Editora 34
Áreas de Interesse

Literatura estrangeira

195 títulos

Irmãos migrantes
Tradução de Prisca Agustoni
Posfácio de Vanessa Massoni da Rocha

Irmãos migrantes é um manifesto político-poético contra a barbárie contemporânea das migrações forçadas. Em dezoito capítulos breves, Patrick Chamoiseau, um dos grandes nomes da literatura francesa e caribenha, ergue sua voz contra a violência que marca uma das maiores crises humanitárias do presente. Com escrita de intervenção e inventividade poética, articula urgência ética e criação de linguagem para propor novos imaginários. À brutalidade das fronteiras e ao fechamento dos Estados-nação, opõe a mundialidade de Édouard Glissant como alternativa à globalização do consumo. Inspirado em Pasolini, vê nos vagalumes lampejos de esperança que anunciam futuros possíveis. Nascido na Martinica, em 1953, Chamoiseau é autor de vasta obra incluindo romances, ensaios e contos; esta edição conta com tradução de Prisca Agustoni, posfácio de Vanessa Massoni da Rocha e texto de orelha de Tiganá Santana.

Teatro completo V
Helena, As Fenícias, Orestes
Tradução de Jaa Torrano
Edição bilíngue

Dando continuidade à publicação do Teatro completo de Eurípides em edições bilíngues, com traduções e estudos de Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da USP, este volume V reúne três peças do grande autor trágico: Helena, As Fenícias e Orestes. Helena, que abre este volume, inverte singularmente as perspectivas da tradição: aqui não é a Helena que deu origem à Guerra de Troia, mas um duplo seu, que permaneceu no Egito e ali reencontra o amado Menelau. Em As Fenícias (personagens que formam o coro da tragédia), o pacto entre Etéocles e Polinices, filhos de Édipo e Jocasta, pela alternância no poder em Tebas, cai por terra e leva a funestas consequências. Já Orestes põe em cena outro par de irmãos, Electra e o próprio Orestes, este perseguido pela loucura após ter assassinado a mãe e o padrasto em vingança pela morte do pai, Agamêmnon.

O astrágalo
Tradução de Mônica Kalil
Prefácio de Patti Smith

Publicado em 1965, o cultuado romance O astrágalo, de Albertine Sarrazin (1937-1967), autora nascida em Argel e educada em reformatórios na França, conta a história da jovem delinquente Anne. Ao fugir de uma penitenciária, ela fratura o osso do calcanhar que dá nome ao livro e conhece o ex-presidiário Julien, seu grande amor. Autobiográfico até a medula, e escrito quando a autora estava cumprindo pena por roubar uma garrafa de uísque, O astrágalo retrata uma vida na fronteira entre o submundo e a efervescência boêmia de Paris nos anos 1960, lembrando o Acossado de Godard. Tida como “alma gêmea de Jean Genet”, Albertine Sarrazin foi elogiada por Simone de Beauvoir e influenciou toda uma geração de escritoras com este livro, como Patti Smith, que assina o emocionado prefácio ao volume. Uma frase de Albertine, dita ao juiz em uma de suas condenações, exprime bem a força de sua literatura: “Não tenho nenhum remorso. Quando tiver, eu aviso”.

Crítico de arte inglês conhecido por um sem-número de ensaios e livros como Modos de ver (1972), John Berger (1926-2017) dedicou-se com igual brilhantismo à ficção — seu romance G. mereceu o Booker Prize de 1972. O toldo vermelho de Bolonha, publicado em 2007, faz parte da sequência de livros breves e inclassificáveis que publicou nos últimos anos de vida. Nesta obra luminosa, o autor passeia entre um subúrbio londrino e as arcadas de Bolonha, entre o relato de viagem e o retrato falado de seu tio Edgar — personagem marcante em sua formação, que o ensinou a fugir dos lugares-comuns —, enquanto se permite toda sorte de digressões sobre receitas locais, tecidos de linho, estátuas em terracota, variedades de café ou ainda sobre os vínculos secretos e libertadores entre os grandes sofrimentos e os pequenos prazeres.

