direito, de G. W. F. Hegel, publicado em 1820, é um dos pilares do sistema filosófico do autor e um dos livros mais influentes do pensamento ocidental. Com reflexões fundamentais sobre o direito, a sociedade e a organização do Estado, esta obra ganha agora, duzentos anos depois, uma edição em português à altura, fruto de três décadas de trabalho de Marcos Lutz Müller (1943-2020), professor livre-docente da Unicamp, que realizou uma cuidadosa tradução do texto original, redigindo mais de seiscentas notas explicativas e um glossário completo dos termos e conceitos utilizados. O volume traz ainda as elucidativas anotações de época organizadas por Eduard Gans, discípulo de Hegel, e o belo ensaio “A instituição da liberdade”, de Jean-François Kérvegan, da Université Panthéon-Sorbonne.
Uma das principais obras do cânone ocidental, os Cantos de Giacomo Leopardi (1798-1837) compreendem 41 poemas escritos e reescritos pelo autor entre 1816 e 1836. Considerado por Harold Bloom “o maior dos poetas italianos desde Dante e Petrarca”, Leopardi registrou em seus versos — com uma técnica e uma sensibilidade elogiadas por nomes como Nietzsche, Pound e Beckett — os aspectos mais significativos da experiência humana, da felicidade agônica provocada pelo amor ao sentimento áspero da natureza madrasta e da nulidade dos nossos esforços. Precedida por uma luminosa introdução à vida e à obra do poeta, a tradução de Álvaro A. Antunes, publicada pela primeira vez em 1985 e revista especialmente para esta edição bilíngue, reproduz fielmente os metros e os esquemas estróficos do original.
A canadense Anne Carson é uma das autoras mais reconhecidas da atualidade, seja como helenista, tradutora, ensaísta ou poeta. Autobiografia do vermelho, seu livro mais conhecido, reúne todas essas facetas ao recriar, nos nossos tempos, o mito grego de Gerião, um monstro vermelho a quem Héracles teve de exterminar para assim cumprir um de seus doze trabalhos. Sob o signo de Gertrude Stein, Emily Dickinson e do obscuro Estesícoro, primeiro poeta a tratar em formas líricas o mito de Gerião nos séculos VII-VI a.C., Carson compôs este “romance em versos”, transformando Gerião em um menino sensível e absorto que vivencia uma intensa relação amorosa com Héracles — um bravo experimento formal recriado com arrojo na bela tradução de Ismar Tirelli Neto.
As Troianas
Tradução de Trajano Vieira
Texto de Jean-Paul Sartre
Ensaio de Chris Carey
Ensaio de Chris Carey
Edição bilíngue - português/grego
A peça As Troianas, de Eurípides (c. 480-406 a.C.), trata do destino das mulheres de Troia após a derrota da cidade para os gregos, ao final da famosa guerra imortalizada por Homero na Ilíada. Aprisionadas pelas tropas lideradas por Agamêmnon, as protagonistas da peça, incluindo Cassandra, Andrômaca e Helena, lamentam seus infortúnios tendo Hécuba, a rainha troiana, como figura central. Encenada em 415 a.C. em Atenas, meses após o massacre de Melos pelos atenienses, a peça acabou se tornando um verdadeiro libelo contra as atrocidades da guerra. A presente edição, bilíngue, traz a primorosa tradução de Trajano Vieira e textos críticos de Jean-Paul Sartre e do helenista britânico Chris Carey.
Estudiosa do Grande Norte subártico, a antropóloga francesa Nastassja Martin viaja à Rússia em busca de famílias do povo even que, tomando distância da civilização pós-soviética, preferem voltar a viver no coração das florestas siberianas. A rotina do trabalho de campo vai avançando como quer a disciplina etnográfica, mas algo mais parece estar em gestação, alguma coisa que por fim eclode na forma de um terrível incidente — ou, quem sabe, de um encontro — entre a antropóloga e um urso. É a partir desse acontecimento inesperado e dilacerante que Martin tece a trama de Escute as feras, em que a experiência vivida nutre uma reflexão vertiginosa sobre o humano e o natural, a identidade e a fronteira, o tempo do mito e a história contemporânea.
