Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura Estrangeira

219 títulos

Ilíada
Tradução de Trajano Vieira
Edição bilíngue - português/grego
Ensaio de Simone Weil
Composta no século VIII a.C., a Ilíada é considerada o marco inaugural da literatura ocidental. Tradicionalmente atribuída a Homero, a obra aborda o período de algumas semanas no último ano da Guerra de Troia, durante o cerco final dos contingentes gregos à cidadela do rei Príamo, na Ásia Menor. Com seus mais de 15 mil versos, a Ilíada ganha agora uma nova tradução - das mãos de Trajano Vieira, professor livre-docente da Unicamp e premiado tradutor da Odisseia -, rigorosamente metrificada, que busca recriar em nossa língua a excelência do original, com seus símiles e invenções vocabulares. A presente edição, bilíngue, traz ainda uma série de aparatos, como um índice onomástico completo, um posfácio do tradutor, excertos da crítica, e o célebre ensaio de Simone Weil, "A Ilíada ou o poema da força".
A gaiola
Tradução de Samuel Titan Jr.
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Confinados a uma cela de castigo, à mercê da espera, do poder e do acaso, três prisioneiros seguem os menores movimentos do pavilhão penal, espreitando a chegada providencial das três mulheres que contrabandeiam a droga, "anjo branco e sem rosto", e os libertam da "sufocante massa de desejo" que os tortura... Obra central da ficção latino americana, A gaiola foi escrita em 1969, na prisão de Lecumberri, na Cidade do México, onde José Revueltas pagava caro por seu papel de líder do movimento estudantil de 1968. Um dos grandes textos da literatura penitenciária, na vizinhança de Graciliano Ramos e Jean Genet, A gaiola vai além: brutal e lírica, ela subverte as relações de força e se transforma numa poderosa parábola sobre a condição humana.
O templo
Tradução de Raul de Sá Barbosa
Projeto gráfico de
Raul Loureiro
O templo merece lugar entre os grandes livros do período entre as duas guerras mundiais do século XX. Neste romance largamente autobiográfico, que começou a tomar forma em 1929 mas só foi publicado em 1988, cruzam-se a inquietação - sexual, literária, política - do jovem intelectual inglês Stephen Spender e a singularidade de um momento histórico - a República de Weimar - em que uma inédita liberdade de costumes florescia à sombra do nazismo já rampante. Crônica ficcional de um verão passado na Alemanha, em companhia dos amigos e escritores W. H. Auden e Christopher Isherwood, bem como do fotógrafo Herbert List, O templo combina a linhagem do romance de formação com um notável e precoce estudo da ascensão do totalitarismo.
O asno de ouro
Tradução de Ruth Guimarães
Apresentação e notas adicionais de Adriane da Silva Duarte
Edição bilíngue - português/latim
Único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra até os nossos dias, O asno de ouro (também conhecido como Metamorfoses), de Apuleio, escrito no século II d.C., influenciou escritores como Boccaccio, Shakespeare e Flaubert. A obra traz a atribulada história do jovem Lúcio que, viajando à Tessália, na Grécia, se hospeda na casa de uma feiticeira, ingere uma poção e é transformado por engano em um asno — sem perder, no entanto, a sua inteligência. Como burro de carga, passa por muitas aventuras e é ouvinte privilegiado de uma série de narrativas contadas pelas personagens do romance, com a célebre história de Eros e Psiquê. Obra única, verdadeira fábula sobre o pecado e a expiação, O asno de ouro é publicado aqui em edição bilíngue, com apresentação de Adriane da Silva Duarte, da Universidade de São Paulo, e tradução direta do latim realizada pela grande escritora Ruth Guimarães (1920-2014), que soube preservar com mestria toda a vivacidade e o colorido do original.
Lojas de canela
e outras narrativas
Tradução de Henryk Siewierski
Posfácio de Angelo Maria Ripellino
O autor polonês Bruno Schulz (1892-1942) criou a sua breve e deslumbrante obra literária em pouco mais de uma década, quando teve a sua vida tragicamente interrompida pela barbárie nazista. Em sua pequena cidade na Europa Central, Drohobycz, escreveu dois ciclos de contos, que alcançariam a admiração de nomes como Witold Gombrowicz, Czesław Miłosz, John Updike e Philip Roth. O presente volume traz o livro de estreia do autor, Lojas de canela, publicado em 1934, incluindo cinco contos adicionais que não figuram em sua segunda obra, Sanatório sob o signo da clepsidra - entre eles, um texto inédito em português, "A primavera" -, e se encerra com um posfácio do eslavista italiano Angelo Maria Ripellino, que lê a obra de Schulz à luz dos seus pares poloneses e das vanguardas europeias, relacionando a "exuberância irrefreável" de sua prosa com as tendências estéticas da art nouveau e do modernismo.
Moby Dick, ou A baleia
Tradução de Irene Hirsch, Alexandre Barbosa de Souza
Prefácio de Albert Camus
Posfácio de Bruno Gambarotto
Indisponível Avise-me saiba mais
Lançado em 1851, Moby Dick, de Herman Melville (1819-1891), se tornou um dos livros de aventura mais emblemáticos da literatura universal. A história do capitão Ahab, em busca de vingança contra o terrível cachalote que amputara sua perna, entrou definitivamente para a cultura popular, inspirando criações nas artes plásticas, no teatro, no cinema e na música. Mas uma leitura atenta da obra-prima de Melville pode revelar as camadas mais profundas do texto - as alusões bíblicas, as críticas ao nascente imperialismo norte-americano, as referências à obra de Shakespeare, entre muitos outros temas -, que deram ao autor o posto de maior prosador norte-americano do século XIX. Além de trazer ensaios de Evert Duyckinck, D. H. Lawrence e F. O. Matthiessen sobre Moby Dick, que delineiam a recepção crítica do livro, esta nova edição apresenta um prefácio de Albert Camus, inédito em nosso país, e um ensaio de Bruno Gambarotto, um dos maiores especialistas brasileiros na obra de Melville.