Publicado na Argentina em 2024, o primeiro livro de Julieta Correa nasce na convergência entre memória e romance, fato médico e ficção literária, perda e presença, luto e humor, entre os diários da mãe e as anotações da filha. A mãe é Sari, mulher de espírito e de letras, às voltas com uma moléstia sem nome que vai fazendo tabula rasa de suas faculdades, sua verve e sua voz. A filha é a autora de Por que são tão lindos os cavalos?, às voltas com o emprego, a pandemia, o confinamento e, cada vez mais, os sintomas, as consultas, os lapsos e os silêncios de Sari. Aos poucos, vai se impondo à autora a suspeita de que a doença tanto apaga como revela. Revela o teor humano de quem padece e, no caso de Sari, traz à luz a suspeita tantas vezes registrada em seus diários quanto ao caráter efêmero e fugidio da experiência humana, na raiz de sua tragédia e de sua beleza.

O contador, a noite e o balaio
Tradução de Henrique Provinzano Amaral
Posfácio de Michel Mingote

Subvertendo as fronteiras entre ensaio e literatura, Patrick Chamoiseau reflete em O contador, a noite e o balaio sobre a escrita, a fala e o gesto criador. Inspirado na “oralitura”, conceito central da poética antilhana, volta-se ao velho negro escravizado das Antilhas do século XVII que, à noite, transforma-se em “mestre da palavra”: o contador crioulo, origem simbólica da literatura antilhana. Sua palavra inaugura uma forma de resistência simbólica à colonização e um sistema de forças que se opõe à violência das plantações. Traduzido por Henrique Provinzano Amaral, com posfácio de Michel Mingote, o ensaio amplia o diálogo entre literatura, dança, música e artes visuais, evocando Aimé Césaire e Édouard Glissant. Nascido na Martinica em 1953, vencedor do Prêmio Goncourt com Texaco, Chamoiseau é uma das vozes mais expressivas da literatura caribenha.

O Elogio da mão, de Henri Focillon (1881-1943), é um dos grandes ensaios de reflexão estética e antropológica que o século XX produziu. Publicado em 1939 como apêndice ao livro Vida das formas, sua ousadia não se limita ao brilho da prosa do historiador francês e faz pensar em autores como Warburg, Benjamin e Merleau-Ponty. Ao destronar o olhar da posição de eminência que sempre foi sua no campo da estética, Focillon afirma o primado da mão ativa e criadora no nosso trato com o mundo, pois, para ele, o artista é um “homem antigo”, que em plena era mecânica reencena com suas mãos a descoberta das coisas. A edição conta com mais de trinta reproduções coloridas das obras de arte analisadas pelo autor e um apêndice com as Ilustrações detalhadas dos grandes desenhos de Hokusai, de 1817 — artista-chave, junto com Rembrandt, para o argumento de Elogio da mão.

Zoo, ou Cartas não de amor
Tradução de Vadim Nikitin
Introdução de Richard Sheldon
Texto em apêndice de Letícia Mei

Exilado em Berlim nos anos 1920 junto com muitos outros artistas e escritores russos, Viktor Chklóvski (1893-1984), um dos principais teóricos do Formalismo Russo, apaixonou-se pela jovem escritora Elsa Triolet e passou a lhe enviar cartas diariamente. Ela aceitou as cartas, impondo uma única condição: que elas não falassem de amor. Zoo, ou Cartas não de amor (1923) é o genial romance epistolar resultante dessa correspondência. Num verdadeiro surto criativo, Chklóvski recorre aos mais variados assuntos e formas literárias para lidar com a proibição, mas, não obstante, a paixão reprimida se insinua a todo momento por entre as linhas desta prosa ágil, divertida e emocionada. Inédito no Brasil, Zoo traz a criteriosa tradução de Vadim Nikitin, que se baseou na última edição revista pelo autor, de 1966, e inclui uma introdução do crítico e tradutor Richard Sheldon e um perfil biográfico de Elsa Triolet.

