Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura estrangeira

195 títulos

Humilhados e ofendidos
Tradução de Fátima Bianchi
Xilogravuras de Oswaldo Goeldi
Após dez anos de exílio na Sibéria, Fiódor Dostoiévski retorna a Petersburgo em fins de 1859 determinado a escrever um romance genial, que lhe permita recuperar o prestígio de outros tempos. Esse romance é Humilhados e ofendidos, publicado em folhetim em 1861, livro que ocupa uma posição-chave na sua produção por ser um verdadeiro laboratório de temas e motivos que ressurgirão em suas obras de maturidade. Tendo como narrador a figura do jovem romancista Ivan Petróvitch, cuja vida guarda muitas semelhanças com a sua, Dostoiévski criou uma obra ao mesmo tempo cativante e de denúncia social, um verdadeiro turbilhão de afetos no qual o sentimento de cada personagem alcança a sua intensidade mais elevada.
Almas mortas
Tradução de Rubens Figueiredo
Posfácio de Donald Fanger
Publicado em 1842, Almas mortas é a grande obra-prima de Gógol, romance no qual o autor, considerado o fundador da moderna literatura russa, elabora um retrato ao mesmo tempo lírico e satírico de seu país. A narrativa traz a história de Tchítchikov, um especulador de São Petersburgo que viaja pelo interior da Rússia adquirindo, dos proprietários de terras locais, os servos ("almas") já falecidos, mas que ainda estavam registrados como vivos no último censo. Baseada na mais recente edição crítica russa, a brilhante tradução de Rubens Figueiredo é acompanhada de quatro textos de Gógol comentando a redação do livro e as reações à sua publicação. O volume inclui ainda os rascunhos que restaram da segunda parte do romance e um ensaio assinado por Donald Fanger, professor emérito da Universidade de Harvard, que analisa em detalhe toda a genialidade da prosa do autor.
Viagem sentimental
Tradução de Cecília Rosas
Posfácio de Galin Tihanov
Coleção Narrativas da Revolução
Viktor Chklóvski (1893-1984), o grande crítico formalista russo, autor de Sobre a teoria da prosa, foi instrutor de blindados, comissário do exército e conspirador antibolchevique durante a Primeira Guerra Mundial, as revoluções de Fevereiro e Outubro de 1917 e a guerra civil que se seguiu em seu país. Viagem sentimental, publicado em 1923, é seu impressionante testemunho sobre este período caótico e violento, escrito com uma prosa peculiar, que mescla ironia e lirismo, abordando desde os fronts de guerra até a vida literária no início da república soviética.
O homem que plantava árvores
Tradução de Cecília Ciscato, Samuel Titan Jr.
Ilustrações de Daniel Bueno
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Escrita por Jean Giono em 1953 e traduzida para inúmeros idiomas, esta breve narrativa é considerada um dos mais cativantes manifestos ecológicos e humanistas da literatura do século XX. Trazendo a história de um solitário pastor de ovelhas que dedica sua vida a reflorestar uma inóspita região do sul da França, O homem que plantava árvores demonstra como o renascimento da natureza pode também transformar as relações humanas. O livro foi adaptado para o cinema, recebendo o Oscar de melhor curta-metragem de animação em 1988.
Premiado romance de estreia da jovem escritora norte-americana Idra Novey, poeta e tradutora de Clarice Lispector e Manoel de Barros, A arte de desaparecer se passa entre o Rio de Janeiro e o litoral da Bahia, quando a admiradora de uma famosa escritora brasileira vem dos Estados Unidos para investigar o seu desaparecimento em Copacabana. Com uma narrativa ágil e veloz, que incorpora flashes da violência cotidiana de nosso país, a obra possui também muito de poesia, além de uma finíssima intuição sobre as relações afetivas, o desejo, o corpo e a escrita.
Nós
Tradução de Francisco de Araújo
Posfácio de Cássio de Oliveira
Coleção Narrativas da Revolução
Escrito entre 1920 e 1921 pelo russo Ievguêni Zamiátin (1884-1937), Nós é o romance fundador do gênero distópico, tendo influenciado autores como Aldous Huxley e George Orwell. Num futuro distante, com a população mundial reduzida a 10 milhões de habitantes, instituiu-se uma sociedade controlada e mecanizada, o Estado Único. Nela não há espaço para o indivíduo, apenas para o coletivo, as pessoas não têm nomes, apenas números, e qualquer desvio é punido com a morte. Um engenheiro, D-503, escreve um diário (o próprio livro) a fim de registrar os inúmeros benefícios desse mundo "perfeito". Entretanto, ele verá suas convicções abaladas ao conhecer uma mulher misteriosa, I-330, e passar a ter sentimentos há muito reprimidos: sonho, amor, fantasia...
