Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura Estrangeira

215 títulos

Lojas de canela
e outras narrativas
Tradução de Henryk Siewierski
Posfácio de Angelo Maria Ripellino
O autor polonês Bruno Schulz (1892-1942) criou a sua breve e deslumbrante obra literária em pouco mais de uma década, quando teve a sua vida tragicamente interrompida pela barbárie nazista. Em sua pequena cidade na Europa Central, Drohobycz, escreveu dois ciclos de contos, que alcançariam a admiração de nomes como Witold Gombrowicz, Czesław Miłosz, John Updike e Philip Roth. O presente volume traz o livro de estreia do autor, Lojas de canela, publicado em 1934, incluindo cinco contos adicionais que não figuram em sua segunda obra, Sanatório sob o signo da clepsidra - entre eles, um texto inédito em português, "A primavera" -, e se encerra com um posfácio do eslavista italiano Angelo Maria Ripellino, que lê a obra de Schulz à luz dos seus pares poloneses e das vanguardas europeias, relacionando a "exuberância irrefreável" de sua prosa com as tendências estéticas da art nouveau e do modernismo.
Moby Dick, ou A baleia
Tradução de Irene Hirsch, Alexandre Barbosa de Souza
Prefácio de Albert Camus
Posfácio de Bruno Gambarotto
Lançado em 1851, Moby Dick, de Herman Melville (1819-1891), se tornou um dos livros de aventura mais emblemáticos da literatura universal. A história do capitão Ahab, em busca de vingança contra o terrível cachalote que amputara sua perna, entrou definitivamente para a cultura popular, inspirando criações nas artes plásticas, no teatro, no cinema e na música. Mas uma leitura atenta da obra-prima de Melville pode revelar as camadas mais profundas do texto - as alusões bíblicas, as críticas ao nascente imperialismo norte-americano, as referências à obra de Shakespeare, entre muitos outros temas -, que deram ao autor o posto de maior prosador norte-americano do século XIX. Além de trazer ensaios de Evert Duyckinck, D. H. Lawrence e F. O. Matthiessen sobre Moby Dick, que delineiam a recepção crítica do livro, esta nova edição apresenta um prefácio de Albert Camus, inédito em nosso país, e um ensaio de Bruno Gambarotto, um dos maiores especialistas brasileiros na obra de Melville.
A luva, ou KR-2
(Contos de Kolimá 6)
Tradução de Nivaldo dos Santos, Francisco de Araújo
Posfácio de Gustaw Herling
A luva, ou KR-2 é o sexto e último volume dos Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov (1907-1982), obra em que o escritor russo dá testemunho dos 17 anos que passou como prisioneiro nos campos de trabalhos stalinistas e que constitui um verdadeiro monumento contra a barbárie e pela vida. Os 21 textos aqui reunidos trazem, além da denúncia dos horrores do gulag, também um pouco de leveza e esperança, já que cobrem os últimos anos de sua pena e a transição para a liberdade, como no belíssimo conto "Viagem a Ola". Completam o volume um texto ficcional sobre a morte de Chalámov escrito por Gustaw Herling (autor de uma das mais importantes obras da literatura do gulag, Um mundo à parte), e dois poemas do próprio Chalámov traduzidos diretamente do russo.
Três contos
Tradução de Milton Hatoum, Samuel Titan Jr.
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Os Três contos de Gustave Flaubert (1821-1880) constituem um dos pontos mais altos da literatura francesa. Ao retornar a temas, figuras e paisagens que o acompanhavam desde a juventude, o autor de Madame Bovary destilou uma suma de sua obra nas breves páginas deste último livro que chegou a completar. Seja narrando o meio século de servidão de uma criada em "Um coração simples", seja desdobrando a tapeçaria alucinada da "Legenda de São Julião Hospitaleiro" ou ainda reinventando um episódio bíblico em "Herodíade", Flaubert levou a arte da ficção a territórios ainda pouco explorados. Seu contemporâneo Henry James não tardou a ver "um elemento de perfeição" neste livro de 1877; e o próprio Flaubert, a meio caminho de sua redação, confidenciou numa carta: "Tenho a impressão de que a Prosa francesa pode chegar a uma beleza de que mal se faz ideia".
O rumor do tempo
e Viagem à Armênia
Tradução de Paulo Bezerra
Ensaio de Seamus Heaney
Nova edição, revista e ampliada, do livro que inclui as duas principais obras em prosa do grande poeta russo Óssip Mandelstam (1891-1938), O rumor do tempo (1925) e Viagem à Armênia (1933) - dois textos memorialísticos, de alta voltagem lírica, que trazem as impressões do autor sobre os períodos pré e pós Revolução de 1917. No volume eles são complementados por um posfácio do tradutor Paulo Bezerra e por um ensaio, inédito no Brasil, do Prêmio Nobel de Literatura Seamus Heaney, que analisa vida e obra do poeta e os esforços de sua esposa, Nadiéjda Mandelstam, em preservar seu legado em meio à perseguição do regime stalinista.