A luva, ou KR-2
(Contos de Kolimá 6)
Tradução de Nivaldo dos Santos, Francisco de Araújo
Posfácio de Gustaw Herling
A luva, ou KR-2 é o sexto e último volume dos Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov (1907-1982), obra em que o escritor russo dá testemunho dos 17 anos que passou como prisioneiro nos campos de trabalhos stalinistas e que constitui um verdadeiro monumento contra a barbárie e pela vida. Os 21 textos aqui reunidos trazem, além da denúncia dos horrores do gulag, também um pouco de leveza e esperança, já que cobrem os últimos anos de sua pena e a transição para a liberdade, como no belíssimo conto "Viagem a Ola". Completam o volume um texto ficcional sobre a morte de Chalámov escrito por Gustaw Herling (autor de uma das mais importantes obras da literatura do gulag, Um mundo à parte), e dois poemas do próprio Chalámov traduzidos diretamente do russo.
Três contos
Tradução de Milton Hatoum, Samuel Titan Jr.
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Os Três contos de Gustave Flaubert (1821-1880) constituem um dos pontos mais altos da literatura francesa. Ao retornar a temas, figuras e paisagens que o acompanhavam desde a juventude, o autor de Madame Bovary destilou uma suma de sua obra nas breves páginas deste último livro que chegou a completar. Seja narrando o meio século de servidão de uma criada em "Um coração simples", seja desdobrando a tapeçaria alucinada da "Legenda de São Julião Hospitaleiro" ou ainda reinventando um episódio bíblico em "Herodíade", Flaubert levou a arte da ficção a territórios ainda pouco explorados. Seu contemporâneo Henry James não tardou a ver "um elemento de perfeição" neste livro de 1877; e o próprio Flaubert, a meio caminho de sua redação, confidenciou numa carta: "Tenho a impressão de que a Prosa francesa pode chegar a uma beleza de que mal se faz ideia".
O rumor do tempo
e Viagem à Armênia
Tradução de Paulo Bezerra
Ensaio de Seamus Heaney
Nova edição, revista e ampliada, do livro que inclui as duas principais obras em prosa do grande poeta russo Óssip Mandelstam (1891-1938), O rumor do tempo (1925) e Viagem à Armênia (1933) - dois textos memorialísticos, de alta voltagem lírica, que trazem as impressões do autor sobre os períodos pré e pós Revolução de 1917. No volume eles são complementados por um posfácio do tradutor Paulo Bezerra e por um ensaio, inédito no Brasil, do Prêmio Nobel de Literatura Seamus Heaney, que analisa vida e obra do poeta e os esforços de sua esposa, Nadiéjda Mandelstam, em preservar seu legado em meio à perseguição do regime stalinista.
Antologia do humor russo (1832-2014)
Organização de Arlete Cavaliere
Tradução de Cecília Rosas, Irineu Franco Perpetuo, Lucas Simone, Denise Sales
Dos clássicos Gógol, Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov até os contemporâneos Viktor Peliévin, Liudmila Ulítskaia e Dmitri Býkov, esta Antologia do humor russo reúne 37 autores e 57 textos, a maioria deles inéditos no Brasil, incluindo contos, trechos de romances, crônicas, cartas e até breves peças de teatro. Esta produção, que muitas vezes surgiu em contestação aos regimes repressivos do tsarismo e do stalinismo, traça um amplo panorama do "mundo do riso" russo, com suas múltiplas vertentes, da comédia do absurdo ao humor mais sutil.
Publicado em 1850 e até agora inédito no Brasil, o Diário de um homem supérfluo, de Ivan Turguêniev (1818-1883), ocupa um lugar de destaque na história da literatura. É nele que pela primeira vez o termo "homem supérfluo" foi usado para designar um dos tipos mais característicos da grande prosa russa do século XIX, o aristocrata que cresceu sob o regime repressivo do tsar Nicolau I e é incapaz de agir para mudar seu destino. Nesta novela, que tem a forma de um diário íntimo, um jovem à beira da morte reflete sobre a sua infeliz paixão por Liza, filha de um proprietário de terras na província, e sobre seu sentimento de desajuste com a vida, traçando com suas confissões um painel extremamente vívido da sociedade russa da época.
Sobre isto
Tradução de Letícia Mei
Ilustrações de Aleksandr Ródtchenko
Edição bilíngue - português/russo
Vladímir Maiakóvski (1893-1930) foi um dos maiores poetas do século XX, e além de sua produção engajada na Revolução Russa, criou também uma impressionante obra lírica. O longo poema Sobre isto, considerado por ele sua obra-prima, é dedicado ao tema do amor, e foi escrito durante os dois meses de separação de Maiakóvski e Lília Brik, entre dezembro de 1922 e fevereiro de 1923, quando o casal decidiu se afastar após uma briga. Primeira publicação da obra no Brasil, o presente volume, bilíngue, tem tradução, posfácio e notas de Letícia Mei, além de incluir as fotomontagens originais que Aleksandr Ródtchenko realizou para ilustrar o livro e uma seleta da correspondência entre o poeta e Lília Brik no período.