Primeira obra de Liudmila Ulítskaia publicada no Brasil, Meninas reúne seis contos que formam um ciclo de histórias perfeitamente arquitetado pela autora. Ambientados em Moscou no período próximo à morte de Stálin, em 1953, os contos são protagonizados por meninas de 9 a 11 anos de idade, que aparecem e reaparecem na peculiar sequência das narrativas. Reconhecida como uma das maiores prosadoras russas em atividade e recorrentemente cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, Ulítskaia explora aqui com graça e sensibilidade as refrações da grande história no mundo interior e nas relações sociais das personagens.
Verdadeiro marco da lírica ocidental, as Odes de Horácio reúnem, em quatro livros, 103 poemas escritos em latim no século I a.C., obra monumental que viria a influenciar uma legião de autores na posteridade, de Petrarca a Fernando Pessoa, de Ronsard a Bertolt Brecht. Autor também de Sátiras, Epodos e Epístolas, além do Cântico Secular, Horácio resgatou em suas Odes, com graça e engenho, as variadas formas da poesia grega antiga e alexandrina, propondo uma filosofia de vida baseada tanto no estoicismo como no epicurismo, algo eternizado num dos versos mais famosos da história da literatura, o “Carpe diem” da ode I, 11. A presente edição, bilíngue, traz o conjunto completo das 103 odes de Horácio na inspirada tradução, fluente e musical, de Pedro Braga Falcão, que assina também a introdução e as notas explicativas a cada um dos poemas. O volume inclui ainda o texto Vida de Horácio, de Suetônio (século II d.C.).
Satíricon
Tradução de Cláudio Aquati
Textos em apêndice de Tácito, Marcel Schwob e Raymond Queneau
Projeto gráfico de Raul Loureiro
O mais antigo exemplar do romance latino a sobreviver até os nossos dias, ainda que de forma fragmentária, o Satíricon de Petrônio foi escrito por volta de 60 d.C., no período do imperador romano Nero. Narrando as aventuras de Encólpio, seu amante Ascilto e o servo Gitão, que formam um tumultuado triângulo amoroso e se metem em uma série de confusões para pagar uma dívida ao deus Priapo, o livro é uma grande sátira à caótica civilização romana, ao mesmo tempo em que registra de forma ferina as relações entre os diferentes estratos sociais da época.
Pantagruel e Gargântua
(Obras completas de Rabelais 1)
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Ilustrações de Gustave Doré
Primeiro dos três volumes das Obras completas de Rabelais organizadas e vertidas ao português pelo premiado tradutor e poeta Guilherme Gontijo Flores, este livro reúne os romances Pantagruel (1532) e Gargântua (1534), as criações mais conhecidas do genial escritor renascentista francês François Rabelais (1483?-1553), que colocaram o autor, segundo Mikhail Bakhtin, num lugar na história da literatura “ao lado de Dante, Boccaccio, Shakespeare e Cervantes”. As aventuras dos gigantes beberrões Gargântua e Pantagruel, pai e filho, e suas peripécias em Paris e outros locais reais e imaginários, são um dos pontos altos da ficção humorística ocidental. Alternando com extrema liberdade os registros popular e erudito, e se utilizando da picardia, do grotesco e do escatológico para satirizar a pompa dos poderosos, Rabelais antecipou recursos estilísticos que só apareceriam séculos depois na prosa moderna. Completam o volume cerca de 120 ilustrações de Gustave Doré, selecionadas a partir das edições de 1854 e 1873 da obra de Rabelais.
Crônicas de Petersburgo
Tradução de Fátima Bianchi
Este volume, que traz escritos de Dostoiévski inéditos no Brasil, inclui uma apresentação que o autor redigiu em 1845 para anunciar a revista de humor O Trocista (logo interditada pela censura) e os cinco folhetins publicados em um jornal de São Petersburgo, entre abril e junho de 1847, intitulados Crônicas de Petersburgo. Nestes textos saborosos e provocadores, em que a própria cidade assume o papel de protagonista, podemos observar alguns traços de estilo — a dicção veloz, a mescla de registros, a aguda análise psicológica — que mais tarde se tornariam marcas inconfundíveis do autor de Crime e castigo.