O ano nu
Tradução de Lucas Simone
Posfácio de Georges Nivat
Coleção Narrativas da Revolução
O ano nu, de Boris Pilniák (1894-1938), publicado em 1922, capta o impacto da Revolução de 1917 em um vilarejo à beira das estepes orientais, acompanhando, no calor da hora, o declínio da nobreza rural e a ascensão dos camponeses no ano de 1919. Com sua escrita extremamente inventiva, que incorpora arcaísmos, onomatopeias, refrões e citações de crônicas antigas, o autor criou uma forma literária nova, que, como nota Georges Nivat no posfácio, está próxima das experiências do cinema de vanguarda de Dziga Vertov e Serguei Eisenstein.
Diário de Kóstia Riábtsev
Tradução de Lucas Simone
Posfácio de Muireann Maguire
Coleção Narrativas da Revolução
O Diário de Kóstia Riábtsev (1926) foi uma das primeiras obras soviéticas de ficção a obter repercussão mundial. A partir de sua experiência como pedagogo, Nikolai Ognióv (1888-1938) cria o personagem de Kóstia, um estudante impulsivo e franco que narra em seu diário o cotidiano dos primeiros anos após a Revolução, abordando tanto as grandes questões sociais do período como as desventuras da vida de um adolescente comum.
Inveja
Tradução de Boris Schnaiderman
Coleção Narrativas da Revolução
Publicada na Rússia em 1927, a novela Inveja é um dos mais bem-sucedidos experimentos de prosa de ficção do período revolucionário. Com um ritmo vertiginoso, que por vezes lembra uma tela cubista, Iúri Oliecha (1899-1960) põe em cena, de um lado, um jovem sonhador e despreparado para a vida e, de outro, um poderoso diretor de indústrias do novo regime soviético. O resultado é um livro de humor lancinante, repleto de ambiguidades, e cuja intensidade verbal e imaginação desenfreada foram recriadas com brilho pela tradução de Boris Schnaiderman, que também assina dois ensaios sobre Oliécha e sua obra incluídos nesta edição.
O mestre e Margarida, do escritor russo Mikhail Bulgákov (1891-1940), é considerado um dos grandes romances do século XX. Redigido entre 1928 e 1940 e inspirado no Fausto de Goethe, o livro narra a chegada do diabo e seu séquito a Moscou nos anos 1930. O grupo, que inclui um gato falante, uma bruxa e um sinistro capanga, causa um verdadeiro caos na cidade, subvertendo a ordem e alterando a vida de seus habitantes - como o mestre, que escreve um romance sobre Pôncio Pilatos, e Margarida, sua amada. Sátira alucinante do regime stalinista, o livro só pôde ser publicado na íntegra na União Soviética em 1973. A presente tradução, a cargo de Irineu Franco Perpetuo, foi realizada a partir da mais recente e completa edição russa, lançada em 2014.
Glaxo
Tradução de Livia Deorsola
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Primeiro livro de Hernán Ronsino publicado no Brasil, Glaxo é uma breve e contundente novela passada em uma pequena cidade do pampa argentino, que tem como pano de fundo o fechamento da única fábrica da região. Como se fosse um western escrito por William Faulkner ou Selva Almada, a obra traz uma narrativa fragmentada, em que suas peças, que incluem as vidas de quatro conhecidos e uma mulher, só se encaixam ao final, elucidando uma trama de desejo e vingança que pode ser lida como uma espécie de alegoria dos destinos daquele país.
Safo - Fragmentos completos
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Edição bilíngue
Esta nova tradução de Safo, poetisa lírica grega dos séculos VII-VI a.C., apresenta, em edição bilíngue, a totalidade de seus poemas e fragmentos descobertos até hoje, que vão de textos completos a pedaços de poemas que restaram de antigos pergaminhos. Tal como nas estátuas ou vasos da Antiguidade que chegaram até nós, nestes poemas, a ruína é mais um elemento de sua beleza. A edição inclui ainda um estudo introdutório do tradutor Guilherme Gontijo Flores e uma série de aparatos críticos que fazem desta a edição mais completa e rigorosa de Safo já publicada no Brasil.