Antologia do humor russo (1832-2014)
Organização de Arlete Cavaliere
Tradução de Cecília Rosas, Irineu Franco Perpetuo, Lucas Simone, Denise Sales
Dos clássicos Gógol, Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov até os contemporâneos Viktor Peliévin, Liudmila Ulítskaia e Dmitri Býkov, esta Antologia do humor russo reúne 37 autores e 57 textos, a maioria deles inéditos no Brasil, incluindo contos, trechos de romances, crônicas, cartas e até breves peças de teatro. Esta produção, que muitas vezes surgiu em contestação aos regimes repressivos do tsarismo e do stalinismo, traça um amplo panorama do "mundo do riso" russo, com suas múltiplas vertentes, da comédia do absurdo ao humor mais sutil.
Publicado em 1850 e até agora inédito no Brasil, o Diário de um homem supérfluo, de Ivan Turguêniev (1818-1883), ocupa um lugar de destaque na história da literatura. É nele que pela primeira vez o termo "homem supérfluo" foi usado para designar um dos tipos mais característicos da grande prosa russa do século XIX, o aristocrata que cresceu sob o regime repressivo do tsar Nicolau I e é incapaz de agir para mudar seu destino. Nesta novela, que tem a forma de um diário íntimo, um jovem à beira da morte reflete sobre a sua infeliz paixão por Liza, filha de um proprietário de terras na província, e sobre seu sentimento de desajuste com a vida, traçando com suas confissões um painel extremamente vívido da sociedade russa da época.
Sobre isto
Tradução de Letícia Mei
Ilustrações de Aleksandr Ródtchenko
Edição bilíngue - português/russo
Vladímir Maiakóvski (1893-1930) foi um dos maiores poetas do século XX, e além de sua produção engajada na Revolução Russa, criou também uma impressionante obra lírica. O longo poema Sobre isto, considerado por ele sua obra-prima, é dedicado ao tema do amor, e foi escrito durante os dois meses de separação de Maiakóvski e Lília Brik, entre dezembro de 1922 e fevereiro de 1923, quando o casal decidiu se afastar após uma briga. Primeira publicação da obra no Brasil, o presente volume, bilíngue, tem tradução, posfácio e notas de Letícia Mei, além de incluir as fotomontagens originais que Aleksandr Ródtchenko realizou para ilustrar o livro e uma seleta da correspondência entre o poeta e Lília Brik no período.
Humilhados e ofendidos
Tradução de Fátima Bianchi
Xilogravuras de Oswaldo Goeldi
Após dez anos de exílio na Sibéria, Fiódor Dostoiévski retorna a Petersburgo em fins de 1859 determinado a escrever um romance genial, que lhe permita recuperar o prestígio de outros tempos. Esse romance é Humilhados e ofendidos, publicado em folhetim em 1861, livro que ocupa uma posição-chave na sua produção por ser um verdadeiro laboratório de temas e motivos que ressurgirão em suas obras de maturidade. Tendo como narrador a figura do jovem romancista Ivan Petróvitch, cuja vida guarda muitas semelhanças com a sua, Dostoiévski criou uma obra ao mesmo tempo cativante e de denúncia social, um verdadeiro turbilhão de afetos no qual o sentimento de cada personagem alcança a sua intensidade mais elevada.
Sete contra Tebas
Tradução de Trajano Vieira
Edição bilíngue - português/grego
Ensaio de Alan H. Sommerstein
Sete contra Tebas, de Ésquilo, é a segunda tragédia mais antiga que chegou até nós e foi encenada pela primeira vez em 467 a.C. Como pano de fundo, temos a maldição lançada sobre os reis de Tebas, na Grécia, que causou o assassinato de Laio, a desgraça de seu filho Édipo, e uma guerra fratricida entre os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, para herdar seu trono. A história se inicia quando Polinices, alijado do poder por seu irmão, reúne um exército com mais seis generais gregos e cerca as muralhas de Tebas. Diante da invasão iminente, o rei Etéocles, protagonista da peça, procura acalmar os cidadãos em pânico e organizar a defesa das sete portas da cidade.
Almas mortas
Tradução de Rubens Figueiredo
Posfácio de Donald Fanger
Publicado em 1842, Almas mortas é a grande obra-prima de Gógol, romance no qual o autor, considerado o fundador da moderna literatura russa, elabora um retrato ao mesmo tempo lírico e satírico de seu país. A narrativa traz a história de Tchítchikov, um especulador de São Petersburgo que viaja pelo interior da Rússia adquirindo, dos proprietários de terras locais, os servos ("almas") já falecidos, mas que ainda estavam registrados como vivos no último censo. Baseada na mais recente edição crítica russa, a brilhante tradução de Rubens Figueiredo é acompanhada de quatro textos de Gógol comentando a redação do livro e as reações à sua publicação. O volume inclui ainda os rascunhos que restaram da segunda parte do romance e um ensaio assinado por Donald Fanger, professor emérito da Universidade de Harvard, que analisa em detalhe toda a genialidade da prosa do autor.
Viktor Chklóvski (1893-1984), o grande crítico formalista russo, autor de Sobre a teoria da prosa, foi instrutor de blindados, comissário do exército e conspirador antibolchevique durante a Primeira Guerra Mundial, as revoluções de Fevereiro e Outubro de 1917 e a guerra civil que se seguiu em seu país. Viagem sentimental, publicado em 1923, é seu impressionante testemunho sobre este período caótico e violento, escrito com uma prosa peculiar, que mescla ironia e lirismo, abordando desde os fronts de guerra até a vida literária no início da república soviética.