Trens rigorosamente vigiados
Tradução de Luís Carlos
Posfácio de Šárka Grauová

Publicado em 1965, Trens rigorosamente vigiados é o livro mais conhecido de Bohumil Hrabal, um dos maiores escritores tchecos do século XX, em boa parte devido ao filme homônimo de 1966, que recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Nesta novela, que combina o registro coloquial e a irreverência com momentos de intenso lirismo, acompanhamos as angústias do jovem narrador Miloš Hrma em sua conturbada passagem para a vida adulta. O pano de fundo é o cotidiano de uma pequena estação ferroviária na Tchecoslováquia, onde seus pitorescos funcionários se veem em meio ao movimento de resistência ao nazismo e à brutalidade dos eventos finais da Segunda Guerra Mundial. Este é o primeiro livro de Hrabal publicado no Brasil em tradução direta, a cargo de Luís Carlos Cabral. A edição traz ainda um ensaio biográfico de Šárka Grauová, pesquisadora da Universidade Palacký, da República Tcheca, escrito especialmente para esta edição.

Jacarandá
Romance
Tradução de Mirella Botaro, Raquel Camargo
Texto de orelha de Itamar Vieira Junior

Em 1994, Milan, garoto criado em um subúrbio de Paris, filho de pai francês e mãe ruandesa, se depara com imagens do genocídio em Ruanda exibidas pelo noticiário. Anos depois, decide retornar ao país de origem de sua mãe, Venancia, para compreender seus silêncios e reencontrar as raízes de sua família. Lá conhece Stella, filha de uma sobrevivente dos massacres, e acessa um luto coletivo ainda em curso. Mas se Jacarandá é sobre as feridas abertas do genocídio ruandês, ele é também uma ode à vida. Com escrita poética e sensível, o autor entrelaça memórias e afetos afirmando a força de permanecer vivo em um país cindido, que trilha com coragem os caminhos da reconciliação. Sucesso internacional de crítica e público, Jacarandá é o segundo romance de Gaël Faye, nascido no Burundi, também conhecido por sua trajetória como cantor, compositor e rapper.

Grito
Tradução de Giorgio Sinedino
Ilustrações de Feng Zikai

Grito, publicado em 1923, é a primeira e mais importante coletânea de textos ficcionais de Lu Xun (1881-1936), o maior expoente do modernismo literário chinês. Ao longo dessas catorze narrativas redigidas entre 1918 e 1922, precedidas de um autobiográfico “Prefácio do autor”, Lu Xun não só compõe um retrato vivo do crepúsculo da dinastia Qing (1644-1911) e do conturbado nascimento da primeira República da China (1912-1949), como tece uma aguda crítica aos valores ancestrais e males arraigados da sociedade chinesa. Sua prosa arrojada, que utiliza a expressiva linguagem coloquial de seu tempo, é aqui criativamente reinventada em português por Giorgio Sinedino, professor da Universidade de Macau, autor também do amplo estudo biográfico que serve de introdução ao volume e de um ensaio com comentários esclarecedores a cada um dos contos de Grito. A edição conta ainda com 77 desenhos de Feng Zikai (1898-1975), artista pioneiro da ilustração moderna na China.

Os ratos e o gato persa
Tradução de Beto Furquim
Ilustrações de Alex Cerveny
Consultoria de Zahra Mousnavi
Posfácio de Rodrigo Petronio

O poeta persa Obeyd Zakani (1300-1371) é um dos escritores fundamentais do Oriente Médio, e sua obra mais famosa é Mush-o Gorbeh, aqui traduzida como Os ratos e o gato persa. Nesta fábula em versos rimados, pela primeira vez publicada no Brasil, temos a relação de um poderoso felino com o reino dos ratos, numa impiedosa sátira aos tiranos que, no passado e no presente, sempre se apresentam sob novos disfarces. Vertida ao português por Beto Furquim, que recriou os ritmos e a graça do original, a história é acompanhada pelos belos desenhos do artista Alex Cerveny, que encontrou o manuscrito utilizado como base para esta edição, e por um posfácio de Rodrigo Petronio, que aborda os principais aspectos da vida e obra de Zakani.